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Mais IPSS na mesma freguesia: um problema ou uma oportunidade?

Maria José Martins
Opinião \ quinta-feira, fevereiro 12, 2026
© Direitos reservados
Não se trata de substituir, nem de dividir. Trata-se de somar, de complementar e de garantir que ninguém fica sem resposta.

Sempre que surge a criação de uma nova Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) numa freguesia, sobretudo nas áreas da infância, da ação social ou do apoio à comunidade, a pergunta coloca-se quase de imediato: faz sentido haver mais do que uma IPSS no mesmo território?

A resposta exige serenidade, conhecimento da realidade local e, acima de tudo, sentido de responsabilidade.

As freguesias mudaram. Mudaram as famílias, mudaram os ritmos de vida e mudaram as necessidades sociais. Hoje, muitos pais e mães vivem numa constante corrida contra o tempo, tentando conciliar trabalho e vida familiar. Ao mesmo tempo, aumenta o número de pessoas idosas que necessitam de apoio próximo, humano e contínuo. Estas são realidades concretas que não se resolvem com discursos, resolvem-se com respostas eficazes.

Perante este cenário, o verdadeiro problema não é existirem mais instituições. O problema seria não existirem respostas suficientes para quem precisa.

Importa compreender que as respostas sociais não são todas iguais. Cada instituição nasce com uma missão própria, procurando responder a necessidades específicas e a diferentes fases da vida. Essa diversidade não fragiliza o território, fortalece-o. Permite soluções mais ajustadas, mais próximas e mais humanas.

Hoje é particularmente evidente a importância de reforçar respostas como o berçário e a creche, fundamentais nos primeiros anos de vida das nossas crianças. Muitas famílias vivem com ansiedade à procura de vaga para os seus bebés, tentando compatibilizar horários de trabalho com cuidados essenciais. Garantir estas respostas na própria freguesia significa dar estabilidade às famílias e segurança às crianças.

Da mesma forma, a resposta de lar para idosos assume uma relevância crescente. O envelhecimento da população é uma realidade incontornável. Ter essa resposta em Ponte significa permitir que os nossos idosos permaneçam perto das suas raízes, da sua comunidade e da sua família, com a dignidade e os cuidados que merecem.

Ter mais do que uma IPSS numa freguesia não significa divisão. Significa reforço da capacidade de resposta, maior cobertura social e uma rede comunitária mais sólida, desde o berço até à terceira idade.

As IPSS não surgem por acaso. Algumas resultam de associações que ao longo dos anos foram dando resposta consistente às necessidades da população. Outras nascem com projetos estruturados e objetivos claros, cumprindo todos os requisitos legais para responder a carências identificadas. Em ambos os casos, o essencial é a sua utilidade social, a seriedade do projeto e o benefício concreto para a comunidade.

As Juntas de Freguesia têm aqui um papel determinante. São quem conhece o território, as famílias e as situações mais sensíveis. Essa proximidade não é apenas institucional, é humana.

Enquanto Secretária da Junta de Freguesia de Ponte, mas também enquanto mãe, vivo esta realidade com particular sensibilidade. Conheço as preocupações de quem precisa de uma vaga para o seu bebé. Compreendo a angústia de quem procura um lar digno para os seus pais. Não falo apenas de estruturas, falo de pessoas e de necessidades reais.

Em Ponte existem IPSS que desempenham um trabalho relevante e meritório, que deve ser reconhecido. Mas as necessidades evoluem e exigem reforço. Se existirem projetos sérios, responsáveis e comprometidos com o bem comum, outras IPSS podem e devem surgir.

Não se trata de substituir, nem de dividir. Trata-se de somar, de complementar e de garantir que ninguém fica sem resposta.

Concentremo-nos no essencial: as pessoas. Trabalhemos juntos, enquanto comunidade, para que no mais curto espaço de tempo o berçário, a creche e o lar sejam uma realidade plena em Ponte. Porque mais importante do que quem é a instituição, é que os problemas sejam resolvidos.

Se colocarmos Ponte acima de qualquer interesse individual, estaremos a construir uma vila mais forte, mais solidária e mais preparada para o futuro. E é com esse espírito de união e responsabilidade que continuarei a trabalhar todos os dias.

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