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23 março 2026
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O "hic" marca o local

Gonçalo Cruz
Opinião \ segunda-feira, março 23, 2026
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A consulta do manuscrito original revelou, como noutros casos já, que existia informação não publicada na Revista.

A personagem histórica, e mítica, de Viriato, esteve no centro de algumas atividades desenvolvidas pela Sociedade Martins Sarmento, na recente comemoração do dia 9 de Março. Inserida na temática do novo volume da 9 Revista de Guimarães Júnior – "Ídolos" – sendo Viriato um dos ilustres retratados, a palestra apresentada pelo Professor Amílcar Guerra fez um balanço dos conhecimentos existentes sobre esta curiosa figura, fazendo também uma atualização da leitura que hoje se faz do fenómeno de Viriato e dos Lusitanos. A sua projeção histórica está também exemplificada na pequena exposição documental que a SMS mantém patente na sua sede.

Procurando associar este tema à habitual mostra "Um mês, uma peça", evocámos um outro Viriato, quiçá mais factual que o histórico, pois que dele nos chegou epigráfica evidência: um filho seu, de nome Caturo – ou Caturão – imortalizou o nome dos dois numa das muitas velhas pedras da Citânia de Briteiros, no século I da nossa Era. Seria Caturo mais afeito às seduções da romanidade do que o seu pai, para recorrer à escrita latina? Ou será que esta ainda cá não tinha chegado, nos dias de Viriato, "o de Briteiros"?

Seja como for, e é esse o objetivo da colocação em destaque desta peça, ela testemunha uma aparente uniformidade linguística do Ocidente da Ibéria, entre os enigmáticos e complexos falares da Idade do Ferro. É disso exemplo a dispersão de nomes como "Viriato" e "Caturo", dos montes do Noroeste, aos plainos da atual Estremadura espanhola.

Croquis feito por Martins Sarmento, marcando o local de recolha da epígrafe de Caturo

A preparação da peça, porém, revelou uma boa surpresa. Das muitas inscrições citanienses - todas elas latinas - que se guardam no Museu Martins Sarmento, poucas são aquelas das quais se conhece a localização exata original. Era precisamente o caso desta, sobre a qual dizia Sarmento, em 1880, no diário publicado posteriormente na Revista de Guimarães, que estava "do lado mais ocidental do tabuleiro". Demasiado vago.

Porém, a consulta do manuscrito original revelou, como noutros casos já, que existia informação não publicada na Revista. De facto, um providencial croquis mostra a localização exata do achado! E, com ele, da casa de Caturo, filho de Viriato. E se, na Arqueologia cinematográfica, o "X" marca o local, em Sarmento o local foi marcado com uma cruz, acompanhada de um "hic" ("aqui"). Haverá forma mais personalizada de registo?

A epígrafe de Caturo, filho de Viriato, estará em destaque na SMS até ao fim de março.

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