Basquetebol: Vitória de “altos e baixos” encerrou temporada em abril
A versão 2025/26 do Vitória SC na elite do basquetebol português foi capaz de triunfar no reduto da Ovarense, quarta classificada da fase regular da Liga Betclic, por 16 pontos de diferença (91-75) e de perder em casa com os dois últimos da tabela, despromovidos à Proliga; as derrotas com o Vasco da Gama (88-84) e com o Galitos (84-86) marcam uma temporada em que a equipa preta e branca averbou oito vitórias e 14 derrotas. O registo valeu a nona posição, que garantiu a manutenção, mas não o play-off do título, ao contrário da época transata.
“Deveríamos ter feito melhor em alguns jogos que tivemos em casa. O jogo com o Galitos não poderíamos perder e o jogo com o Vasco não poderíamos perder. Esses dois jogos marcam claramente a nossa época", admitiu o treinador Miguel Miranda ao Jornal de Guimarães, no rescaldo da temporada, após o encontro da 22.ª e última jornada, com a Oliveirense, no Pavilhão Desportivo Unidade Vimaranense, disputado no sábado.
O Vitória foi um conjunto que “oscilou entre altos e baixos”, começando a sua 18.ª participação seguida no principal campeonato português com seis derrotas consecutivas e encerrando-a com nota positiva, fruto do triunfo categórico por 84-74 sobre a equipa de Oliveira de Azeméis, quinta classificada. O resultado poderia valer o sexto lugar, caso Imortal, Sporting de Braga e Esgueira perdessem, mas os três adversários diretos venceram, ainda que contra adversários diretos teoricamente mais fortes: os algarvios derrotaram o Sporting, por 64-61, os bracarenses impuseram-se em Ovar, por 74-67, e os aveirenses inverteram uma desvantagem de 13 pontos ao intervalo para levarem a melhor sobre o FC Porto (86-85).
“O que não poderia acontecer era não fazermos a nossa parte e todos os outros resultados serem favoráveis. Aconteceu exatamente o contrário: fizemos a nossa parte e os outros três resultados foram desfavoráveis. Quando chegamos à última jornada com o nosso futuro nas mãos dos outros, pode acontecer", reconheceu o técnico, frisando que o Vitória poderia ter garantido o sexto lugar sem precisar de vencer a Oliveirense.
Miguel Miranda lembrou, contudo, que o sexto lugar seria a melhor classificação desde que chegou a Guimarães, mais ainda numa temporada em que o orçamento “baixou significativamente” em relação a 2024/25. Afinal, o principal objetivo para o campeonato, a manutenção, foi atingido. “Foi assim que definimos a época assim que foi dado o orçamento para a nossa equipa. (…) Com menos dinheiro, era difícil fazer melhor. Ficámos um bocadinho acima do orçamento que temos, mas com a sensação de que queríamos jogar mais um bocadinho”, salientou.
No entender do técnico, a falta de experiência do plantel na Liga Betclic também contribuiu para a irregularidade, numa “época difícil” em que uma das contratações não funcionou – o canadiano Matteus Case foi substituído por Chaunce Jenkins, decisivo para a subida de rendimento do plantel, ao rubricar a segunda melhor média de pontos por jogo entre todos os atletas do campeonato, com 20,2.
Ligado ao Vitória desde a temporada 2021/22, o treinador ainda não sabe se vai continuar no clube, realçando que precisa de se sentar com os dirigentes e de “definir um projeto”. “Temos de definir um plano, caso seja essa a vontade das pessoas responsáveis do Vitória. Mais importante do que eu continuar ou não, é saber para onde queremos ir", adiantou.
Simão Verde: “Estou mais maduro hoje”
Um dos jogadores vitorianos que nunca competira na Liga Betclic antes da temporada 2025/26 é Simão Verde. Natural de Aveiro, o base de 25 anos cresceu para o basquetebol no Clube dos Galitos e no Illiabum, passou pelos Estados Unidos e regressou a solo luso para contribuir para a ascensão do Sporting de Braga à elite, na época transata, antes de rumar à cidade-berço. "Foi o primeiro ano, foi ganhar experiência, crescer como jogador, pensar o jogo de maneira diferente, ter de desenvolver aspetos técnicos e físicos. Há mais contacto. Os jogadores naturalmente são melhores. Sinto que cresci e aprendi. Estou mais maduro hoje", disse ao Jornal de Guimarães.
Autor de 59 pontos, oito deles no triunfo sobre a Oliveirense, 31 assistências e 31 ressaltos, o jogador admitiu que lhe custa não jogar o play-off, algo que, no seu entender, se deve à inconsistência da equipa. "A resposta que demos com a Oliveirense é a prova de que fomos melhorando, numa época em que falhámos bastante e não conseguimos ser consistentes. Tivemos momentos muito altos, tivemos momentos muito baixos, a oscilar bastante. Foi difícil ver o crescimento da equipa por causa dessa inconsistência", disse.