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Vitrus Talks: aterros perto do limite com escassa separação das embalagens

Tiago Mendes Dias
Ambiente \ quinta-feira, maio 07, 2026
© Direitos reservados
Sessão sobre comunicação ambiental deixou alertas e também incentivos à separação dos resíduos, capítulo em que Guimarães está aquém da média nacional, apesar de também produzir menos lixo.

Diante de uma plateia composta por imensos alunos dos cursos de marketing, comunicação, relações públicas e publicidade, a sessão da Vitrus Talks realizada na quarta-feira versou sobre o fenómeno da comunicação ambiental, discutindo o seu impacto em ações como a separação dos resíduos.

Na praça coberta do Instituto de Design de Guimarães, um dos problemas ambientais mencionados pelo painel moderado por Paulo Machado foi o quão perto estão os aterros em Portugal de chegar ao seu limite, devido à insuficiente separação das embalagens. “Se colocamos esses resíduos no sítio errado, vamos contribuir para que os aterros fiquem mais cheios, em vez de reintroduzir esses materiais na economia. Portugal está no 21.º lugar da União Europeia na reciclagem das embalagens. Não atingimos o objetivo de reciclar 65% até 2025 e estamos muito longe dos 70% até 2030", alertou Ana Santiago, da equipa de comunicação da rede Electrão.

Responsável por gerir três sistemas de reciclagem – equipamentos elétricos, pilhas e baterias e embalagens –, a rede Electrão dirigiu a primeira campanha de sensibilização e comunicação para os equipamentos elétricos e lançou uma mais recente para as embalagens, até pelo “momento de emergência nacional”.

Já Marisa Nobre, diretora de marketing e de comunicação da Empresa Geral do Fomento, responsável pelo tratamento e valorização de resíduos em 60% do território nacional, para “dar nova vida ao lixo separado”, admite que “comunicar ambiente não é fácil”, porque inclui a dimensão informativa, mas também a dimensão persuasiva, para “transformar as ações das pessoas”.

"Sempre que cada um de nós, dentro dos seus meios, faz o possível, o impossível torna-se possível. Digo na brincadeira que vendo comportamento. Sou responsável pelo lixo que produzo, por o colocar no sítio certo, para garantir que elas entram no respetivo fluxo de reciclagem”, salientou.

 

“É altura de termos paixão pelo planeta”

Também presente na Vitrus Talks, o escritor Pedro Chagas Freitas, lido por milhares de portugueses, defendeu que é preciso “olhar para o ambiente como um ato de empatia, um ato de amor”, evitando o fenómeno da “adultice”, no qual as pessoas se “levam muito a sério”, como se “fossem o centro do mundo”.

“A criança tem um sentido de justiça. O adulto vai ficando robotizado. A criança está mais perto do que é ser humano na sua essência", sublinhou.

O vimaranense considerou que os erros cometidos na separação de resíduos provêm da falta de empatia para com o trabalho de outros e pela falta de paixão pelo planeta. A questão aqui é o que eu posso fazer para facilitar a vida do outro? É altura de termos paixão pelo planeta. O sentimento de pertença ao planeta é essencial. Temos de amar o planeta e não de o ver como produto. As pessoas não estão tão apaixonadas pelo planeta como deviam", prosseguiu.

Antes das intervenções do trio, o presidente do conselho de administração da Vitrus, Alexandre Barros da Cunha, salientou que “a alteração de comportamentos é central para a gestão dos resíduos”, esclarecendo que, em Guimarães, a população produz menos resíduos do que a média de Portugal, estando alinhada com a média europeia, mas separa 10% a menos do que a média do país. “É uma grande ajuda não produzir o resíduo. Mas depois é preciso separar os residuos, porque 90% deles são reaproveitáveis. Separamos 10% a menos do que a média do país. Há trabalho a fazer", disse.

Também o vereador municipal com o pelouro do ambiente interveio. Para Alberto Martins, Guimarães trilhou um “caminho brilhante” na comunicação ambiental rumo ao estatuto de Capital Verde Europeia, mas ainda há trabalho a fazer. "Há trabalho a fazer nos resíduos, mas Guimarães tem feito um trabalho eficaz em semear este cuidado com a ambiente para as gerações presentes e futuras", frisou.

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