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Guimarães estuda geminações na América Latina após receber embaixadores

Tiago Mendes Dias
Política \ terça-feira, setembro 15, 2026
© Direitos reservados
Além de Colónia de Sacramento, no Uruguai, a “cidade berço” pode firmar geminações com cidades no México e na Argentina. Araújo frisa importância do espaço ibero-americano nas relações internacionais.

A Câmara Municipal de Guimarães espera que a recente onda de reuniões com embaixadas de vários países se convertam “em trabalho concreto e real”, ao nível da cultura, da história, do património, da economia, que “não fiquem pelo mero protocolo e pela mera celebração de uma assinatura de um documento conjunto”, vincou o presidente da Câmara, após a reunião quinzenal do executivo, nesta segunda-feira.

Sem prejuízo de “fazer geminações e projetos com outros países”, Ricardo Araújo identifica três espaços como prioritários para as relações internacionais de Guimarães: a União Europeia, a lusofonia, de que é exemplo a assembleia-geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), a realizar-se na cidade-berço em 2027, e o mundo ibero-americano.

Além da polémica receção ao embaixador de Israel, Oren Rozenblat, o edifício dos paços do concelho acolheu, na semana anterior, Carolina Ache Batlle, embaixadora do Uruguai, país onde já existe uma cidade geminada com Guimarães, Colónia de Sacramento, Federico Barttfeld, embaixador da Argentina, e Bruno Figueiroa, embaixador do México. No reunião com o representante argentino, discutiu-se a possível geminação com San Miguel de Tucumán, maior cidade do noroeste do país sul-americano, com cerca de 550 mil habitantes, conhecida pela produção agrícola, onde se declarou a independência do país, em 1816.

Já o encontro com o representante do México, onde esteve também Paulo Coelho Lima, empresário da Lameirinho, que é cônsul honorário do país da América do Norte em Portugal, serviu para abordar a eventual geminação com Querétaro, cidade mexicana com um centro histórico classificado como Património Mundial da UNESCO desde 1996, que alia “uma forte identidade histórica e patrimonial a uma economia moderna, marcada pelos setores automóvel, aeroespacial e tecnológico”, lê-se na nota publicada pela Câmara Municipal.

Ricardo Araújo vincou que já há trabalho desenvolvido nesse sentido, mas “há um trabalho que tem de ser feito”, incluindo possíveis missões empresariais e académicas de Guimarães a esses países, até se chegar a um ponto de “maturidade suficiente” para se “concretizarem essas parcerias".

“Queremos promover Guimarães, promover o destino Guimarães, promover Guimarães para ter mais visitantes, mas também para criar relações com essas cidades que se traduzam em relações das pessoas, das instituições e das empresas", disse.

A geminação com uma cidade chinesa também está em equação, após Ricardo Araújo ter recebido o embaixador da República Popular da China, Yang Yirui, em agosto.

 

Ricardo Araújo com a presidente da Câmara de Kaiserslautern, Beate Kimmel © Município de Guimarães

Ricardo Araújo com a presidente da Câmara de Kaiserslautern, Beate Kimmel © Município de Guimarães

 

Previsto intercâmbio cultural com Kaiserslautern

Desde que se geminou com a cidade brasileira de Londrina, em 1987, Guimarães assinou mais 11 protocolos nesse sentido, a maioria deles com cidades europeias, incluindo Kaiserslautern, em 2000. Na primeira semana de setembro, Ricardo Araújo esteve na cidade do sudoeste da Alemanha, a convite da homóloga, Beate Kimmel, para assinalar os 750 anos da elevação a cidade, ato ocorrido em 1276.

Nessa viagem, o presidente da Câmara Municipal de Guimarães teve a oportunidade de realizar uma reunião bilateral com a presidente da Câmara de Kaiserslautern, com a qual acordou um intercâmbio nas áreas cultural, ambiental e empresarial.

“Kaiserslautern tem uma programação cultural muito interessante e vamos ter iniciativas de intercâmbio. Vamos sugerir que alguns dos nossos artistas possam participar nos grandes festivais culturais de Kaiserslautern, e a mesma coisa vai ser feita em sentido inverso. Depois, temos a dimensão da sustentabilidade e do ambiente, áreas em que, sendo Capital Verde Europeia, temos grande responsabilidade. Depois, há a dimensão das universidades, da tecnologia, da inovação e da parte empresarial”, adiantou.

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