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Guimarães
22 agosto 2026
tempo
18˚C
Nuvens dispersas
Min: 17
Max: 19
20,376 km/h

Eclipses (no plural)

Vítor Oliveira
Opinião \ sábado, agosto 22, 2026
© Direitos reservados
De cabeça no ar, na lua, mas com os pés bem assentes na terra. De preferência.

Durante um eclipse, as pessoas parecem esquecer-se de todos os problemas que têm. É algo momentâneo. Temporário. São segundos.  

Naqueles instantes, a memória eclipsa-se. Em alguns casos, totalmente. Prevalecem os cometas, os corpos celestes, os alinhamentos, a melhor fotografia, os meteoros ou a chuva de estrelas, à noite.

Depois, volta-se à terra, à vida mundana... e nem os óculos nos auxiliam a eliminar a cegueira e a melhorar o que se mantém!

Por cá, as bermas das estradas municipais estão pejadas de vegetação. Algo nunca visto, sobretudo na estrada nacional que liga Guimarães às Taipas, com a maior parte das placas orientadoras e os sinais de trânsito literalmente… ocultados.

É para aquela zona geográfica que os estudantes terão de ir quando a residência universitária do AvePark estiver concluída. Distante dos polos universitários da Universidade do Minho (Azurém e Couros) e do polo do IPCA, que se vai transferir para a Cruz de Pedra, proximamente, com a abertura da Escola-Hotel.

Aqui ao lado, no centro da cidade dos arcebispos, abre agora em setembro uma residência universitária com 786 camas. Um quarto vai custar… 94 euros! Por mês. O valor até parece estratosférico, de outro planeta.

Também não será necessário usar óculos especiais para verificar que, por cá, o centro da cidade está a ficar sem referências de lojas emblemáticas para Guimarães. O Chico das Novidades (Centro Histórico), a pastelaria Clarinha ou a ourivesaria Cunha (ambos no Toural) são exemplos recentes.

A culpa não é do executivo A ou do executivo B. Um Presidente quer sempre o melhor para a sua cidade e, a priori, quer ganhar sucessivamente eleições. A culpa é de quem andou/anda de olhos vendados e de costas voltadas para uma realidade que não é lunática, não se esconde, mas que está a olhos vistos.

A eterna Loja do Cidadão continua no éter. O que devia de ser uma das prioridades para dinamizar o centro da cidade e despertar o comércio de rua continua a não ver a luz do dia. E, aqui bem perto, Fafe (!) inaugurou há dias a sua Loja do Cidadão…

Não há dias, mas há um ano, em plena campanha eleitoral para as eleições autárquicas, anunciava-se que o ramal de acesso na Variante de Creixomil ia arrancar. Os procedimentos administrativos estariam ultrapassados e a obra para descongestionar o trânsito ia brevemente para o terreno.

Irá, um dia.

Talvez se perceba, agora, por que nos disseram para guardarmos os óculos. Afinal, há brevemente novos eclipses no horizonte…

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