Câmara Municipal espera apoio da CCDR para jardim D. Afonso I e Create
O futuro mais próximo e o futuro mais distante mereceram a atenção do presidente da Câmara Municipal de Guimarães, ao discursar na sequência do “Roteiro pela inovação”, promovido esta segunda-feira pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR Norte). Numa área a céu aberto, em terreno da antiga fábrica do Arquinho, o último dos locais da visita, em vias de se transformar num centro de investigação em engenharia aeroespacial, Ricardo Araújo mencionou a reunião que teve com o presidente da CCDR Norte, Álvaro Santos, e com os vice-presidentes da entidade para apresentar a “visão imediata”, mas também “de médio prazo” para o território que lidera.
Entre os projetos que espera ver apoiados pelo próximo ciclo de fundos comunitários, o Portugal 2040, que irá vigorar entre 2028 e 2034, o autarca salientou a reabilitação do parque D. Afonso I, entre o campus de Azurém da Universidade do Minho e o Campo de São Mamede, com vista à implantação de um jardim botânico, como legado da Capital Verde Europeia, e a plataforma Create, na sequência do estudo de desenvolvimento económico apresentado na passada quarta-feira.
“Queremos ter num espaço concentrada uma apresentação da nossa capacidade de inovação, dos vários centros de investigação e desenvolvimento, dos laboratórios colaborativos que temos aqui em Guimarães. Queremos criar um espaço que seja porta de entrada para as nossas empresas quando precisarem de apoio, de engenharia, de ciência, de desenvolvimento, para resolverem os problemas que identificam e encontrarem soluções. Queremos fazer isto em colaboração com a Universidade do Minho para estarmos sempre na linha da frente”, explicou.
Sem querer desvendar, para já, outros projetos que possam vir a ser contemplados pelo Portugal 2040, Ricardo Araújo assumiu que a Câmara está a trabalhar “num grande projeto de amplificação das zonas de acolhimento empresarial”, que vá além do acréscimo de 161 hectares rumo a um total de 1057 hectares concelhios com esse fim, previsto na revisão do PDM recém-aprovada em reunião de Câmara. A construção de habitação pública é outra das prioridades do executivo, acrescentou.
Após as visitas da manhã ao supercomputador Deucalion e ao data center em construção no campus de Azurém da Universidade do Minho e ainda ao Laboratório da Paisagem, a comitiva formada pela Câmara e pela CCDR Norte passou pelas antigas fábricas do Alto, em Pevidém, e do Arquinho, à tarde. Ricardo Araújo estimou que a fábrica do Alto, em requalificação para acolher a primeira fábrica de satélites óticos em Portugal, deve ser reativada entre 2027 e 2028 e que a obra na fábrica do Arquinho deve terminar no final de 2027. Ambas são financiadas pelo Portugal 2030.
“Não tínhamos a mesma pressão do que com os projetos do PRR. Essa é a verdade. Focamo-nos muito em cumprir as metas estabelecidas para o PRR. Quando este executivo entrou, tinha todas as obras, sem exceção, fora do prazo exigido para conclusão do PRR. Fizemos um esforço muito grande com os nossos serviços, com muita dedicação, para os podermos cumprir”, disse, assumindo que a obra no Arquinho requereu ainda tempo a nível de arqueologia, por se tratar de uma “zona de proteção do centro histórico”.
Obra na antiga fábrica do Arquinho deve estar concluída no fim de 2027 © RFX
Norte 2030 apoia 90 projetos em Guimarães
No rescaldo da visita ao Arquinho, o presidente da CCDR Norte descreveu Guimarães como “um bom aluno”, por ser um caso de “sucesso e boas práticas” na aplicação dos seus fundos comunitários, e adiantou que o Norte 2030, programa operacional de fundos da União Europeia para a região, está a apoiar 90 projetos do município, cujo valor total do investimento atinge os 113 milhões de euros.
“Totalizam um valor aproximado de 113 milhões de euros de investimento total, o que representa 61 milhões de euros de fundo alocado: 45 projetos são de âmbito público. Outros 45 são de âmbito privado. Destinam-se à regeneração urbana, à sustentabilidade, ao conhecimento”, adiantou Álvaro Santos.
O responsável lembrou ainda que Guimarães tem “boa parte do trabalho de casa feito e muita ambição” para “operar uma revolução tranquila” durante o ciclo de fundos comunitários 2028-2034, período sobre o qual o Norte foi a primeira região portuguesa a “lançar o processo de reflexão estratégica”.
Embora já esteja à frente em “muitos indicadores relacionados com a inovação”, a região precisa de “reforçar a ligação entre as universidades, o ecossistema de inovação e a economia real, para que os produtos tenham maior valor acrescentado e maios capacidade exportadora” para, posteriormente, os rendimentos dos cidadãos aumentarem; o salário médio no Norte é inferior à média nacional e, consequentemente, à media da União Europeia (UE). “É isso que nos falta para, no final do dia, os nossos trabalhadores poderem ter um rendimento superior e uma maior qualidade de vida”, assumiu.
Álvaro Santos avisou também que, face à mudança da arquitetura institucional dos fundos comunitários, é preciso atenção ao Fundo Europeu para a Competitividade, já que a UE vai alocar 400 mil milhões de euros a esse fundo, ao qual as entidades científicas e tecnológicas poderão concorrer.