PS crê que 80 milhões para metrobus “não vão resolver problemas”
O metrobus – ou BRT – voltou a ocupar a discussão anterior à ordem do dia na reunião do executivo municipal de segunda-feira, com o vereador Ricardo Costa, em representação do PS, a defender que os 80 milhões de euros concedidos pelo Governo para a primeira fase da linha de BRT entre Guimarães e Braga – no caso, garante a ligação entre a cidade de Guimarães e Caldas das Taipas, com ramal para o Avepark – não vão resolver qualquer problema de mobilidade intraconcelhia, por considerar que há troços do percurso onde não será possível haver “linha totalmente dedicada” ao metrobus.
“Esta proposta do BRT não faz qualquer sentido. Com 10% deste valor, requalificávamos a Estrada Nacional 101 (EN 101) e ficava uma ligação perfeita. Este BRT não vai resolver problema nenhum. Deviam ter uma linha totalmente dedicada, mas vai haver troços na EN101 em que não vai ser possível ter linha dedicada. Vamos conflituar com os automobilistas que fazem aquele trajeto diário. Já temos transportes públicos”, disse, após a reunião de Câmara, lembrando que o BRT no concelho de Braga deixou de ser prioridade para o respetivo executivo.
O antigo vereador do desenvolvimento económico, entre 2013 e 2021, e candidato socialista às mais recentes Eleições Autárquicas considerou ainda que essa verba de 80 milhões de euros, consagrada em Diário da República na sequência da resolução do Conselho de Ministros decorrido em Guimarães, em 03 de julho, daria para requalificar a EN 101, para melhorar a circular urbana da cidade, que “é um problema” e para melhorar a mobilidade no sul do concelho.
Em detrimento do BRT, Ricardo Costa defendeu de novo o metro de superfície (LRT) como a opção, a seu ver, mais adequada para o transporte público intraconcelhio e a ferrovia como o meio a privilegiar para ligar os dois centros urbanos mais populosos do Minho. O vereador socialista citou, aliás, um trabalho de 2009 de António Babo, especialista em mobilidade que morreu em 2025, e o antigo secretário de Estado das Infraestruturas, Francisco Francisco, que exerceu o cargo em 2023, para defender a ligação ferroviária, não só garantir ligações mais rápidas de transporte público aos habitantes das duas cidades, como para fechar o anel ferroviário do Minho.
“Braga e Guimarães possuem duas estações terminais. Sejamos capazes de fechar o anel e a rede ferroviária, respondendo a uma melhor articulação a norte e a sul. Independentemente de termos 80 milhões para o BRT, esta ligação não vai contribuir para uma melhor articulação regional. Não queremos que Guimarães seja um apeadeiro com serviços locais. Temos de pensar em como pretendem chegar os vimaranenses a Vigo, a Lisboa ou à futura estação de alta velocidade, em Braga”, acrescentou, defendendo que gerir uma Câmara Municipal vai além de “uma comissão de festas ou de gerir redes sociais”.
O representante socialista comentou ainda a defesa da Área Metropolitana do Minho, que merecedora de um anúncio no dia seguinte, terça-feira, por Ricardo Araújo e João Rodrigues, presidente da Câmara de Braga, lembrando ter defendido essa estratégia em 2020, quando se candidatou pela primeira vez à Federação Distrital de Braga do PS e perdeu as eleições com o incumbente do cargo, Joaquim Barreto.
“Fico contente que, seis anos depois, me deem razão. Fico triste é que tenhamos perdido tempo. Só lamento que mais ninguém tenha defendido isso na altura, por questões de partidarite aguda. Não vi pessoas do PS e do PSD a defender a proposta”, lembrou.