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Vibrar com a cidade...

Filipe Fontes
Opinião \ terça-feira, janeiro 20, 2026
© Direitos reservados
Não há “cidade boa” sem divergência e sem polémica. E isto não é sinónimo de negatividade ou problema quando resulta de coerência, convicção, conhecimento e luta genuína pelo melhor!

Escrevo de supetão, como há muito não escrevia. E escrevo livre, sem estrutura prévia de texto pensada ou intenção delineada e clara na minha mente. Escrevo por impulso, talvez! Mas seguramente, com convicção e sinceridade. E confrontado ou impactado por expressão lida há pouco, muito pouco, em texto jornalístico: “cidade chata”.

Dir-se-á que a expressão não significa novidade, talvez apenas o uso do próprio jargão popular.                  Dir-se-á mesmo que todos nós sabemos ou já experimentamos a consequência desta qualidade consensualmente negativa, “ser chato” e que todos nós já vivemos ou visitamos cidades sensaboronas no seu fervilhar quotidiano e na sua vida urbana entediante.

Novidade é a junção das duas (e a respectiva assunção sem medo do jargão) e, na verdade, fiel ao que é uma cidade sem dinamismo e atenção, uma cidade amorfa e que responde funcionalmente às suas obrigações. É uma “cidade chata” aquela onde nada fervilha e se impacta, onde não se arrisca e experimenta, ousa e capta, antes se verificam e cumprem as obrigações legais e administrativas, onde se prestam os serviços urbanos essenciais infraestruturais e de apoio social, onde se convoca e envolve a população por edital e por inerência, onde se gera (ou se julga gerar) satisfação e “felicidade” através de festas e eventos. Uma cidade assim, sem surpresas e sem capacidade para surpreender e ser surpreendida, ou seja, previsível e adivinhada antecipadamente, é, seguramente, uma “cidade chata”… assim como é uma “cidade chata” quando antecipamos as decisões da edilidade por (mau) hábito e costume e não por opção ou inovação, quando nos acomodamos à fundamentação estereotipada e tipificada, administrativamente regulamentar e não, credivelmente, discricionária, quando tememos que a demora no retorno seja simplesmente “porque sim e mais não conseguimos fazer…”. “Cidade chata” é a síntese de um presente negado ao futuro e um futuro submisso ao passado, produzindo uma actualidade em que tudo se conjuga e nada avança, tudo se desenvolve sem “sair do sítio”.

Tenho para mim que “cidade boa” é aquela que fervilha e arrisca, correndo riscos e cometendo erros, é certo, mas, em simultâneo, conquistando vitórias, potenciando-se, tentando e crescendo, concretizando ideias e ideais, diferenciando-se na resposta às necessidades das pessoas, condicionando as suas vidas e a vida urbana a uma noção de qualidade sempre melhor para todos!

Por isso, quando uma cidade trata da mobilidade, submetendo o carro a um plano secundário e favorece o transporte público, a bicicleta ou o peão em nome de melhor ambiente urbano e relação social; quando uma cidade promove habitação em que conjuga centralidade e densificação, policentrismo e miscigenação, não diferenciando nem estratificando socialmente pela cor e pela materialidade do edificado; quando uma cidade, nestes e noutros campos, como o cultural, o desportivo, o económico, o político, o turístico e demais, mesmo quando comete erros e exageros, conhece dificuldades e omissões, atreve-se a percorrer o seu caminho sem temor, adquire poder de atracção e apelo, capacidade de falar e de ser escutada, potencial de marcação de presença e notoriedade, não pela inevitabilidade, mas pela singularidade!

Na verdade, volta-se a referir, será tudo substancialmente mais arriscado. E o erro e a probabilidade de errar estarão mais próximos. E, assim, alimentar-se-á a divergência e a probabilidade de polémica. Certo! Mas não há “cidade boa” sem divergência e sem polémica. E isto não é sinónimo de negatividade ou problema quando resulta de coerência, convicção, conhecimento e luta genuína pelo melhor! Será problema quando for sinal explícito de inactividade e de actuação amorfa e errática, sustentada, sobretudo, pela preocupação do momento e do medo da crítica.

Num momento em que a habitação lança desafios incontornáveis, o planeamento urbano  se reclama actualizado e revisto, o ambiente assume-se rosto de Capital Verde Europeia 2026 (CEV) e a mudança constitui expectativa política fundada, em Guimarães, nesta cidade berço da nação… que se saiba arriscar e ousar, divergir e polemizar, construindo uma cidade Cosmopolita Vibrante e Enérgica!

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