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Por estes dias...

Álvaro Manuel Nunes
Opinião \ segunda-feira, fevereiro 09, 2026
© Direitos reservados
Perfazem 120 anos que a Marcha Gualteriana saiu à rua, para deslumbre da população vimaranense, certamente a exigir uma atenção especial comemorativa.

Por estes dias recentes, entrou o ano em festa como sempre, barulhento e luminoso, a despeito de não se vislumbrarem grandes motivos para festejar, exceto a soma de mais 365 dias no calendário da vida, o que não é pouco!...

Com efeito, da Venezuela ao Irão, da Gronelândia a Gaza, até à Ucrânia, os sinais de mudança e paz mantêm-se frágeis e ténues, com os donos do mundo e dos negócios chorudos a posicionarem-se e a ditarem regras que transgridem o direito internacional e a violarem os mais elementares direitos humanos. Tudo em nome de uma nova (des)ordem mundial e sofismas estribados em narrativas falaciosas, que têm como pano de fundo o (neo)imperialismo, o ódio e a misoginia e sobretudo o materialismo exacerbado e o poder autocrático.

Entrementes, por cá e entre nós, continuam as mortes por falta de assistência médica atempada e as promessas de reformas sempre procrastinadas e atiradas para as calendas, ou anunciadas apesar de já anunciadas, como é o caso das 275 ambulâncias previstas desde 2023 e que apenas chegarão este verão, obviamente atrasadas ...

Aliás, continua a lógica de casa roubada trancas à porta, tantas vezes sustentadas em premissas de desenrascanço à portuguesa, não obstante a generosa solidariedade da sua população. Efetivamente, é preciso e urgente apostar no planeamento antecipado e articulado e estudar e rever as lições do apagão e incêndios. Com efeito, como aconteceu recentemente com as depressões e as cheias, que surpreenderam pela sua violência, continuam a falhar as políticas de ordenamento do território, a visão sistémica na gestão dos recursos naturais e a prevenção e o planeamento estratégico. De facto, apesar de (im)previsívildade dos fenómenos atmosféricos, exigem-se a montantes medidas estruturais ativas, quer a nível nacional quer autárquico, que permitam minorar a força da natureza pela via da competência e responsabilidade, quer através de atitudes cautelares quer reativas. Posturas políticas, que obviamente passam sobretudo pelas medidas preventivas designadamente quanto à impermeabilização dos solos e destruição de espaços verdes, atenção às zonas de risco e construção de bacias de retenção (veja-se o nosso exemplo das Hortas), entre outras medidas. Providências que passam igualmente pela dotação de geradores em espaços públicos pertinentes e a aposta nas redes elétricas subterrâneas, em alternativa às redes aéreas mais vulneráveis, embora mais baratas. E, definitivamente, se atente com mais rigor às comunicações e se cumpra a Lei de Bases do Clima, que tem muito por cumprir e acionar, após 4 anos em vigor.

Neste dealbar do ano, chegam também notícias no âmbito da execução orçamental do ano findo. Com efeito, pelo que consta, devem-se aos trabalhadores o aumento da receita nos impostos em quase 4,2 mil milhões de euros, enquanto o IRC sobre as empresas caiu 241,5 milhões e no IRS houve mais descontos e menos reembolsos. Além disso, uma receita fiscal que cresce, enquanto o investimento público decresce, questões que como as anteriores merecem as devidas reflexões.

Questões e desafios aos quais se acrescentam matérias polémicas como o pacote laboral, contestado nas ruas, bem como as lutas em áreas de crise como a justiça, a habitação e a defesa.

Porém, o principal acontecimento do início do ano foram as eleições presidenciais de 18 de Janeiro, com 11 candidatos na corrida, cujos resultados foram os que sabemos: uma vitória segura de Seguro, que congregaria votos do centro e esquerda; a fragmentação da direita e o esvaziamento da candidatura do PSD; a ascensão de novos grupos políticos; e a manutenção dos votos da direita radical e populista, cujo chefe se autoproclamou como novo líder da direita.

