Mais IPSS ou mais cooperação?
O debate sobre a criação de novas instituições de solidariedade social numa mesma freguesia trouxe à tona uma reflexão necessária sobre a melhor forma de responder às necessidades da comunidade. Num contexto de recursos limitados e desafios crescentes, coloca-se a questão essencial: será mais eficaz criar novas estruturas ou reforçar a cooperação entre as que já existem? O caminho não passará antes por reforçar e valorizar as instituições que já existem, que têm provas dadas e prestam serviços essenciais à comunidade.
O Centro Social e Paroquial de Ponte é, há 26 anos, uma referência de proximidade, competência e solidariedade. A solidez da sua experiência, a qualidade da sua equipa, a experiência acumulada, o seu trabalho junto das famílias, sobretudo na área da infância, os protocolos firmados com a Segurança Social fazem deste Centro uma estrutura com reconhecida capacidade para expandir respostas sociais.
Há vários anos que esta instituição manifesta interesse em transferir-se para as instalações da antiga escola EB1 da Igreja, desativada após a abertura do novo centro escolar. O edifício, hoje com pouca utilização para a área que dispõe, poderia, com pequenas obras de adaptação, acolher novas valências, como uma Creche e um Berçário, colmatando uma carência sentida por muitas famílias. A questão impõe-se: porque razão continua por concretizar uma solução que parece tão lógica e vantajosa para toda a Comunidade?
Este impasse não deve servir para apontar dedos, mas para procurar convergências. Em matéria de solidariedade, dividir para reinar nunca é solução. A cooperação entre entidades é, e deve continuar a ser, a base de um desenvolvimento social equilibrado e sustentável. Quando cada instituição faz o melhor que pode, e o faz de forma coordenada, todos ganham, sobretudo as famílias e as crianças que aguardam respostas que sejam céleres e eficazes.
O exemplo do Centro Social demonstra que há vontade, experiência e capacidade no terreno. O espaço existe. A necessidade é evidente. Falta apenas vontade de diálogo, esse bem tão simples e, ao mesmo tempo, tão transformador. Se há um objetivo partilhado entre todos, ele só pode ser um: servir o bem comum. E isso faz-se melhor quando deixamos de lado o que separa e nos concentramos naquilo que realmente une. Este impasse não serve ninguém. Pelo contrário, só reforça a sensação de perda de oportunidades, de recursos e, sobretudo, de confiança. Se existe um espaço que pode ser reaproveitado e uma instituição pronta a agir, talvez o passo que falta seja apenas conversar e construir pontes, não paredes.
Chegou o momento de transformar boas intenções em soluções concretas. É precisamente por isso que se impõe retomar o diálogo, agora com uma verdadeira vontade de cooperação e espírito de compromisso. A Câmara Municipal de Guimarães, enquanto entidade próxima das dinâmicas locais, está numa posição privilegiada para apoiar o diálogo entre as partes, promovendo um entendimento que valorize o bem comum e o interesse da comunidade. Em tempos em que tanto se fala de proximidade e cooperação, unir esforços é o único caminho sensato. Quando as instituições trabalham de mãos dadas, ganha a comunidade, ganha a Vila de Ponte e ganha Guimarães. É isso que se espera e, sobretudo, é isso que Ponte merece.
Em tempos que tanto invocam a palavra “cooperar”, não há caminho mais sensato do que unir esforços. Quando as instituições caminham lado a lado, quem ganha é a Comunidade.
Mais do que multiplicar siglas e estruturas, o tempo pede cooperação, missão partilhada e visão de futuro. Porque, no fim, importa menos quem faz. Importa muito mais que o bem seja feito. Com justiça. Com competência. E com espírito comunitário.
António Rebelo Ferreira