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Espantalhos vs. Soluções

Pedro von Hafe
Opinião \ terça-feira, setembro 15, 2026
© Direitos reservados
Rui, pode então explicar a IL como vai descer os impostos? O dinheiro que vai deixar de entrar vai deixar de pagar o quê?

No Jornal Guimarães, Agora!, o membro da Iniciativa Liberal (IL) de Guimarães, Rui Plácido, decidiu responder ao meu último artigo com a crónica ‘Os espantalhos do meu quintal’, disponível em https://guimaraesagora.pt/os-espantalhos-do-meu-quintal/.  Infelizmente, o Rui fê-lo sem me identificar nem identificar o meu artigo, o que em Democracia não me pareceu a opção mais leal.

Neste artigo Rui Plácido diz ‘Acabar com o turismo, por exemplo, não transforma automaticamente os seus trabalhadores em engenheiros ou investigadores.’ Mas alguém aqui na sala falou em acabar com o turismo? E que acabar com o turismo, per se, aumentaria a qualificação dos trabalhadores?

Sobre a crise na habitação diz ‘Precisamos de construir mais habitação (…) estabelecer regras nas zonas de maior pressão.’ Ora, eu até fui ler o programa eleitoral da IL e não vi nenhuma referência a estabelecer regras em zonas de maior pressão, isto significa exatamente o quê? Tetos? O estado a condicionar o mercado? Fico feliz por ler isto, significa que o caminho da esquerda se vai fazendo, até entre os liberais.

Sobre a exploração dos recursos naturais o Rui diz: ‘Recusar qualquer exploração em Portugal não elimina a necessidade desses recursos. (…) Os buracos ficam no quintal dos outros e a nossa consciência fica limpa.’ O que se recusa não é a mineração em si, mas sim a mineração a qualquer custo. Portanto, sim, pode ser feito aqui e sim, concordo que é melhor aqui que no Congo, mas sob as nossas condições e garantido o máximo de impacto económico positivo para o país e, sobretudo, para as regiões afetadas.

‘Qualquer descida de impostos deve ser financeiramente explicada, tal como qualquer aumento permanente da despesa pública.’Rui, pode então explicar a IL como vai descer os impostos? O dinheiro que vai deixar de entrar vai deixar de pagar o quê?

Por fim, o Rui finaliza ‘Não basta dizer que queremos uma economia verde, inclusiva, tecnológica e com salários altos. Tudo isso é desejável, mas são características, não são atividades económicas.’ Se isso tudo é desejável que atividades económicas é que vão sustentar isso? A mineração de lítio por empresas estrangeiras? O turismo? A privatização de setores estratégicos?

Deixo aqui alguns exemplos de medidas que o governo pode tomar para termos uma economia vibrante que sustente salários altos, boas condições para os trabalhadores e crescimento sustentável.

  1. Política industrial: Apoiar projetos em setores estratégicos que combinem investigação, desenvolvimento de produtos, produção e exportação – já aplicado em Portugal na área do têxtil com bons resultados e que permitiu salvar este setor após a entrada do mercado asiático. Apoio de projetos que contribuíssem, por exemplo, para a entrada de Portugal na corrida das baterias de iões de sódio, diminuindo a necessidade de mineração em lítio.
  2. Aumento dos salários: promover, como acontece nos países nórdicos, a definição dos salários através de acordos coletivos de trabalho. isto resulta numa pressão constante sobre as empresas para não sustentarem o lucro em salários baixo, resultando no favorecimento de uma massa trabalhadora mais diferenciada. Para além disso, mais dinheiro nas mãos dos trabalhadores promove uma maior procura.
  3. Criar serviços tecnológicos partilhados: laboratórios, apoio à digitalização, eficiência energética e melhoria da gestão. Permite às empresas adotar equipamentos e processos que, isoladamente, não conseguiriam desenvolver ou pagar.
  4. Investir na melhoria dos determinantes sociais de saúde: maior e melhor mobilidade e melhorar acesso à saúde e redes de apoio social, por exemplo – promove maior motivação, menor absentismo e maior produtividade.

 

Recomendação Cultural:

Saíram os resultados da nova edição do PISA e, a par da maioria dos países europeus, Portugal teve resultados desastrosos. Nessa senda recomendo um livro que ainda não li – Gente como Nós, do Miguel Herdade, o agora diretor executivo da Fundação Jerónimo Martins. Vindo de quem vem, tenho a certeza que trará uma visão do país bem estruturada, com soluções para alguns dos problemas que trouxeram os alunos portugueses até aqui.

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