Seguro, que seguramente também venceria em 51 das 55 freguesias do concelho vimaranense, escapando-lhe apenas a Costa para Cotrim de Figueiredo, Vermil para Marques Mendes e ainda duas uniões de freguesia para André Ventura, concretamente Atães/Rendufe e Briteiros S. Salvador/Santa Leocádia.

No entanto, como sabemos, os resultados conduziram o sufrágio presidencial à 2ª. volta, como ocorrera há 40 anos atrás, em 1986, aquando da disputa entre Mário Soares e Freitas do Amaral, que na altura elegeria Soares com presidente.

Desta feita, um frente a frente entre Seguro e Ventura, que culminaria com uma vitória seguríssima do primeiro contendor, expressivamente votado por 66,82% dos votantes (3438789 votos) contra 33,18% do opositor (1685949 votos). Um triunfo que se saldaria ainda pela supremacia de Seguro em todas os distritos, bem como a maior votação de sempre de uma candidatura no decurso das presidenciais. Obviamente, uma vitória que concede ao novo Presidente eleito uma legitimidade reforçada perante os compromissos que serão expectáveis.

Igualmente, um sucesso de Seguro em Guimarães, nesta segunda volta, que se saldou ainda na conquista de todas as freguesias concelhias com 60,43% de opções de voto contra 30,57% do seu adversário André Ventura, ou seja, 63.072 contra 27.777 de votos. Ademais, uma conquista que igualmente se verificaria em todos os concelhos do distrito de Braga.

Mas, 2026 é igualmente um ano com algumas outras conquistas, em especial no desporto e particularmente no andebol, com o 5º. lugar no Europeu, conquistado pelos nossos “Heróis do Mar”. Uma modalidade que, como sabemos, tem ao leme gente da casa: na presidência da federação Miguel Laranjeiro e o no recinto de jogo o capitão e central Rui Silva, campeão na eficácia do passe.

Registe-se ainda no ciclismo de pista a proeza de Iúri Leitão, medalha de ouro no Europeu, na prova de omnium e o 2º. lugar no Europeu de futsal. Na realidade, um ano que desportivamente começa bem e que pode trazer novos sucessos no Mundial de Futebol, no próximo Verão.

Além disso, um ano pleno de efemérides, como entre outras os 50 anos da Constituição de 1976 e da adesão de Portugal à CEE. Lembremos ainda que é o ano de centenário do golpe militar de 28 de Maio de 1926 que instaurou a ditadura militar e posteriormente o Estado Novo. Um período que acarretaria várias perdas para a cidade-berço como a retirada da cidade do Regimento de Infantaria 20 e a sua banda musical, tão acariciadas pela população local, assim como o início do processo de extinção dos cursos complementares do liceu.

Igualmente, perfazem 120 anos que a Marcha Gualteriana saiu à rua, para deslumbre da população vimaranense, certamente a exigir uma atenção especial comemorativa. Recorde-se ainda que, a curto prazo, e no âmbito dos 125 anos, que seria de refletir sobre a obtenção de uma área museológica específica para a Casa da Marcha, para albergar o seu valioso espólio, tantas vezes destruído por falta de espaço adequado nas instalações de trabalho atuais

Em Guimarães, por seu turno, nesta mudança de página do calendário, sobressai sobretudo o lançamento da Capital Verde Europeia, uma conquista protuberante decorrente do mandato anterior. Um objetivo lançado no decurso do espetáculo “Raízes do Futuro”, que conciliaria história e memória e contaria com a presença e presidência da Ministra do Ambiente. Obviamente, o tiro de partida para esta maratona que visa acima de tudo melhorar a qualidade de vida e reforçar a competitividade do concelho. De facto, mais relevante que os arrebatamentos circunstanciais será certamente o trabalho de casa criterioso que o Laboratório da Paisagem tem estrategicamente preparado e posteriormente a sua sementeira no terreno, com a adesão da comunidade.

Com efeito, um trabalho rumo ao futuro que se iniciaria ainda pela presença na cidade-berço do Ministro das Infraestruturas e da Habitação e subsequente apresentação do estudo do Metrobus Guimarães-Taipas (1ª. fase), que a Câmara de Guimarães almejaria estar em execução até ao final do atual mandato, uma vez que a mobilidade sustentável constitui uma das prioridades essenciais do devir.

