Vêm aí “jogos de tripla” para o Vitória B prosseguir a sua evolução
A competitividade na Série A da Liga 3, em que a distância entre o Vitória B, primeiro classificado, e o Fafe, sétimo classificado, foi de cinco pontos é uma circunstância que também vai marcar a fase de subida do terceiro escalão, considera o treinador Gil Lameiras. Em declarações aos meios do clube, o timoneiro dos “bês” vitorianos diz que é precisamente isso que quer para prosseguir a evolução dos seus jogadores rumo a uma eventual promoção à equipa principal.
“Houve uma competitividade tremenda na Série A. É isso que também podemos esperar na fase seguinte, com adversários de muita qualidade, como já pudemos observar. Esperamos jogos de tripla, com muita ambição de toda a gente. Vão ser jogos difíceis. É isso que queremos. Chegar à equipa A não é fácil. Queremos preparar os jogadores com a máxima competência para depois se estrearem no D. Afonso Henriques”, realçou.
A fase de subida arranca nesta sexta-feira, reunindo as quatro equipas apuradas da Série A – Vitória B, Amarante, Trofense e Varzim – e as quatro formações qualificadas da Série B – Belenenses, Mafra, Académica e União de Santarém. A equipa de Guimarães é uma das intervenientes do jogo de abertura, ao deslocar-se ao reduto da Académica. “Vai ser um jogo de altíssima competitividade, com muita qualidade, com duas equipas a quererem ganhar. Ditou o sorteio que o primeiro jogo fosse na Académica de Coimbra. É esse jogo que nos vai preparar para, mais à frente, sermos melhores”, acrescentou Gil Lameiras.
Convencido de que as equipas da Série B, mais a sul, também já se acostumaram a uma competitividade intensa, o técnico avisou que as expetativas das oito formações em competição são agora “altíssimas”, fruto da possibilidade de ascenderem à Segunda Liga. “Vamos jogar jogos em que todos querem ganhar. Não que as equipas da Série A não quisessem ganhar, mas agora há uma expetativa maior por estarem numa fase de apuramento de campeão”, perspetivou.
O treinador, de 31 anos, pede, por isso, que, na fase decisiva da época, os adeptos preparem ainda mais os jogadores para os desafios, até para, um dia, quando eventualmente jogarem no D. Afonso Henriques com a camisola preta e branca não sentirem “uma coisa estranha”. “Sei que os adeptos vão encher a nossa academia. Gostaríamos que também enchessem os estádios fora, apesar dos esforços que já fazem no dia a dia. Sei que vão corresponder”, sugeriu.
“Não apostamos em jogadores de forma impulsiva”
Além de projetar a fase de subida da Liga 3, o treinador examinou, ao de leve, o seu trajeto no Vitória, em curso desde a temporada 2015/16, e o trabalho na equipa B, iniciado na época 2024/25, que viria a ser coroada com a subida do Campeonato de Portugal à Liga 3. Tal como nessa época, o Vitória B não começou bem o seu regresso à Liga 3, com apenas duas vitórias na primeira volta, mas rubricou uma segunda metade de série, com seis triunfos, um empate e duas derrotas que o catapultou para o topo da tabela. Gil Lameiras realça que “tudo leva o seu tempo”, principalmente numa equipa “muito restruturada” face a 2024/25, pela subida de alguns elementos à equipa principal e pela saída de outros. Mesmo durante a presente temporada, vários jogadores foram já chamados ao plantel treinado por Luís Pinto, mas a equipa B soube sempre adaptar-se.
“Temos de arranjar sempre soluções. Foi dessa forma que olhámos sempre para este tipo de situações. Nem sempre preparámos o jogo com todos os jogadores, mas conseguimos encontrar soluções para sermos competitivos e dignificarmos o emblema que usámos. Não tivemos problemas nenhuns em lançar jovens de 17, 16, 15 anos, ou em lançar o jogador mais velho do plantel. Há critérios que têm de seguir. Mais do que tudo, sabemos que quando demos oportunidade foram eles que mereceram”, frisa.
Gil Lameiras salienta que “ninguém deu nada” aos seus jogadores; foram eles que, através do seu esforço, trabalharam para ser “melhores do que eram ontem” e para conquistarem objetivos. “O facto de o Vitória ter apostado muito em jovens nos últimos anos não faz com que tenhamos de apostar em todos os jogadores de forma impulsiva. É preciso trabalhar muito, porque a oportunidade demora muito a surgir”, lembra.