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Guimarães
14 abril 2026
tempo
18˚C
Nuvens dispersas
Min: 17
Max: 19
20,376 km/h

Caminhar…

Filipe Fontes
Opinião \ terça-feira, abril 14, 2026
© Direitos reservados
Guimarães conheceu período longo de crescimento e afirmação nos vários contextos territoriais, nacional e internacionalmente.

“Não há Capital sem pessoas…” Foi assim que o último texto foi concluído. Leio agora (numa entrevista a Mário Laginha) que “as pessoas, no mundo todo, são conservadoras porque é aquilo que nos dá um certo conforto e que reconhecemos, e isso faz sentido – integra-nos de certa forma. Porém, o mundo anda para a frente graças àqueles que são suficientemente desassossegados para quererem experimentar outras coisas”. E sei que tudo isto encerra uma mistura nem sempre equilibrada de medo – porque ousar e crescer significa romper com limites e pisar chão nunca calcorreado – e de superação desse medo – muitas vezes feita de temerosa precaução, de voluntarismo exacerbado e irreflectido.

Na verdade, tudo conjugado, verifica-se que o caminho se faz de pessoas e da sua capacidade de serem, ora individual, ora colectivamente, mais do que conforto estável e previsível, mais do que objectivo potencialmente bom, mas risco desconhecido.

Guimarães vive momento particular, dir-se-á, grave e consequente. Independentemente do que poderia ter sido e não foi e do que foi muito para lá do expectável, Guimarães conheceu período longo de crescimento e afirmação nos vários contextos territoriais, nacional e internacionalmente. Conheceu momentos únicos e, talvez, irrepetíveis, como a Capital Europeia da Cultura 2012. Depois, e independentemente de leituras divergentes e não consensuais, conheceu período distinto de afirmação e consolidação, para muitos, processo de estagnação e contraste, o qual terá contribuído decisivamente para o momento de mudança que, hoje, o município regista ao nível da sua gestão e administração, mas também, a oportunidade de viver novo momento único e, talvez, irrepetível: Capital Verde Europeia.

Ao viver este momento, Guimarães precisa da sábia conjugação do atrás exposto: das pessoas, fundamentalmente, de todas as pessoas e da capacidade de superação da tendência conservadora e de conforto, arriscando, ousando e experimentando, sem perda de um constante (mas frágil) equilíbrio que a história legada e herdada ensina e fundamenta.

Precisa desta sábia conjugação para aproveitar o momento e transformá-lo em verdade, bondade e utilidade.

Precisa desta sábia conjugação para fazer desta oportunidade confirmada de mudança e caminho percorrido algo melhor, arriscando e tentando!

Não se sabe se conseguirá (e não há futuro adivinhado, nem magicamente conhecido) ou se atingirá o objectivo. Ou se precisará de corrigir, voltar a tentar, alterar, ficar, desviar, regressar para avançar. O que se sabe é que, sem tentar, sem romper os limites e experimentar aquilo que acrescenta e adiciona, a probabilidade de “ser melhor do que foi” se desvanecerá e todos, sem excepção, ficarão aquém das suas expectativas, em contraponto com uma frustração perturbadora e de dimensão não desejada.

Por isso, importa avançar, escolhendo caminho, focando no combustível central, conectando em ligando tudo e todos, arriscando e concretizando. Não será viagem fácil nem calma, pacífica nem relaxada, mas, sem ela, permanecerá “tudo” no mesmo sítio, lugar e tempo, não o “tempo de horas e minutos” feito de segundos que se sucedem inexoravelmente, mas o tempo da oportunidade e da vontade. Assim se saiba caminhar!

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