PS sugere alteração de trânsito junto à central. Câmara espera por PMUS
A mobilidade voltou à mesa do executivo municipal na reunião quinzenal de segunda-feira, com Ricardo Costa, vereador do Partido Socialista, a alertar para conflitos de tráfego automóvel nas imediações do centro comercial Guimarães Shopping e do hospital da Unidade Local de Saúde do Alto Ave em horas de ponta, nomeadamente entre as 7h30 e as 9h30 e entre as 17h30 e as 19h30. O candidato socialista às Autárquicas de 2025 considerou que, enquanto não houver proposta definitiva para a alteração das vias em causa, é “importante aumentar o policiamento na zona, com PSP e Polícia Municipal”.
Defendeu, no entanto, uma alteração no trânsito: a supressão da circulação no sentido descendente da Rua Professor Abel Salazar, no troço entre o entroncamento que conduz ao recinto da Feira Semanal e a Central de Camionagem. "Há uma questão que se pode melhorar: para quem vem do mercado, o sentido descendente do tráfego poderia ser proibido. Era uma forma de não densificar tanto o tráfego automóvel na zona do shopping. Isso pode mitigar em muito os problemas de tráfego", disse, no período antes da ordem do dia.
A vereadora municipal com o pelouro da mobilidade, assim como o presidente da Câmara responderam à sugestão. Vânia Dias da Silva realçou que as horas de ponta na Alameda Doutor Mariano Felgueiras dependem do pico de consultas no hospital, que pode acontecer durante a manhã, e lembrou que a recusa do Guimarães Shopping em abrir o estacionamento antes do horário de abertura de várias lojas (entre 9h30 e 10h00) criou constrangimentos, já que o parque de estacionamento do hospital não tem capacidade para acomodar todos os utentes. “Em novembro, reuni com o shopping no sentido de os sensibilizar para isso mesmo, eventualmente cobrando uma avença. O shopping ficou de dar uma resposta. Já insistimos. Até hoje, não temos nenhuma resposta do shopping nesse sentido", assumiu.
A vereadora da coligação Juntos por Guimarães (PSD/CDS-PP), ligada ao CDS-PP, disse ainda que a Câmara já equacionou a alteração do sentido do trânsito, mas só vai avançar com eventuais alterações após a conclusão do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável em curso.
O presidente de Câmara também se mostrou consciente desses “problemas agravados em hora de ponta”, particularmente na área entre o hospital e o centro comercial, ainda mais à sexta-feira, com a realização da feira semanal. Ricardo Araújo confirmou que essa é uma das “zonas críticas” para a qual se pediu celeridade na resolução de problemas no âmbito do PMUS. Quanto ao policiamento, a Câmara já fez uma experiência nesse sentido, que correu bem, mas faltam elementos para ações mais regulares.
“Os resultados são naturalmente melhores, mas não temos efetivo suficiente para destacar para ali permanentemente agentes da PM. Periodicamente, estamos a fazer isso para recolher alguns dados. Estando lá, a Polícia Municipal consegue testar algumas soluções. Por outro lado, ajuda a que o tráfego possa circular com maior fluidez", esclareceu.
Mais tarde, aos jornalistas, Ricardo Araújo considerou impossível, “de um dia para o outro”, encontrar “uma solução mágica” para problemas que o PS não foi capaz de resolver em 36 anos, período em que governou a Câmara Municipal. “Os problemas já vêm de trás e foram causados por más opções tomadas no passado. O que estamos a fazer é resolver problemas. Assumi desde o início que o eixo da mobilidade seria prioritário", disse.
O presidente da Câmara expressou ainda a intenção de lançar até ao final do ano o concurso para o tramo de ligação entre a variante de Creixomil e a Estrada Nacional 206 e disse estar a trabalhar com a Infraestruturas de Portugal para a construção de uma rotunda em Ronfe, reivindicação conhecida daquela vila vimaranense.
Araújo e Costa voltam a discordar quanto à mobilidade regional
Nessa declaração após a reunião de Câmara, Ricardo Araújo mostrou-se agradado com a declaração do homólogo de Vila Nova de Famalicão, a expressar publicamente a intenção de ver os dois principais concelhos da Comunidade Intermunicipal do Ave ligados por metrobus (BRT), solução que considera a melhor para a mobilidade regional. “Fico muito satisfeito que Famalicão esteja alinhado com esta estratégia. É fundamental para a nossa região fazer esta aposta no transporte público com qualidade, com conforto, em via dedicada e exclusiva. O metrobus é a melhor solução para a região, que está a ser articulada entre os autarcas da região e o Governo. É a melhor solução. Tem Braga a defender, tem Famalicão a defender", reiterou.
O autarca expressou essa posição depois de Ricardo Costa ter vincado que o BRT não é a solução para ligar os quatro principais municípios do distrito, mas sim o metro ligeiro de superfície. “Queremos uma solução de mobilidade que ligue Barcelos, Braga, Famalicão e Guimarães por metro ligeiro de superfície. Esse é o meio de transporte que traz modernidade e soluções do futuro. O metrobus não resolve nenhum dos nossos problemas. Fala-se do metrobus, porque é uma solução mais barata, mas vai ficar pior”, observou.
O vereador do PS considerou ainda injusto que haja disponibilidade do Governo para anunciar “investimentos megalómanos em Lisboa e no Porto”, quando o distrito de Braga, “um dos mais importantes do país a nível macroeconómico”, continua a passar “ao lado dos grandes investimentos”. "Não somos os parentes pobres. Não podemos aceitar que não possam gastar 1.000 milhões de euros para ligar quatro cidades das mais exportadoras deste país. Não é admissível. Temos de apelar às pessoas deste distrito para se mobilizarem em prol da atração deste desenvolvimento”, frisou.