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Recordes, títulos… e instabilidade: a presidência de António Miguel Cardoso

Tiago Mendes Dias
Desporto \ segunda-feira, abril 27, 2026
© Direitos reservados
Quando se avizinha novo ciclo eleitoral no Vitória SC, o Jornal de Guimarães resume quatro anos de presidência em 40 acontecimentos, das inúmeras mudanças técnicas à vitória na Taça da Liga.

O ciclo de António Miguel Cardoso na presidência do Vitória SC está a terminar. Eleito pela primeira vez a 5 de março de 2022, o dirigente vai cumprir pouco mais de quatro anos na liderança do clube e um pouco menos no comando da administração da SAD, que tutela o futebol profissional.

Sob a liderança de Cardoso, o Vitória conciliou a conquista da Taça da Liga, o recorde absoluto de pontos na Primeira Liga ou o recorde consecutivo de triunfos de um emblema luso nas provas da UEFA com as sucessivas trocas no comando técnico da equipa principal – 11 treinadores, se se incluir os dois interinos –, o peso de uma situação financeira que já era delicada em 2022 e assim se manteve até hoje, pese as receitas recorde da época 2024/25, e algumas declarações polémicas que agitaram o universo vitoriano.

Quase duas semanas depois de o ainda presidente do Vitória ter confirmado a demissão, este resumo inclui ainda feitos de outras modalidades do universo vitoriano em que a influência de António Miguel Cardoso possa ter sido menos palpável, mas, ainda assim, marcaram a história destes quatro anos.

 

5 de março de 2022 | António Miguel Cardoso eleito presidente

Após a derrota de julho de 2019, na primeira ocasião em que se sujeitou ao escrutínio dos sócios vitorianos, António Miguel Cardoso regressou à corrida eleitoral como rosto da lista “Mais Vitória”. À segunda tentativa, o candidato radicado no Porto recolheu 62,5% dos 6.610 votos e derrotou o presidente em funções, Miguel Pinto Lisboa, que se ficou pelos 18,8%. Alex Costa, ex-jogador do Vitória e hoje treinador do Amarante, encabeçou a lista menos votada (17,6%).

 

22 de abril de 2022 | Aprovação das contas chumbadas em outubro de 2021

Um dos primeiros atos dos órgãos sociais após a eleição de António Miguel Cardoso foi a marcação de uma assembleia geral extraordinária (AGE) para votar o relatório e contas que fora chumbado em outubro de 2021. O documento mostrava que o clube terminara a época 2020/21 com um prejuízo de 3,6 milhões de euros e que o seu passivo subira de 6,8 para 7,8 milhões. Já a SAD apresentara um prejuízo de 8,2 milhões, após seis épocas seguidas com resultados positivos, e o seu passivo aumentou de 23,5 para os 61,7 milhões, embora os acionistas tenham aprovado esses números. A aprovação das contas de 2020/21 nessa AGE repôs a normalidade estatutária.

 

2 de maio de 2022 | Diogo Boa Alma deixa o cargo de diretor desportivo

Apresentado como “corolário lógico do projeto” da candidatura Mais Vitória, quando se confirmou que seria o diretor desportivo em caso de vitória de António Miguel Cardoso nas eleições, Diogo Boa Alma encerrou o ciclo no Vitória menos de dois meses depois de o ter começado. Em comunicado, o emblema preto e branco alegou que o cessar de funções se deveu “a divergências ideológicas e de gestão” entre a direção e o gestor que se distinguira no Santa Clara. Uma semana depois, foi anunciado como sucessor Rogério Matias, que permanece no cargo até hoje.

 

5 de julho de 2022 | Capitão Rochinha ruma ao Sporting

Na primeira época que teve a oportunidade de preparar, António Miguel Cardoso assumiu a necessidade de equilibrar contas e de vender jogadores nesse sentido. No verão de 2022, o Vitória faturou 19,6 milhões de euros, ao vender André Almeida, Gui ou Sacko. Rochinha rumou ao Sporting por dois milhões. Pelo peso e pelo rendimento do extremo e capitão, muitos sócios no universo vitoriano consideraram o valor irrisório e criticaram a decisão. Em declarações ao jornal O Jogo, o dirigente afirmou que Rochinha não “tinha vontade de renovar”, vincando que nunca iria “pedir dinheiro às anteriores direções”.

