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Presidente da Câmara sugere área empresarial “com escala” no Vale do Ave

Tiago Mendes Dias
Política \ quarta-feira, outubro 28, 2026
© Direitos reservados
Ricardo Araújo adiantou que essa área capaz de atrair “muito investimento” está a ser discutida com o Município de Famalicão, no discurso de encerramento do Mês da Economia de Guimarães.

O presidente da Câmara Municipal de Guimarães afirmou esta quarta-feira que está a ser congeminada uma área empresarial capaz de atrair investimento com escala, numa articulação entre o município vimaranense e o de Vila Nova de Famalicão.

"Estamos a pensar numa área empresarial no Vale do Ave capaz de atrair muito investimento. A articulação regional entre municípios é fundamental para ultrapassar o desafio da escala. Precisamos de pensamento regional estruturado e capacidade de afirmação ao nível internacional", vincou Ricardo Araújo, no discurso de encerramento do Mês da Economia de Guimarães, durante uma conferência realizada no Paço dos Duques de Bragança.

O autarca salientou ainda o acordo entre as Comunidades Intermunicipais do Ave e do Cávado para a criação da futura Área Metropolitana do Minho como exemplo de cooperação regional e defendeu que o território, especificamente Guimarães, precisa de criar “um contexto facilitador da inovação” e de tornar “mais competitivos” os setores tradicionais para solucionar a produtividade inferior à média nacional.

"Temos de criar condições para o empreendedorismo. Estamos a trabalhar à escala regional para criarmos condições que possam ajudar novos negócios e startups, para se criar um fundo que possa alavancar esses negócios", completou.

De resto, o presidente da Câmara Municipal replicou o discurso de setembro, no Laboratório da Paisagem, a propósito do estudo sobre o panorama económico de Guimarães, que expõe um concelho fortemente exportador “em setores com tradição”, mas com salários médios abaixo das médias nacional e regional, sem convergência ao longo da última década, e um investimento em investigação e desenvolvimento acima da média nacional, mas sem reflexos na aplicação por parte das empresas, que é inferior à média de Portugal.

"Temos definitivamente de aproximar os centros de investigação e desenvolvimento e a academia das nossas empresas. Isso vai permitir às empresas incorporarem inovação, subirem na cadeia de valor e, quem sabe, encontrarem oportunidades de negócio em setores adjacentes", descreveu.

Antes do presidente da Câmara intervir, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-Norte), Álvaro Santos, disse que o Mês da Economia de Guimarães coloca no centro do debate “a capacidade de criar riqueza e de construir oportunidades a partir de diferentes territórios”.

"Iniciativas como esta convidam-nos a olhar para o país com profundidade. O lugar onde uma empresa se instala tem implicações onde um jovem decide viver. É importante que as empresas possam crescer onde as pessoas têm as suas raízes. Guimarães é um local que combina identidade industrial, empreendedorismo e conhecimento”, salientou, reconhecendo que municípios que se articulem podem “ganhar uma escala que os permita chegar mais longe".

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