 

Mais verde será nossa cidade                          Ecovia verde pr’a sustentabilidade

Que respirará o verde da Penha                     Sinal verde, semáforo à vista,

Urbe que aspira à mobilidade                          Guimarães, berço da nacionalidade,

E inspira o verde como senha.                         É berçário de nova conquista

 

Pois se até verde é o nosso vinho                   Pois se verde é a nossa bandeira

E o caldo verde tem cá tradição                      Verde a cor da nossa esperança

De facto, não há outro caminho                      Será mais verde a nossa Oliveira

Senão fé no verde, como salvação.                 Lenda de milagre e da mudança.

 

Esperanças verdejantes e promessas ainda verdes que o encontro com o poder central outrossim traria à liça em relação a outros constrangimentos, como a requalificação e novas ligações de alguns eixos rodoviários, reforço da oferta ferroviária de longo curso e a habitação, desideratos e anseios que esperamos (sentados) saiam dos planos e dos papéis das intenções para as obras no terreno.

No entanto, confinado às muralhas que rodeiam Santa Clara, a Câmara Municipal acabaria por

postergar algumas obras importantes previstas no mandato anterior e reverter a eventual adjudicação do pavilhão da EB 2,3 da Escola João de Meira e ampliação da EB/Secundária Santos Simões. Situações certamente decorrentes de acertos pontuais, nomeadamente financeiras, que esperamos sejam rapidamente (re)equacionadas, por serem relevantes.  

Outrossim, não podemos deixar de referir a “guerra” de comunicados publicados na imprensa local, entre a presidência camarária e as oposições socialista e comunista, a propósito dos 100 dias de exercício camarário, quando a procissão ainda vai no adro e o vira minhoto nem sequer entrou no terreiro...

Mas, de facto, em que ficamos? Nos “100 dias sem novas novidades “e “anúncios sucessivos e já conhecidos em formato de campanha”, como respondem os comunistas? Ou nos “cem dias, sem ideias, que correspondem a projetos aprovados, financiados e lançado durante a governação do PS”, como afirmam os socialistas?

Efetivamente, a nosso ver, quiçá não seja em bico de pés que se dança o vira, nem em sessões de fotogenia na imprensa, à laia de “presidências abertas”, ditas de política de proximidade ...

Ressalta ainda, neste dias entre os Reis e o Entrudo, a  nível cultural, a habitual realização anual do Festival Internacional de Dança Contemporânea - Guidance, que este ano trouxe o regresso da coreógrafa Olga Roriz;  e, logo a seguir,  mais um aniversário de nascimento de Raul Brandão, habitualmente evocado no Festival Húmus, que este ano coincide com o centenário de duas obras suas: “A Morte do Palhaço e o Mistério da Árvore” e “As ilhas Desconhecidas”, obra-prima da nossa literatura de viagens.

Na literatura, de destacar ainda escritor vimaranense Pedro Chagas Freitas que se mantém no topo literário e pelo segundo ano consecutivo irá receber, nos finais de Fevereiro, o Prémio Cinco Estrelas, uma distinção de marcas, serviços e produtos que tem por base avaliativa o grau de satisfação dos consumidores. Um prémio que, acima de tudo, marca o alto grau de receção e acolhimento das obras literárias do autor, de temática intimista e reflexiva, ligada aos sentimentos humanos.

Marcante é ainda a presença empresarial vimaranense na Heimtextil, feira international de têxteis-lar, em Frankfurt, que este ano contou com a presença de 34 empresas concelhias entre os 46 participantes nacionais

Mas, sobretudo, realça-se a proeza proeminente do Vitória Sport Clube na (re)conquista do castelo de Leira, em 10 de Janeiro (leia-se Taça da Liga), pelas forças vitoriosas dos conquistadores, que sob a liderança do rei D. Afonso Henriques, tal como em 11135, preto no branco, tomaram o burgo aos mouros e inscreveram nos anais da cidade e da coletividade desportiva mais um troféu (Campeão de Inverno), a juntar à Taça de Portugal  (2013) e à Supertaça (1989).

Assim ficam orbi et urbi as incidências, por estes dias...

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