Crónicas dos dias que passam
Entre ondas de calor, Julho trouxe os incêndios como era de esperar e tentativas de “privatizar” praias, lá para as bandas da Arrábida. Entretanto, o Verão avança entre controvérsias e avisos à navegação de Alberto João Jardim e Passos Coelho, perante as vagas agitadas na costa e erosão das falésias. De facto, Jardim afirma que “Passos Coelho e Montenegro são aves da mesma plumagem (...), concluindo que” é preciso fazer qualquer coisa no PSD” . Por seu turno, Passos Coelho regressa aos tiros de sniper, criticando o executivo por realizar nomeações na Administração Pública semelhantes ao PS e o funcionamento da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CReSPA), bem como ao ritmo lento das reformas, defendendo a viabilidade de fazer o Chega embarcar no “barco governativo”.
Um barco em que alguns marinheiros desejam navegar noutros mares, obrigando o arrais a manter-se a bordo, auto-prescindindo do gozo de férias ...
Todavia, por cá a festa continua, ora vestida de branco, ora colorida como o Rock no Rio Febras, na qual 35 mil festivaleiros são esperados num evento solidário, feito por voluntários da Casa do Povo de Briteiros. Ademais e igualmente sucedem-se os anúncios, como a primeira praia fluvial certificada na Zona de Recreio e Lazer do Vaqueiro, na União de Freguesias de Souto de Santa Maria e S. Salvador e Gondomar e a formalização do protocolo para a requalificação do Jardim D. Afonso I, que ligará o Centro Histórico, a Universidade do Minho e a Colina Sagrada, que contemplará uma área florestal, um jardim botânico e novas zonas de lazer. Uma iniciativa que esperamos dê também azo a articular a Capital Verde Europeia com os 900 anos da fundação da nacionalidade e Batalha de S. Mamede. De facto, porque não acrescentar nesse corredor verde memórias e evocações históricas e culturais, solicitando aos artistas vimaranenses a expressão da sua criatividade? Camões, Fernando Pessoa ou Manuel Alegre, que abordam a Batalha de S. Mamede, D. Afonso Henriques e a “primeira tarde portuguesa”, poderão dar voz poética às mãos dos artistas ...
Em simultâneo, na via do verde e de fazer o que ainda não foi feito, aluda-se ainda ao anúncio da via ciclável entre a rotunda do Reboto, em S. Martinho de Candoso e a vila de Pevidém, ao que consta a estar concretizada dentro de ano e meio. Anúncios a que acrescem a designação de Guimarães como Capital da Cultura 2027 da euro-região do Eixo Atlântico e o financiamento da 1ª. fase do Bus Rapid Transit (BRT), entre Guimarães e as Taipas, aprovado no decurso do Conselho de Ministros, ocorrido no Paço dos Duques, em 3 de Julho. Curiosamente, um assunto de acesa polémica na reunião camarária de 20 de Julho entre o vereador socialista Ricardo Costa e o presidente da edilidade Ricardo Araújo, que divergem em matéria de soluções em matéria de mobilidade regional entre a ferrovia e o MetroBus . Porém, uma situação que Braga parece não alinhar, em especial numa 2ª. fase do projeto do MetroBus até esta cidade, não obstante o encontro do fronteiriço da Falperra, recentemente levado a cabo entre ambos os autarcas apontar no caminho da colaboração, através da criação de uma Área Metropolitana do Minho.
Outrossim, um Conselho de Ministros que indicaria ainda Paulo Portas para a presidência do Comissão Nacional das Comemorações dos 900 da fundação, deliberação que mereceria algumas críticas e que, segundo o deputado socialista e vimaranense Paulo Lopes Silva, sobre a qual “ficariam mais dúvidas do que certezas”. Efetivamente, uma resolução que não indica orçamento, assim como a duração do mandato, anteriormente balizado a 31 de Janeiro de 2029. Igualmente, uma decisão que surpreenderia com anúncio do alargamento das comemorações à Batalha de Ourique (1139) e Tratado de Zamora (1143). Com efeito, a 1ª. resolução de Fevereiro determinava a circunscrição das comemorações aos 900 anos da Batalha de S. Mamede, a ter lugar a partir de 24 de Junho de 2026 e criava o Comissariado Nacional das Comemorações com a Assembleia da República, Câmara Municipal de Guimarães e Sociedade de História da Independência de Portugal (SHIP).
