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Conflitos e desastres

Gonçalo Cruz
Opinião \ sexta-feira, abril 17, 2026
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O tema do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios de 2026, é consequência do infeliz regresso da guerra ao nosso quotidiano e aos desastres naturais que temos verificado.

No que toca a situações de conflito humano e desastres naturais, o Património Cultural pode considerar-se uma vítima silenciosa. Em circunstâncias em que vidas humanas, ou infraestruturas básicas, estão em risco iminente, não há habitualmente lugar para a proteção dos bens culturais, mesmo quando uma coisa não invalida necessariamente a outra. Veja-se a espoliação do Museu Nacional do Iraque, depois da invasão americana de 2003, ou, na atualidade, a destruição parcial do Palácio Golestan, em Teerão.

As destruições ou saques intencionais, e as situações em que cheias, terramotos ou incêndios também afetam o Património Cultural, são o tema do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios de 2026, como consequência do infeliz regresso da guerra ao nosso quotidiano e aos desastres naturais que temos verificado. Neste caso, em Portugal, com os incêndios do verão e as tempestades do inverno, uns e outras cada vez mais violentos.

E por muito que tenhamos a convicção de que a destruição de sítios arqueológicos, o desaparecimento de peças ou o impacto visual sobre monumentos, se continuem a dever em grande parte à ação humana intencional, em atos criminosos*, geralmente desculpabilizados pela ignorância ou pela negligência, os rigores dos eventos climáticos são também um fator considerável de degradação.

Gravuras do sítio rupestre da Bouça da Miséria, por onde passa a Rota da Citânia

E é neste sentido que, no Dia dos Monumentos, iremos percorrer o PR2 Rota da Citânia, onde, entre outras coisas, iremos falar sobre o impacto dos incêndios sobre sítios arqueológicos, bem como os efeitos da ausência de gestão das florestas. A iniciativa é da Sociedade Martins Sarmento e do Agrupamento de Escolas de Briteiros, cujos professores, funcionários, alunos e pais, têm estado envolvidos em várias iniciativas no âmbito da Capital Verde Europeia, Guimarães 26. O ponto de encontro será às 9h30m do dia 18, junto ao Museu da Cultura Castreja.

 

Gonçalo Cruz

* O famoso RASI, por exemplo, apenas contempla o furto e tráfico de bens culturais.

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