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Guimarães
17 fevereiro 2026
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Filipe Fontes
Opinião \ terça-feira, fevereiro 17, 2026
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Perante a dimensão do ocorrido e dos seus efeitos, cumpre-nos melhor atender quem sofreu (e sofre), quem se magoou, quem foi prejudicado e tudo o mais que, materialmente, foi implicado como dano.

Há muito que se repete que o mundo está estranho e em mudança, gerando, vezes sem conta, e cada vez de forma mais recorrente, perplexidades, surpresas, dificuldades e desencontros, tantas vezes difíceis de superar, outras tantas de sequelas complexas de vencer, outras tantas de alteração do nosso modo de estar e viver.

Ao nível político, a qualidade intrínseca e de exercício de quem representa a comunidade decai proporcionalmente à passagem do tempo, afigurando-se processo inexorável e sem retorno; ao nível social, o confronto ideológico esbate-se num radicalismo, ora conservador, ora liberal, ora socialista, ora marxista, ora “sei lá o quê”, que não resiste a qualquer espécie de diálogo, antes a tomada de posição de quem mais grita ou mais poder detém; ao nível cultural, prolifera a produção e a difusão, mas, em simultâneo, tal não se apresenta acompanhado da capacidade de ler e entender; ao nível social, encontramo-nos no limbo de temas como sexo, vida, migração, redes, ou seja, o que sou, como sou, de onde venho, como estou e até onde vou, vacilando, tergiversando, oscilando, impondo visões e conceitos; ao nível económico, enfrentamos o ensimesmamento do mundo e, quem sabe, uma espécie qualquer de fim da globalização na sua bondade de mais e melhor liberdade, livre acesso e melhores condições; ao nível ambiental, suportamos as consequências de uma natureza dorida e ressentida e a necessidade de ajustar a vida, literalmente de ajustar a vida, abdicando e limitando, pensando no global, agindo localmente, sobrepondo o bem comum ao “meu interesse individual”. E poderíamos acrescer o constante e progressivo (por mais espanto que gere) desequilíbrio da distribuição de riqueza (tanto em tão poucos; tão pouco em tantos!), a assunção da guerra como projecto pessoal e de ajuda egoísta e irresponsável, a permanente ganância pelo vil metal e a afamada, incontornável e insofismável inteligência artificial.

Tanto em mutação e gravidade, tão pouco em crescimento e evolução enquanto comunidade global que se entende entre os seus membros e atende ao que a rodeia.

E, a pretexto de tal, uma derivação e focalização na recente fatalidade climática que assolou o país: as depressões de nome variado que “varreram” o território nacional sem mácula e deixaram rasto e marca de duas evidências: a nossa (in)capacidade de entender e a nossa (in)competência para atender. Ou seja, e de outra forma, a nossa qualidade preventiva e a nossa virtude de remediar e reagir.

É certo que há fatalidades imprevisíveis na totalidade do tempo, modo e dimensão, não podendo ser antecipadas, contidas ou evitadas. Todavia, sabemos sim, ainda mais num tempo que nunca foi tão pródigo e rico em conhecimento, inovação e capacidade técnica, que muitas acções podem ser concretizadas e concertadas antecipadamente, como mitigadoras; muitas decisões que podem ser redireccionadas para a sustentabilidade e compatibilização; muitas opções que devem ser coerentes com o bem natural e muitos actos que podem ser redundâncias e seguros, desejados nunca ser utilizados, mas que nos escudam e salvaguardam. É a chamada prevenção!

Depois, a jusante, perante a dimensão do ocorrido e dos seus efeitos, cumpre-nos melhor atender quem sofreu (e sofre), quem se magoou, quem foi prejudicado e tudo o mais que, materialmente, foi implicado como dano. E tal significa estar dotado de meios e organização para reagir e actuar, estar munido de redes e instrumentos robustos para marcar presença e comunicar, ser organizado e estar estruturado para assegurar abrangência e assertividade. Ou seja, saber acudir e mitigar.

Hoje, a sensação que fica é que entendemos pouco e pouco sabemos atender, acreditando sempre que não há fatalidade que possa chegar e que exija esforço e investimento “que não se vê ou sente”, acreditando sempre que há capacidade inata a todos nós que permitirá sempre superar e ultrapassar…

É recorrente, mas nunca será demais: “oxalá se tenha aprendido a lição!”

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