No entanto, sempre atento aos problemas de Guimarães, destaca-se ainda a interpelação do deputado Paulo Lopes Silva ao Ministério da Cultura sobre o financiamento do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) “aproximando-o dos níveis de apoio atribuídos a instituições congéneres de Lisboa e do Porto”, que no âmbito dos equipamentos resultantes das três Capitais Europeias da Cultura realizadas em Portugal, penalizam o burgo vimaranense.
A nível nacional, por seu turno, a constatação do crescimento populacional para 11,4 milhões, dos quais cerca de 1, 6 milhões de estrangeiros com impacto positivo na Segurança Social e impacto na economia, são a novidade, que obviamente irá exigir mais investimento. Com efeito, depois do Pacote Laboral chumbado no exame final da concertação social e a nível parlamentar, mais broncas estouram no terreno! Desta feita, o caos da correção dos exames nacionais do ensino secundário, que dão acesso o ensino superior e ao futuro dos jovens, de moldes a prolongar a ansiedade dos estudantes e das suas famílias e a suscitar sérias desconfiança quanto à sua credibilidade e equidade, que a já anunciada época especial de exames em Setembro corrobora e visa mitigar.
Um problema a que se ajunta o caso ou casinho do tanque/piscina do Ministro da Administração Interna, a que se atrelou um outro atrelado, numa empreitada digna de espanto, que até pode levar para a cova a operação PACOBA!
Mais um caso que corre mal, tal como os exames nacionais, que tem acarretado constrangimentos para os estudantes e as suas famílias e às próprias escolas, cuja condução política por parte do governo, quer nas falhas quer nos diz e desdiz e no habitual passa culpas e bugalhadas intercaladas com pedidos de desculpas à mistura, se transforma numa evidente embrulhada, no jeito peculiar de sacudir a água do capote e falta de atempadas soluções consensualizadas e alternativas, que ultrapassem as medidas esporádicas de tapar o sol com a peneira e/ou dourar a pílula, ou ainda a reduzir a bagunça a “erros residuais”, prolongados à laia de novela mexicana, como o documentam as recentes situações de recálculo das notas Físico-Química e Geografia -A .
Razão tinha Voltaire quando afirmou que “os homens erram, os grandes homens confessam que erram” ... Mas, ao que parece, segundo Montenegro, “o pior já passou” ... Curiosamente, em Guimarães, pouco ou nada sabemos do que se passou, pois, o assunto parece não ter sido notícia ...
Concomitantemente ocorrências negativas que viriam grosso modo a acontecer quase em simultâneo com o debate do Estado da Nação, no qual um Primeiro-Ministro, arrogante e com pitadas de cinismo q.b., pintou a manta com cores de laranja, numa espécie de fuga para a frente, destacando o mérito das suas “reformas” (porque praticamente só suas) e algumas desinformações. Cite-se, por exemplo, a afirmação que “batemos o recorde da captação e atração de investimentos diretos estrangeiros em 2025”, quando na realidade foi o valor mais baixo desde 2020, o ano da pandemia. Subiu isso sim, o investimento estrangeiro em imobiliário, que não era tão alto desde 2008 ...
Mas, porém, todavia, contudo, a perceção do estado da nação não é coincidente com a visão popular, como do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica expressa. De facto, esta sondagem indica que o país está pior do que estava há um ano e que os problemas principais são a saúde, o custo de vida/inflação e rendimento disponível e a habitação entre outros, cujas “reformas” não se vislumbram satisfatoriamente no terreno, nem ganham forma positiva. Realmente, vemos, ouvimos e lemos (e não podemos ignorar) que este país envelhecido está abaixo da média europeia em camas nos hospitalares, em especial para cuidados continuados, enquanto a demora de respostas leva os doentes com cancro morrer sem terem acesso aos cuidados paliativos. Ainda, em matéria de saúde ou falta dela, as notícias que o Serviço Nacional de Saúde falha todas as suas metas. Efetivamente, segundo um trabalho académico do Business School Adam Smith da Universidade de Glasgow, conduzido pelo economista João Pedro Martins, orientado por Francisco Goiana da Silva, a reforma de Janeiro de 2024 “não alcançou as melhorias previstas para uma maior sustentabilidade financeira (...) e revela um aumento nas despesas sem melhoria correspondentes ao acesso e na capacidade na eficiência produtiva”. Uma situação que explicam os citados, não obstante a reforma estar bem desenhada, se deve a circunstâncias deficientes de implementação, designadamente o facto de não houve estabilidade nas equipas e ter sido decapitada a cabeça e amputados os braços da reforma, em especial na má escolha do seu general, que consideram um académico com poucas competências interpessoais e ausente do terreno ... No fundo, a doença crónica dos jobs for tjhe boys, and girls ...
