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Guimarães celebra Eduardo Ribeiro com exposição, livro e mesas-redondas

Tiago Mendes Dias
Sociedade \ terça-feira, junho 16, 2026
© Direitos reservados
A memória do resistente à ditadura, que faria 100 anos na próxima sexta-feira vai ser evocada ao longo do próximo ano. Câmara vai-lhe atribuir Medalha de Mérito a título póstumo em 24 de Junho.

O cine-concerto marcado para sexta-feira no Largo Condessa do Juncal, com a banda sonora de Manuel d’Oliveira interpretada ao vivo enquanto se veem imagens da série “Daqui houve resistência” acontece precisamente 100 anos depois do nascimento de Eduardo Ribeiro, uma das duas pessoas que, em Guimarães, mais se distinguiram na oposição ao Estado Novo, a par de Joaquim Santos Simões.

Essa é uma das iniciativas que marca a comemoração do centenário do engenheiro civil nascido em Gondar, a 19 de junho de 1926, que se distinguiu como opositor ao regime ditatorial de Salazar e Marcello Caetano, como projetista e impulsionador da empresa familiar de construção civil, a Cari, como artista, explorando influências do cubismo e do abstracionismo em centenas de telas, exibidas em Guimarães e no Porto, e como dirigente associativo, envolvido na criação do Cineclube de Guimarães, da associação Muralha e da cooperativa editorial O Povo de Guimarães.

Um dos membros da Comissão de Honra empossada nesta segunda-feira, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Guimarães, César Machado adiantou que a evocação de Eduardo Ribeiro já se deu no concerto Sons de Liberdade, sempre organizado a 24 de abril no Centro Cultural Vila Flor, e que vai prosseguir através de uma exposição que cruza várias das facetas da sua vida, de um livro e de mesas-redondas onde a sua memória virá à tona, com realce para duas datas: 12 de dezembro de 2026, dia em que se comemoram os 50 anos das primeiras Eleições Autárquicas, e 31 de janeiro de 2027, dia da revolta republicana de 1891 que era sempre evocada pela oposição à ditadura.

No primeiro discurso proferido no Salão Nobre, a neta do homenageado, Inês Ribeiro, lembrou o projeto que Eduardo Ribeiro esboçou de uma casa na Apúlia para o amigo Santos Simões, enquanto estava preso em Caxias, em 1968, num tempo em que foi sujeito à tortura do sono, a forma como o vimaranense despertou para a luta antifascista, com o comício de Norton de Matos, em 1949, e a campanha de Humberto Delgado para a Presidência da República, em 1958, mas também a forma como sempre quis aprofundar o conhecimento na área em que trabalhava, ao formar-se como técnico de engenharia civil em 1982 e ao concluir a licenciatura na área, em 2001.

Ao longo da sua vida, também se preocupou sempre com o acesso à habitação e a gestão do urbanismo na sua cidade. “Esteve na campanha pelo acesso à habitação e difusão da habitação social na década de 70. Escreveu artigos contra a desarborização da cidade. Esteve presente em encontros internacionais sobre segurança e cooperação internacionais em Bruxelas, em 1972 e 1974. Na empresa familiar, participou na construção da fase final da Sociedade Martins Sarmento e na Pousada de Santa Marinha da Costa”, lembrou Inês, acompanhada pelo pai, António Ribeiro, e pelo presidente da Câmara, Ricardo Araújo, na mesa.

 

Medalha de Mérito em Ouro e nome de rua para Eduardo Ribeiro

Depois da tomada de posse da Comissão de Honra, presidida por Ricardo Araújo, e ainda formada por Rui Armindo Freitas, Isabel Ferreira, António Ribeiro, Inês Ribeiro, Isabel Santos Simões, Antero Ferreira, Torcato Ribeiro, António Amaro das Neves, César Machado, Carlos Mesquita, Vítor Louro, José Manuel Mendes e Henrique Barreto Nunes, o presidente da Câmara enalteceu a gratidão de Guimarães para com Eduardo Ribeiro.

“Guimarães agradece e valoriza Eduardo Ribeiro, mas também à sua família, aos resistentes, aos que lutaram pela liberdade, aos mais conhecidos e aos anónimos. Guimarães agradece aos que fizeram da liberdade uma causa, apesar das consequências”, frisou.

O autarca confessou a honra de presidir à comissão, algo que considerou fazer sentido pelo facto de representar o poder local, algo por que o homenageado se bateu. “Ele lutou para que o poder deixasse de estar distante das pessoas e o poder local pudesse ser a casa democrática da comunidade, que pudéssemos estar aqui a lembrar, a debater, a decidir”.

Ciente do exemplo de resistência, cidadania e firmeza na defesa das convicções de Eduardo Ribeiro, Ricardo Araújo anunciou que a Câmara Municipal de Guimarães vai atribuir a Medalha de Mérito em Ouro a título póstumo ao engenheiro e combatente pela democracia nascido em Gondar nas próximas comemorações do 24 de Junho e atribuir, oportunamente, o nome de uma rua do concelho a Eduardo Ribeiro. “A sua memória pertence às escolas, à comunidade, aos jovens, que devem saber que a liberdade teve riscos”, concluiu.

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