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Guimarães e os Presidentes da República

Vítor Oliveira
Opinião \ quarta-feira, março 11, 2026
© Direitos reservados
A relação entre o Berço da Nação e os Chefes de Estado é, acima de tudo, histórica, simbólica e umbilical. Por ser a cidade fundadora de Portugal. Mas não só.

Depois de Mário Soares ter iniciado o seu primeiro mandato em Guimarães, em 1986, António José Seguro incluiu uma visita à Cidade-Berço nas primeiras horas da sua estreia como Presidente da República, incluindo o Laboratório da Paisagem no seu primeiro roteiro, no ano em que Guimarães é Capital Verde Europeia.

Há justamente 40 anos, Mário Soares realizou uma marcante Presidência Aberta em Guimarães entre 14 e 18 de setembro de 1986, também logo no arranque do seu primeiro mandato. A visita incluiu discursos na Câmara Municipal, encontros com autarcas e percursos pelas ruas, destacando-se uma visita efetuada à Sociedade Martins Sarmento.

Em 1987 e 1989, Mário Soares viria novamente ao Berço da Nacionalidade, no âmbito de outras Presidências Abertas, tendo pernoitado no Paço dos Duques, Residência Oficial do Presidente da República no Norte do país. Novamente dois anos depois, em 1991, regressou a Guimarães para presidir às comemorações do 24 de Junho de 1128. Na ocasião, há precisamente 35 anos, inaugurou o Salão Nobre da Câmara de Guimarães.

Jorge Sampaio foi igualmente um Chefe de Estado português que sempre manteve uma relação afetiva com Guimarães, de onde era natural o seu Pai, o médico Arnaldo Sampaio, que tem nome de uma rua na nossa cidade, paralela ao Estádio D. Afonso Henriques, no acesso ao Centro de Saúde da Amorosa.

Como Presidente da República, Jorge Sampaio apoiou a instalação do Tribunal da Relação e teve um papel determinante para o sucesso da Capital Europeia da Cultura 2012, presidindo à Fundação Cidade de Guimarães. Era (e continua a ser) reconhecido como um “amigo de Guimarães”.

Já Cavaco Silva, o Chefe de Estado que assistiu à abertura da CEC 2012 na varanda do Restaurante Oriental, no Toural, condecorou a cidade de Guimarães em 2013 com o grau de Membro Honorário da Ordem de Sant'Iago da Espada. No seu mandato, foi a única vez que atribuiu uma condecoração nacional a uma cidade, uma prática que se iniciou em 1919, com a distinção de Aveiro.

Antes de António José Seguro, o mais alto magistrado da Nação a pisar solo vimaranense foi Marcelo Rebelo de Sousa, que esteve oficialmente em Guimarães em três ocasiões nos dez anos que permaneceu em Belém na qualidade de Presidente da República.

Em novembro de 2016, foi o anfitrião dos Reis de Espanha, num jantar que decorreu no Paço dos Duques de Bragança. Em 2019, visitou o AvePark e novamente o Paço dos Duques. E, em 2021, foi distinguido pelo Município de Guimarães com o título de Cidadão Honorário de Guimarães, conferido pela atribuição da Medalha de Honra da Cidade.

Igual distinção tiveram os Presidentes da República, depois do 25 de Abril de 1974. Com uma particularidade. No seu mandato, Marcelo nunca aceitou ser medalhado por nenhuma outra cidade portuguesa. A exceção foi Guimarães, pela relevância histórica de ter sido a cidade fundadora do país.

Antes e depois do 25 de Abril…

Lá atrás, ainda antes da Revolução dos Cravos, em pleno Estado Novo, a Cidade-Berço recebeu a visita do Almirante Américo Tomás, que esteve em Guimarães e em Fafe, a 28 de junho de 1970, no último dia do périplo que nessa altura programou para a região do Minho.

Em 1978, o Paço dos Duques foi também o local de assinatura do “Tratado de Guimarães”, entre Portugal e Espanha. Nesse ano, os vizinhos espanhóis viviam um período de transição da ditadura para a democracia (1975-1978), iniciado após a morte de Francisco Franco, com o Rei Juan Carlos I a ter um papel decisivo na legalização de partidos e na reforma política.

No final desse período, em 1978, foi ratificado o acordo de amizade e cooperação luso-espanhol, que substituiu o Pacto Ibérico assinado em 1939 pelas duas ditaduras da Península Ibérica (Tratado de Amizade e Não-Agressão). A Casa Real de Espanha esteve no Paço dos Duques nos dias 04 e 05 de maio. O Tratado de Guimarães foi subscrito pelo Rei de Espanha (Juan Carlos) e pelo Presidente da República de Portugal (Ramalho Eanes).

Uma última nota. Em 1910, a cidade de Guimarães teve um papel ativo na proclamação da República. Após a queda da monarquia, foi logo instalada uma Comissão Municipal Republicana para governar a cidade, marcando a transição política local. Foi içada a bandeira na Câmara Municipal, no meio de vivas à República, ao exército, à Pátria, ao povo português, com edifícios particulares a hastearem igualmente bandeiras e a iluminarem as suas fachadas.

Esta terça-feira, 10 de março, o Presidente da República, António José Seguro, nas vésperas de completar o seu 64º aniversário, fez questão de assinalar o seu primeiro dia de mandato com uma deslocação a Guimarães, cidade onde tem muitos amigos de diferentes gerações e que visita regularmente há quase meio século.

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