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01 agosto 2026
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A jornada da Feira do Gado: do campo até à cidade

Rodrigo Martins
Cultura \ sábado, agosto 01, 2026
© Direitos reservados
O que também não pode faltar nas Gualterianas é a Feira do Gado e Concurso Pecuário, que regressa neste sábado, no Campo de São Mamede. Esta tradição provém desde as feiras francas criadas em 1452.

O que hoje se celebra como um momento de orgulho regional teve um passado de grandes metamorfoses: desde a sua origem medieval, a feira atravessou séculos de altos e baixos, chegando a ser dada como "morta" pela imprensa vimaranense no final do século XIX, quando ainda havia gado equino. Porém, viria a ser ressuscitada pela Associação Comercial e Industrial de Guimarães em 1906, dando origem àquilo que hoje conhecemos.

Artur Castro, membro da direção da Cooperativa Agrícola Concelhia de Guimarães, com um percurso de 12 anos na instituição, conhece bem o peso desta responsabilidade. Para o responsável, a organização vai muito além da estética. "É uma logística grande, especialmente com o cumprimento das regras sanitárias, que hoje exigem muito mais atenção. Mas é um peso que assumimos com orgulho, porque esta é a montra mais emblemática da nossa região".

No Campo de São Mamede, o foco será a promoção das raças bovinas autóctones: a Barrosã e a Minhota. Embora o número exato de participantes dependa das guias de movimentação emitidas na véspera, a organização espera manter a média das edições anteriores, como em 2025, que contou com cerca de 157 animais a concurso, provenientes de diversas localidades do país.

Para Artur, o evento é vital para os criadores. "É uma forma de divulgar o trabalho árduo que fazem diariamente. É uma montra onde já recebemos compradores internacionais, inclusive de Espanha”.

Quanto à viabilidade da pecuária, foi realista. "Os maiores desafios são os custos. Desde a aquisição de um bom animal, que nem sempre corresponde às expectativas, até à alimentação e maneio, sendo que um bom exemplar só dura até no máximo seis anos. É um setor duro, que exige dedicação 365 dias por ano".

Quanto à renovação geracional, o dirigente reconhece a dificuldade de cativar os mais novos, admitindo que o desinteresse crescente é um desafio transversal à agricultura. "A verdade é que quanto mais pessoas mais velhas desaparecem, o setor fica mais pobre. Há um risco real a longo prazo".

Para quem visita Guimarães, a Feira de Gado é um espetáculo surpreendente. "Muitos turistas, quando nos abordam, ficam surpreendidos. Nunca tinham visto nada assim", conta Artur. O programa termina por volta das 12h30, com a habitual entrega de prémios aos melhores exemplares.

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