Couros celebra três anos de Património Mundial com arte e ciência
A celebração do terceiro aniversário do alargamento da área classificada como Património Mundial da UNESCO em Guimarães à antiga área fabril de Couros motiva um programa com 21 iniciativas em três dias, desde exposições a oficinas, passando pelas visitas científicas, pelas caminhadas e pelos concertos.
A celebração do feito consumado em 19 de setembro de 2023, em Riade, na Arábia Saudita, começa com a exposição “Couros”, na coleção da biblioteca da Sociedade Martins Sarmento (SMS). “A partir do acervo bibliográfico da Sociedade Martins Sarmento, a exposição procura destacar o notável trabalho artístico das encadernações de livros em couro, publicados em diferentes séculos”, lê-se na nota contida no programa. A exposição estará patente até 30 de setembro, de terça-feira a domingo, das 9h30 às 12h30 e das 14h30 às 17h30, com entrada livre.
A sexta-feira conta também com a “Visita Memória” ao Curtir Ciência, para dar a conhecer o edifício da antiga fábrica de curtumes Âncora, de manhã e de tarde, dirigida a adultos, a visita temática ao Museu de Agricultura de Fermentões, às 10h00 e às 15h00, para se conhecer “a importância da indústria de curtumes para o fabrico de diversas alfaias agrícolas, ferramentas e maquinaria de outros ofícios tradicionais”, a iniciativa “A vida na ribeira de Couros”, na qual o Laboratório da Paisagem dá a conhecer a biodiversidade daquela área da cidade, às 10h30, a oficina de postais ilustrados “Couros: memória e futuro”, também por iniciativa do Laboratório, às 17h00, e o “Inspira/Regista/Ação”, à mesma hora, com os participantes a serem convidados “a descobrir o património histórico e natural da zona de Couros munidos de máquinas fotográficas ou dos seus telemóveis”.
O primeiro dia termina com a inauguração da exposição “Pela pele da cidade”, na Microgaleria de Arte Contemporânea da Alameda de São Dâmaso, um projeto da Fuga pela Escada com as obras “Matéria Viva”, da artista visual Soraia Oliveira, “Arquiteturas da Memória”, do fotógrafo Gonçalo Fontes, e “Corpo, Trabalho e Tempo”, do tatuador Daniel Kickflip, às 19h00, e com o concerto “Dar voz às pedras e à água”, cujo variado repertório musical sob a direção artística de Marisa Oliveira servirá de banda sonora para “Rio de Couros”, curta-metragem de 1981 com texto de Santos Simões, às 21h30.
Convite para se “redescobrir a relação entre a água, a pedra e a história da cidade”, o concerto inclui várias obras tradicionais portuguesas e estrangeiras, mas também o “Hino dos Surradores e Curtidores de Couros”, uma composição original.
"Arraial" é a mais recente criação da Outra Voz, coletivo com 16 anos de existência © Outra Voz
Caminhadas, Concerto Co(u)ral e Arraial
O sábado, dia do terceiro aniversário, inicia-se com “Peregrinar das águas”, uma caminhada performativa de quatro horas, desde a sua foz, na confluência com o rio Selho, sob orientação de Rosana Pereira, Bruna Freitas e Sofia Machado, que conduzem momentos de escuta e silêncio, caminhada consciente e movimento, canto coletivo e sonoridades ligadas à água através do barro.
Quem aprecia percursos dispõe de uma outra opção às 10h00, “Da Capela De São Crispim e São Crispiniano às Antigas Manufaturas de Curtumes”, tutelada pela Sociedade Martins Sarmento em área exclusivamente classificada pela UNESCO: Capela da Irmandade de São Crispim e São Crispiniano, Largo do Retiro, Rua Egas Moniz, Alameda de São Dâmaso e Rua de Couros Rua de Couros, Largo do Trovador e Largo do Cidade.
À mesma hora, tem lugar a oficina “Da pele ao couro”, destinada a famílias com crianças dos seis aos 14 anos, no Curtir Ciência, e, pouco depois, o jardim da Fraterna acolhe o início de “Couros Verde: Natureza Escondida no Património Mundial”, uma caminhada de 90 minutos para se perceber a relação entre as árvores, a água, a biodiversidade e a história do território.
A Casa da Memória também participa na celebração, com “Curtir o nosso mapa”, oficina em que os participantes são convidados a elaborar um mapa dos lugares que constam da sua memória pessoal numa superfície de couro, e com o habitual “Receitas de Família”, às 12h30, seguindo-se o percurso “Memórias da zona de Couros”, às 15h00, para dar a conhecer as etapas da produção de couro naquela antiga zona industrial.
A conferência “Dar Voz à água e às pedras – Património e Educação: o papel dos museus na relação com a comunidade” realiza-se às 15h30, no Curtir Ciência, antes do canto co(u)ral se projetar no centro da cidade. Às 17h00, realiza-se o “Percurso Co(u)ral”, uma arruada em que “o património material e imaterial se manifesta em vozes, objetos, sons e movimentos”, com participação do Coro En’Canto, de Guimarães, Corué, de Évora, e do Modern Choir, de Madrid.
A igreja de São Francisco acolhe o “Concerto Co(u)ral n.º1” às 19h30, com participação do Corué e do Orfeão de Guimarães, seguindo-se o “Concerto Co(u)ral n.º 2”, na Igreja de São Sebastião – Domínicas, às 21h30, com o Grupo Coral de Azurém e o Modern Choir.
O domingo reúne uma edição especial dos “Pátios do Bairro”, que se vai desenrolar das 15h00 às 18h00 no Curtir Ciência, com uma instalação artística de José Teibão, uma degustação a cargo de Christian Rullán, chef do restaurante Le Babachris, e a música da harpista Angélica Salvi, a explorar “a relação entre arquitetura, acústica e memória”, e ainda “Arraial”, novo espetáculo da Outra Voz marcado para as 18h00, nas galerias do Teatro Jordão, que se estende por 90 minutos, com músicos da Sociedade Musical de Pevidém, alunos da Academia de Bailado de Guimarães e alunos de português para não falantes da Escola Secundária Francisco de Holanda.