skipToMain
ASSINAR
LOJA ONLINE
SIGA-NOS
Guimarães
03 abril 2025
tempo
18˚C
Nuvens dispersas
Min: 17
Max: 19
20,376 km/h

A falta de ética de Luís Montenegro

Rui Antunes
Opinião \ terça-feira, março 11, 2025
© Direitos reservados
Só esta geração de carreiristas partidários, que não tem vida além dos partidos e dos cargos políticos, é que pode achar toda esta situação normal.

 

O desempenho de altos cargos públicos e políticos exige um comprometimento por parte dos titulares muito acima de qualquer função no país. Além do escrutínio a que estão sujeitos, é-lhes exigido elevados padrões éticos e morais, de forma a não comprometer os fundamentos e as consequências das suas decisões. Em particular, o (ex)Primeiro-Ministro está sujeito a vários limites à sua atuação, nomeadamente, a obrigatoriedade de desempenhar as funções em regime de exclusividade.

O caso de Luís Montenegro é por isso surpreendente. Não se compreende como pode uma pessoa desempenhar o mais alto cargo executivo da Nação e manter em atividade uma empresa que era ele próprio. A sede da empresa era a casa do PM, o contacto era o telemóvel do PM. Os clientes sãos os amigos do PM ou autarquias do PSD. Até há bem pouco tempo o único funcionário era apenas ele próprio. A empresa é fundamentalmente a lista de contactos de Montenegro.

Por isso, a indignação generalizada com esta falha ética é mais que justificável. Por outro lado, é lamentável a incompreensão de Luís Montenegro, e de muitos dirigentes do PSD, em particular de Hugo Soares, sobre a necessidade de justificar e a gravidade da situação. Só esta geração de carreiristas partidários, que não tem vinda além dos partidos e dos cargos políticos, é que pode achar toda esta situação normal.

É curioso ouvir dizer que as pessoas estão contra a iniciativa privada ou não querem que os políticos tenham mais vida além da política. Nada poderia estar mais errado. Em primeiro lugar, a Spinumviva não é fruto do espírito empreendedor de Luís Montenegro. É uma empresa muito recente, sem trabalhadores, cujo volume de faturação só é justificado por ter clientes que tem intenção de beneficiar com a proximidade ao poder de Luís Montenegro. Ao saber das particularidades desta empresa, o Montenegro tentou desfazer-se da sua ligação, seja através da cedência ilegal das quotas à esposa em comunhão de bens ou, mais recentemente, aos filhos.

A Ministra da Justiça, por exemplo, ao contrário de Luís Montenegro, tem vida além da política e não se desfez das suas participações empresariais e bens pessoais. Não há qualquer ilegalidade, mesmo que possa ser beneficiária indireta com algumas decisões do Governo.

Toda esta situação poderia ter sido evitada se Luís Montenegro reconhecesse o erro e tivesse encerrado a empresa quando entrou para o Governo. A falta de ética e a obsessão em proteger interesses individuais vai levar o país, mais uma vez, a umas eleições que ninguém queria. Pelo menos, as pessoas poderão votar em quem realmente defende os seus interesses e quer proporcionar-lhes uma vida melhor.

Podcast Jornal de Guimarães
Episódio mais recente: O Que Faltava #93