skipToMain
ASSINAR
LOJA ONLINE
SIGA-NOS
Guimarães
23 fevereiro 2026
tempo
18˚C
Nuvens dispersas
Min: 17
Max: 19
20,376 km/h

Do compromisso à prática: os primeiros 100 dias do Executivo Municipal

Pedro Ferreira
Opinião \ segunda-feira, fevereiro 23, 2026
© Direitos reservados
Governar é isto: optar, estabelecer prioridades e decidir, mesmo tendo em conta os compromissos já assumidos pelo executivo anterior.

Nos primeiros cem dias de um mandato, percebe-se mais do carácter de quem governa do que das ações concretas que realiza. Acredito que esta perceção seja já notada por muitos vimaranenses. O assinalar simbólico dos primeiros 100 dias existe precisamente por isso, não serve para avaliar obra feita, porque nenhuma transformação estrutural se realiza em três meses, serve para perceber o rumo, as prioridades e a forma de governação de quem assumiu responsabilidades. E, nesse plano, os sinais em Guimarães são evidentes, mesmo para quem os procura negar.

Há uma forma diferente de trabalhar, uma maior abertura, decisões mais explicadas, uma presença mais próxima e uma sensação de transparência e disponibilidade que não passa despercebida a quem acompanha a vida pública local. E esta não é uma leitura partidária. É uma questão de estilo de governação e de relação entre o poder municipal e os cidadãos. Mais do que perceções, há factos políticos objetivos que tornam difícil sustentar a narrativa, recentemente repetida pelo Partido Socialista, de que estes 100 dias foram “sem ideias”.

O exemplo mais claro está no Orçamento Municipal. O novo executivo não estava obrigado a apresentar o orçamento no prazo em que o fez. Poderia, legitimamente, ter recorrido às prerrogativas legais para solicitar mais tempo, invocando a necessidade de adaptação, de estudo ou de transição. Não o fez. Apresentou um orçamento em tempo recorde, e isto não é um detalhe: é um sinal político claro de preparação, de visão e, acima de tudo, de sentido de urgência. Ademais, é um orçamento que já inclui, de forma concreta, medidas assumidas em campanha eleitoral. Não se trata de intenções vagas ou declarações genéricas, são decisões materializadas no documento oficial, com opções ao nível do IRS e do IRC que refletem, de forma inequívoca, o compromisso assumido perante os vimaranenses. Uma vez mais, por muito que o Partido Socialista se esforce para transparecer o contrário, os factos não mentem.

Dizer que este é um “orçamento de continuidade” é ignorar um princípio de governação, seja ela local ou nacional: o orçamento é, porventura, o documento com mais conteúdo político de qualquer executivo. É onde se tornam claras as opções políticas, de que forma se alocam os recursos, que prioridades se assumem e que rumo se pretende seguir. E, neste caso, as escolhas feitas estão alinhadas com os compromissos apresentados em campanha. Houve concentração de investimento naquilo que o executivo considera mais estruturante e prioritário para o concelho, mesmo que isso implique adiar intervenções como o acesso à via do Avepark ou a requalificação da Avenida D. João IV. Governar é isto: optar, estabelecer prioridades e decidir, mesmo tendo em conta os compromissos já assumidos pelo executivo anterior. É isso que começa a notar-se: uma aposta clara em determinados projetos e um adiamento consciente de outros. Haverá sempre divergências políticas, mas o que se vê é coerência com o programa apresentado e uma intenção de dar direção ao mandato desde o primeiro momento.

Outro exemplo relevante é a afirmação do projeto do Metrobus, não apenas como futura infraestrutura de mobilidade, mas como uma opção política clara e assumida desde o primeiro momento. A mobilidade foi um dos temas centrais da última campanha autárquica, e a candidatura do Partido Socialista defendia uma solução diferente, apostando num modelo de metro ligeiro de superfície, mesmo quando técnicos e especialistas da área afirmaram que o Metrobus seria a solução mais exequível do ponto de vista financeiro e mais rápida de implementar. O novo executivo decidiu avançar por esse caminho e, nestes primeiros 100 dias, o Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, deslocou-se a Guimarães para participar na apresentação do projeto, evidenciando que esta é uma prioridade real e não apenas uma intenção programática. Mais do que uma obra, trata-se de uma escolha estratégica sobre a forma como o concelho se vai organizar e ligar nos próximos anos.

É neste contexto que a crítica de que o executivo está “sem ideias” se torna particularmente difícil de sustentar. Não estamos perante opiniões subjetivas, leituras partidárias ou perceções vazias. Estamos perante decisões concretas tomadas em poucos meses, que revelam uma linha de pensamento coerente, uma estratégia definida e uma vontade clara de afirmar uma nova dinâmica à gestão municipal. Pode haver discordâncias políticas, o que é natural e saudável em democracia, pode haver visões diferentes, o que é legítimo. Mas confundir discordância com ausência de ideias é um erro de análise que pouco contribui para a qualidade do debate público.

O que estes 100 dias demonstram é que há uma mudança na forma de governar Guimarães: um executivo que se apresenta mais aberto, mais próximo e, acima de tudo, mais focado em decisões rápidas e alinhadas com os compromissos eleitorais assumidos. Não se trata de elogiar nem de defender, trata-se de reconhecer que, efetivamente, em apenas três meses, já é possível identificar sinais de um novo rumo. E isso é algo que qualquer cidadão atento consegue perceber, independentemente da sua posição política.

Podcast Jornal de Guimarães
Episódio mais recente: #131 - O BRT e três projetos interrompidos pelo executivo de Ricardo Araújo