Segurar três preciosos pontos com o complicómetro ligado
Quando soou o apito final de Pedro Ramalho, vários jogadores do Vitória SC estenderam-se no relvado, dando sinais de cansaço físico. Talvez a incapacidade exibida na segunda parte advenha precisamente dessa dimensão física num conjunto que estava em campo numa situação vantajosa. A equipa de Luís Pinto estava em superioridade numérica desde os 28 minutos e vencia desde os 35, com um golo de Oumar Camará, mas os espaços concedidos a André Luiz e a Clayton durante a etapa complementar poderiam ter custado os três pontos aos homens de Guimarães. Assim não aconteceu, e a equipa hoje equipada de cinza e dourado ascende ao sexto lugar, à condição, colocando-se a quatro pontos do quarto classificado, o Gil Vicente.
O Vitória apareceu em Vila do Conde com a fórmula adotada na receção ao AVS: um 4x4x2, com Telmo Arcanjo, regressado de lesão, na direita, Noah Saviolo na esquerda e Camara na frente, ao lado de Alioune Ndoye, substituto de Nélson Oliveira na posição mais avançada.
A equipa de Luís Pinto foi sobretudo expectante nos primeiros 10 minutos, posicionando-se todos os elementos atrás da linha da bola, mas sem deixar os vila-condenses subirem demasiado no terreno. Os vitorianos pressionavam em busca do momento certo para recuperar a bola e explodir em velocidade rumo à área contrária. Fê-lo muito bem aos 12 minutos, quando Gonçalo Nogueira roubou uma bola – esteve bem nesse capítulo – e entregou-a a Oumar Camara para um remate que ainda tirou tinta ao poste direito.
Hoje equipada de amarelo e cinza, a equipa de Guimarães começou a empurrar o jogo para o meio-campo rioavista a partir do quarto de hora, beneficiando da inspiração de Noah Saviolo na esquerda. A defesa rioavista tremia sempre que a bola chegava aos pés do imprevisível belga, sendo apenas travado em falta. A equipa de Vila do Conde pagou caro o recurso à infração, com a expulsão do ala direito Vrousai com dois amarelos no intervalo de 10 minutos: o grego varreu Saviolo aos 18 e agarrou-o aos 28, quando se preparava para entrar na área.
O desnível numérico rompeu os encaixes entre as equipas e abriu os espaços para o Vitória chegar à linha final, quer por uma faixa, quer por outra: o ascendente traduziu-se em golo ainda na primeira parte. Após cruzamento de Telmo Arcanjo, Oumar Camara aproveitou a confusão na área contrária e empurrou para o fundo das redes.
Vencer entre calafrios
O Vitória convertia assim a superioridade numérica em vantagem antes de um intervalo aproveitado por Luís Pinto para trocar o amarelado Miguel Maga por Tony Strata. A troca acarretou uma ligeira nuance tática, com o franco-romeno a aparecer mais adiantado do que Telmo Arcanjo nos momentos ofensivos. A equipa de cinza e dourado quis aguentar a bola por longos períodos no meio-campo adversário, mas os planos saíram furados.
Esse adiantamento concedeu os espaços necessários para André Luiz e Clayton progredirem rumo à área vitoriana, com consequentes calafrios junto à baliza de Juan Castillo: num lance iniciado por André Luiz, Brandon Aguilera apareceu solto em frente à baliza, mas atirou por cima, aos 54 minutos, antes de outro lance confuso na área, que a retaguarda vimaranense foi capaz de anular.
Depois dessas aflições, o Vitória estancou as arrancadas rioavistas com as entradas de Samu, Mitrovic e Nélson Oliveira, mas continuou a tomar decisões erradas na frente. Mitrovic ainda ameaçou de longe, mas o Vitória limitou-se a defender no último quarto de hora, embora nem sempre perto da baliza. Houve momentos em que trocou a bola mais à frente. Pelo meio, o Rio Ave quis muito, mas só ameaçou o golo num cabeceamento de Brabec. A bola passou ao lado de um possível ponto para a equipa da casa. Os três pontos mantiveram-se firmes nas mãos do Vitória para seguirem para Guimarães.