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Feira Afonsina estende-se a Donães e à rua Egas Moniz

Redação
Cultura \ segunda-feira, junho 01, 2026
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Alusiva à afirmação do infante Afonso como figura tutelar do Condado Portucalense, a 14.ª edição terá uma área para mercadores ainda mais extensa do que é hábito. Investimento ascende a 300 mil euros.

Antecipada para o intervalo entre 11 e 14 de junho, como o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, já adiantara, a 14.ª edição da Feira Afonsina ocupa os lugares habituais, do Castelo ao centro histórico intramuros, e expande-se para o Largo de Donães e para a rua Egas Moniz – vulgarmente conhecida como rua Nova.

“Todas as associações vimaranenses que apresentaram candidaturas, seja do âmbito da cultura, recreativas e desportivas e obviamente cumprindo os requisitos para participar neste evento, foram aceites. Temos também mais entidades privadas a participar porque o número de espaços dedicados aos mercadores também aumentou”, disse a vereadora municipal para a cultura, Isabel Ferreira, durante a conferência de apresentação do evento, decorrida no Monte Latito esta segunda-feira.

Alvo de um investimento de 300 mil euros, a feira de inspiração medieval desenrola-se neste ano sob o tema “A afirmação do infante”, recuando 900 anos no tempo, até 1126, ano em que a liderança de D. Afonso Henriques no seio do Condado Portucalense começa a emergir, em contraponto à figura da mãe, D. Teresa, aliada com a nobreza galega, e ao primo, D. Afonso VII, rei de Leão.

Os espetáculos alusivos ao tema principal da Feira Afonsina vão decorrer na colina do Castelo adjacente ao Campo de São Mamede, nos dias 11, 12 e 13, às 22h00, enquanto o “Folguedo final”, habitual número de encerramento, acontece a 14 de junho, às 21h30, entre a imagem de D. Afonso Henriques esculpida por Soares dos Reis e o Largo da Oliveira.

De resto, o evento inclui as habituais áreas temáticas num fim de semana antecipado, para não coincidir com a Ronda da Lapinha, celebração religiosa com mais de 400 anos que costuma atrair milhares de pessoas às ruas e que ocorre sempre no terceiro domingo de junho, que, neste ano, corresponde ao dia 21. “Há outras actividades que não podiam ser mudadas, como é o caso da Ronda da Lapinha. Tínhamos pensado realizar a Feira Afonsina nesse fim de semana, mas não podemos mover a Ronda da Lapinha. Por isso, teve que se mover a Feira Afonsina", reconheceu o chefe da divisão de cultura da Câmara Municipal, Paulo Covas.

Para tornar a Feira Afonsina mais acessível, o município vai disponibilizar estacionamento reservado a automóveis portadores de dístico de pessoa com deficiência em vários locais da cidade, casas de banho adaptadas na Rua Serpa Pinto, Largo Condessa do Juncal e Campo de São Mamede, horários de menor estimulação sensorial e transporte acessível para pessoas com mobilidade reduzida.

 

Jornadas Históricas debatem as representações de D. Afonso Henriques

Como é hábito, a Feira Afonsina complementa-se com a realização das Jornadas Históricas. A sétima edição tem lugar na Sociedade Martins Sarmento, a 20 de junho, na qual cinco investigadoras expõem os seus trabalhos relativos ao tema “Afonso Henriques: corpo, imagem e poder”. Raquel Henriques da Silva apresenta "Afonso Henriques segundo o escultor António Soares dos Reis", Lúcia Maria Cardoso Rosas mostra "Restaurar a Nação. Intervenções na arquitectura medieval de Guimarães", Clara Isabel Serrano intervém no âmbito do estudo "Fundar a nação, legitimar o regime: Afonso Henriques na narrativa histórica do Estado Novo", Maria de Lourdes Craveiro apresenta "Afonso Henriques: a centralidade do corpo" e Eugénia Cunha propõe #Estudo Antropológico dos Reis: razões para a sua realização".

Presente na conferência de imprensa, o historiador António Amaro das Neves, indicado pela Câmara Municipal para o Comissariado Nacional dos 900 anos da Batalha de São Mamede, frisou que é necessário distinguir "a história e a memória" e considerou pertinente discutir a figura de D. Afonso Henriques, quando se aproxima uma efeméride que será celebrada a nível nacional, algo que não aconteceu há 100 anos, já que, em 1928, Guimarães assinalou a Batalha de São Mamede com uma missa.

O 24 de Junho só se tornou o feriado municipal de Guimarães em 1974, aliás. Até lá, a cidade-berço comemorava o seu feriado a 8 de junho, em homenagem a Gil Vicente, nome seminal do teatro português, que se diz ter nascido em Guimarães, entre outros locais.

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