skipToMain
ASSINAR
LOJA ONLINE
SIGA-NOS
Guimarães
02 setembro 2026
tempo
18˚C
Nuvens dispersas
Min: 17
Max: 19
20,376 km/h

Exportações de maquinaria amortecem quedas no têxtil e no calçado

Tiago Mendes Dias
Economia \ terça-feira, setembro 01, 2026
© Direitos reservados
Subida homóloga de 33% no setor durante o primeiro semestre assegurou o crescimento global das vendas ao estrangeiro, pese as quebras de 3% no setor têxtil, o principal setor, e de 8% no calçado.

As exportações de Guimarães encontram-se praticamente estáveis desde 2024, após o pico de 2022 e a descida subsequente em 2023. No primeiro semestre deste ano, as vendas do concelho ao estrangeiro aumentaram 1,3%, para os 756 milhões de euros, graças ao crescimento acentuado da venda de máquinas e de aparelhos, de quase 33%.

Nos primeiros seis meses de 2025, o município havia arrecadado 58,5 milhões de euros nesse setor. No período homólogo deste ano, atingiu os 77,8 milhões, mostram os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e analisados pelo Jornal de Guimarães. A dimensão do crescimento foi tal que elevou as máquinas e aparelhos ao segundo lugar das exportações vimaranenses por setor. Apenas a venda de matérias têxteis, de longe a área de atividade mais relevante em Guimarães, superou esse número.

A venda de têxteis-lar, vestuário e outros produtos do setor ascendeu a 397,8 milhões de euros no primeiro semestre de 2026. Esse valor corresponde, porém, a uma descida de 2,8% face ao período homólogo de 2025 e a uma quebra de 23,3% face a 2022, o melhor ano da história do setor em Portugal – pelo menos, em termos nominais -, em que Guimarães, o maior exportador têxtil do país, obteve 519 milhões no primeiro semestre.

A diminuição das receitas da indústria têxtil na relação com o estrangeiro diminuiu também o peso do setor nas exportações vimaranenses, que, no primeiro semestre deste ano, se fixou nos 52,6%. O setor das máquinas e aparelhos guindou-se ao segundo lugar, perfazendo 10,3% do valor total, acima do ramo do calçado, dos chapéus e de outros artefactos semelhantes, habitualmente a segunda área mais relevante em Guimarães.

 

 

Esse setor tradicional da indústria vimaranense equivaleu a 9,9% das exportações totais, após uma receita de 74,6 milhões de euros. Esse número evidencia uma quebra de 8% face ao primeiro semestre de 2025, em que a receita foi de 81 milhões. Se se comparar as exportações de 2026 com as do primeiro semestre de 2022, a descida é bem mais acentuada, na ordem dos 35%. Nos primeiros seis meses desse ano, as receitas dessa área tinham superado os 114 milhões de euros.

A própria Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APPICAPS) admitiu a recessão homóloga das exportações no primeiro semestre de 2026, embora a uma taxa de 2,1%, inferior a que se verificou em Guimarães e em dois dos principais países concorrentes: Itália (4,3%) e Espanha (7,3%). À Lusa, a associação setorial justificou as descidas com “a desaceleração geral no comércio global de calçado”, já que “os conflitos armados na Ucrânia e no Oriente Médio continuam a afetar a cadeia de valor da moda”.

Já as receitas do setor metalúrgico em Guimarães fixaram-se nos 67 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, tendo registado uma diminuição de 8% face ao primeiro semestre de 2025 e de 27,5% face a período equivalente de 2022.

Entre os restantes setores exportadores, com menor peso em Guimarães, sobressai o comércio de vegetais, que aumentou 21% entre 2025 e 2026, tendo-se fixado nos 34,8 milhões de euros. Desde 2022, o setor cresceu 68%.

 

Podcast Jornal de Guimarães
Episódio mais recente: #131 - O BRT e três projetos interrompidos pelo executivo de Ricardo Araújo