Sófocles numa citânia do noroeste ibérico
Além de diversas produções teatrais especificamente produzidas no âmbito do evento "Citânia Viva", foram também várias as peças de teatro greco-romano que fizeram da Citânia de Briteiros o palco para a evocação das origens da dramaturgia.
Nos últimos anos, obras como a "Comédia da Marmita", de Plauto, "As Bacantes", de Eurípides, ou a "Electra", de Sófocles, foram ali representadas. E foram, muito possivelmente, pela primeira vez, pois que se Plauto e, muito antes dele, Eurípides e Sófocles, viveram nos mesmos dias em que as ruas da Citânia de Briteiros fervilhavam de gente, os dramaturgos clássicos estavam muito longe daqui, cultural e geograficamente.
Só com a chegada do latim, e vários outros elementos, já na nossa era, é que algum camponês citaniense mais informado terá ouvido falar destes nomes, das estórias que se contavam sobre as comédias e tragédias representadas nas cidades. Terá ouvido falar sobre os atores célebres, sobre as figuras míticas que evocavam e sobre as vidas dos deuses do panteão greco-romano, que por vezes pareciam aparentar-se com os atributos das divindades locais proto-históricas.
Fragmento de pote em cerâmica, decorado com um mascarão, dos séculos I-II d. C., recolhida na Citânia de Briteiros.
Fotografia de Patrícia Aguiar
Quem sabe se a expressiva personagem que hoje sorri para os visitantes do Museu da Cultura Castreja, num fragmento de louça recolhido na Citânia em 1943, e que serve de "mascote" ou inspiração para o evento "Citânia Viva" deste ano, não seria parte de uma recordação dessas personagens da "cultura pop" da época romana?
E é assim que, dando lugar à tragédia, a "Antígona", de Sófocles, será representada na Citânia, no dia 12 de setembro, pelo grupo de teatro Prof e Trolls, em mais uma edição do evento "Citânia Viva".
Mas não teremos apenas teatro clássico, posto que o local "Grupo Citânia" não deixará de fazer reabitar as velhas ruínas com os sempre curiosos e desconfiados indígenas. Também haverá caminhada, interpretação histórica e interpretação da natureza, dança, música e até ioga, procurando assim reviver a velha Citânia de Briteiros.