CAPITAL VERDE EUROPEIA…
Diz-se que devemos ser o que fazemos e não o que dizemos, mas que, tantas vezes, deixamos que o que é dito se sobreponha ao que é feito e, assim, somos ar e vento, e não tanto pedra e cal.
“Capital verde europeia” é título que Guimarães incorpora em 2026 e de cuja conquista se vangloria. Para muitos, resulta da acção contínua e esforçada iniciada há anos. Para outros, objectivo alcançado com mérito e por mérito, mas ensimesmado. Outros há que entendem encontrar apenas valor relativo neste título. A todos, julga-se, o mesmo título não deixa indiferentes.
Independentemente do grau de assertividade e justeza desta designação (que não é objectivo nem âmbito do texto em causa), entende-se justo reconhecer que o título – e todo o trabalho que o precede – revela o mérito de se ter feito presente o tema da dita sustentabilidade, do afamado ambiente e das inegáveis alterações climáticas no quotidiano da urbe local, tornando-o indisfarçável e incontornável. Dir-se-á, resultou tão inevitável abordar e enfrentar – por tão falado e propalado – que gerou um protagonismo (muito) dificilmente mitigável, rasurado ou eliminado.
Todavia, este mérito (por si só) não se revela holístico nem capaz de resultar na sua abrangência, totalidade e eficácia. Poderá ser um primeiro passo incontornável e necessário, mas “apenas” o primeiro passo de um caminho longo, complexo e demorado.
Como tal, “capital verde europeia” assume particular atenção, podendo ser afirmação e confirmação de pretexto, oportunidade e, sobretudo, processo.
Pretexto no sentido do foco e da atenção, de “meta criada” e rastilho para mais e melhor forçar e motivar, atingir e superar necessidades e objectivos. De alguma forma, gerando um artificialismo bom de protagonismo e energia que, pese toda a sua bondade, se esgota em si mesmo.
Oportunidade como momento fundador e fundamental de uma vontade e de um trabalho projectado, longo e partilhado, complexo e desafiante, que só poderá ser vencido e produzir bons resultados se convicto e coerente, convicção e coerência passíveis de síntese e reflexo genuíno no título em causa: capital porque exemplo; europeia porque cosmopolita e aberta; verde porque certa no seu equilíbrio entre a construção humana e o bem natural.
Processo porque caminho contínuo, perene, irreversível, feito de passos sucessivos e articulados, direccionados e convergentes para um fim que todos, sem excepção, entendam identificar, abraçar e desejar. Processo que garanta que este título não é avulso nem efémero, não é capricho nem vaidade.
Capital verde europeia é tudo isto e pode ser muito mais. Mas também corre o risco de ficar aquém e de vir a ser o que ninguém deseja que seja. Acredita-se que o título não é acaso e que reflecte (independentemente da sua eventual errância, contradição, inconsistência, valor…) esforço e caminho. Este é o seu grande desafio, esta é a sua grande exigência: ser capaz de gerar acção consentânea com o discurso e, assim, ser o que se faz e não o que se diz… tudo depende de todos. Sem excepção, porque, afinal, não há Capital sem pessoas…