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Março - mês de Raul Brandão

Álvaro Manuel Nunes
Opinião \ terça-feira, fevereiro 17, 2026
© Direitos reservados
Numa altura em que, à colação das cheias e tempestades, se fala em mais organização e articulação, não seria de ouvir potenciais intervenientes?

Março é o mês de Raul Brandão (1867-1930), nascido a 12 deste mês e anualmente celebrado no âmbito do Festival Húmus, geralmente na Biblioteca Municipal Raul Brandão e em Nespereira. Desta feita, porém, programa evocativo decorrerá no Centro Cultural Vila Flor, que, segundo a vereadora da cultura, Isabel Ferreira, se bem entendo, poderá ser um ano de transição, uma vez que “os eventos culturais devem evoluir. Queremos olhar para Húmus com sentido crítico, perceber o que deve ser acrescentado, o que pode ser reformulado”.

Nada contra, bem pelo contrário!

Com efeito, nada temos contra algumas práticas, ainda que por vezes excessivamente sujeitas ao supermercado da cultura. Subscrevemos inclusive o envolvimento das escolas e a participação infantojuvenil, situações que devem ocorrer no âmbito dos projetos educativos atempadamente programados.  Por exemplo, não seria possível abordar “Portugal dos Pequeninos” (1930), obra infantojuvenil, que escreveu em parceria com a esposa Maria Angelina; ou até, adaptá-la a Banda Desenhada?? Não seria plausível no Dia dos Namorados tratar as “Cartas a Maria Angelina” e/ou “Um Coração e uma Vontade”, de autoria de Maria Angelina?  Não seria factível, no contexto das Nicolinas, evocar “A Farsa” (1903), especificamente o texto “Cucúsio”, sobre essa posse memorável das festas estudantis e da cidade? Obviamente, uma cena que, na nossa opinião, bem merecia um simulacro cinematográfico, à luz dos archotes, com a Câmara Municipal à frente, como soía nesses tempos, nos inícios do século XX.

Outrossim, não seria aceitável divulgar Raul Brandão na sua relação com Guimarães, nomeadamente através do livro “Raul Brandão e(m) Guimarães”, apresentado em 2018 na Biblioteca Raul Brandão, que supomos consta das bibliotecas escolares concelhias?

Entendemos ainda que se deve dar asas à criatividade, o que exige uma visão prospetiva. Cremos também que, sempre que possível, se deve acompanhar os tempos e as efemérides brandonianas circunstanciais ocorridas. Outrossim, trabalhar de forma coordenada, articulada e em rede numa perspetiva de médio prazo, o que nem sempre acontece nesta cidade.

Especifiquemos:

Em 2026, por exemplo e sem prejuízo do tratamento global do autor, não seria de focalizar a ação em duas obras centenárias de Raul Brandão, concretamente a “A Morte do Palhaço e O Mistério da Árvore” e ainda “As Ilhas Desconhecidas”, que pessoalmente estou a abordar na UNAGUI. Não seria também de lembrar Raul Brandão no âmbito da I República, nomeadamente a partir das suas “Memórias II” (1925), tendo em conta o 28 de Maio de 1926, que instaurou a ditadura militar e acarretou grandes perdas para Guimarães.

Ou ainda, a propósito do centenário do nascimento de Luís de Sttau Monteiro e o pioneirismo do teatro épico em Portugal, tratar a peça dramática “Felizmente há Luar” (1961), tendo como referência a obra brandoniana “A Conspiração de Gomes Freire”, em 1817, notável visão dos prenúncios da Revolução Liberal de 1820, que devidamente documentada, inspiraria o citado texto teatral dos anos 60.

Por seu turno, em 2027 (ainda vamos a tempo) e na perspetiva da propalada evolução critica formulada, não seria de ter em linha de conta que perfazem 100 anos da publicação de mais duas obras brandonianas: os textos dramáticos “Jesus Cristo em Lisboa”, em parceria com Teixeira de Pascoaes, seu grande amigo e vizinho de Amarante; e ainda “Eu sou um homem de bem”, publicado na revista Seara Nova.  Será que é possível mobilizar os diversos grupos amadores concelhios e/ou de cariz municipal para este desiderato?   Aliás, recorde-se, no próximo ano, perpassam também 130 anos do casamento de Raul Brandão em Nespereira, a 11 de Março de 1897, o que certamente suscitaria uma interessante recriação. E data ainda deste ano o segundo retrato de Raul Brandão, agora acompanhado da esposa Maria Angelina.

Numa altura em que, à colação das cheias e tempestades, se fala em mais organização e articulação, não seria de ouvir potenciais intervenientes?

Ficam algumas ideias, certamente a ajuntar a outras emergentes...

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