Ainda, em matéria de habitação, destaque-se também que o Conselho de Ministros aprovou um pacote de medidas (mais um), que não agrada nem a gregos nem troianos, ou seja a senhorios e a inquilinos. Na realidade, dito para dinamizar o arrendamento, afirma-se que, entre outros pressupostos, “agiliza” os despejos por incumprimento reiterado dos inquilinos, descongela as rendas de contratos anteriores a 1990, salvaguardando maiores de 65 anos com rendimento anual inferior a 64.400 euros. Paralelamente, procede à liberalização dos contratos de arrendamento, prevê a exigência de três rendas antecipadas (em vez de duas), sem limite de caução, bem como a possibilidade de recusa do senhorio da renovação automática do contrato de arrendamento.
Entretanto, novas rendas sobem acima da média do país em 25% dos grandes concelhos, inclusive Guimarães, que neste lote se situa no sexto lugar com a mediania e novas rendas subir acima do crescimento de 9,1%, verificado nos primeiros três meses.
Situações a que acrescem suspeitas de ilegalidades imobiliárias, como na construção do Hotel Hilton, em Cascais, sob investigação do Ministério Público, a falta de água em Almada e os habituais e os oportunistas anúncios e fugas para a frente, como o do futuro Aeroporto Luís de Camões, para 2029/2035, sem financiamento público, mas com contrapartida da ANA da exigência da sua concessão até 2092.
Entrementes, pelo mundo, é de destacar os 250 anos da Declaração da Independência dos Estados Unidos da América, proclamado em 4 de Julho de 1776, em Filadélfia, que marca a corte com a colonização e a monarquia britânica, abrindo caminhos à democracia, não obstante toda a caminhada neocolonialista construída sob o esclavagismo e o genocídio dos indígenas. Um país que, além de atualmente deixar muito a desejar quanto aos valores democráticos e geopolíticos, albergaria ainda, conjuntamente com o México e Canadá o Mundial de Futebol de 2026, que teve como justo vencedor a Espanha, a nação à qual o super-ego de Trump se quis juntar ao palco dos vencedores, resultando num consequente cartão vermelho sem perdão de Infantino, ao contrário do atribuído ao avançado norte-americano Balogun. Um espetáculo que, consta ainda, na abertura do mercado de inverno, poderá levar à transferência de Gianni Infantino da FIFA para a ONU, com aval e beneplácito do amigo Trump, substituindo o português António Guterres.
Quanto a nós, já tudo foi dito e esperemos futuramente os milagres de Jesus, quer na Liga das Nações, quer no Euro 2028 e no Mundial de 2030, a jogar em Marrocos, Espanha e cá em nossa casa.
Futebol que a nível nacional regressa também em início de Agosto, logo após as Gualterianas, antecedidas da Assembleia Geral do Vitória, a 24 de Julho, para a votação do orçamento 1926/1927 ...
O regresso da festa do futebol (novo ópio do povo) que nos faz ainda recordar não só os 60 anos do Mundial de 1966, em Inglaterra e o nosso terceiro lugar, mas também a reviravolta no jogo Portugal-Coreia do Norte (5-3), com 4 golos de Eusébio.
Ainda, a terminar, uma palavra final para Luís Represas que fisicamente nos deixou recentemente, mas que nos legou a sua voz e música como herança perene, como “Timor” e “alguém que nos faz falta/Ahhh, saudade“...