 

13 de julho de 2022 | Pepa estava “perfeitamente desalinhado”

Decorria a primeira pré-temporada da era António Miguel Cardoso, quando, a 12 de julho, a menos de 10 dias do primeiro jogo oficial da época, se confirma a saída de Pepa, treinador que se preparava para cumprir a segunda temporada em Guimarães. No dia seguinte, ao apresentar Moreno, treinador recrutado à equipa B, o presidente vitoriano justificou a decisão com o facto de Pepa estar “perfeitamente desalinhado” com a política da direção.

 

21 de julho de 2022 | Regresso à Europa com triunfo tranquilo… e estreia de Jota

Passados dois anos e meio da anterior participação europeia, o Vitória regressou às lides da UEFA numa prova que nunca havia jogado: a Liga Conferência. O Estádio D. Afonso Henriques foi o palco da receção aos húngaros do Puskás Akademia, que os comandados de Moreno derrotaram por claros 3-0, em desafio da primeira mão da segunda pré-eliminatória de qualificação. Os 14.863 espetadores assistiram também à estreia absoluta de Jota Silva, jogador que viria a marcar o clube por dois anos.

 

 

11 de agosto de 2022 | Diogo Leite Ribeiro é baixa precoce na direção

Um dia depois do insuficiente triunfo do Vitória sobre o Hajduk Split (1-0), na segunda mão da terceira pré-eliminatória da Liga Conferência, marcada pela tensão entre jogadores e adeptos, após desacatos provocados por adeptos croatas no centro histórico, confirmou-se a primeira saída da direção eleita em março. Vice-presidente para as modalidades e vogal da administração da SAD, Diogo Leite Ribeiro confirmou a renúncia aos cargos. Mais tarde, alegou”falta de colegialidade” na direção. José Eduardo Viamonte substituiu-o.

 

22 de setembro de 2022 | Um centenário celebrado nas ruas e no palco

À medida que a meia-noite de 22 de setembro se aproximava, os vitorianos começavam a afluir ao Toural para o momento em que o seu clube do coração tornar-se-ia centenário. Quando a hora chegou, houve fogo de artifício pela cidade e um espetáculo pirotécnico protagonizado pelas claques junto ao Castelo. Umas horas depois, mais de quatro mil sócios encheram as bancadas do Multiusos para uma gala onde se escutaram os hinos do Vitória e o hino de Guimarães por Sofia Escobar. Essa noite também consagrou o onze do centenário eleito pelos sócios: Neno, Ricardo Pereira, Geromel, Tapsoba, Dimas, N’Dinga, Pedro Barbosa, Pedro Mendes, Vítor Paneira, Raphinha e Paulinho Cascavel.

 

14 de fevereiro de 2023 | Vitória anuncia acordo com o V Sports

Detentor de 96,84% da SAD após acordada a compra das ações de Mário Ferreira, a direção vitoriana confirmou um princípio de acordo para a venda de 46% das ações ao fundo V Sports, detentor dos ingleses do Aston Villa, por 5,5 milhões de euros. Esse pré-acordo incluía ainda um investimento de dois milhões em infraestruturas e uma linha de crédito até 20 milhões. A 3 de março, os sócios aprovaram a entrada do V Sports na estrutura acionista com 966 votos a favor e 136 contra.

 

23 de abril de 2023 | Equipa B desce ao Campeonato de Portugal

A instabilidade no decurso da temporada culminou na descida do Vitória B do terceiro para o quarto escalão. Moreno preparava-se para começar a terceira época consecutiva nos bês, quando assumiu a equipa principal em julho. A administração da SAD contratou Nuno Barbosa, técnico com larga experiência a adjunto, mas a passagem revelou-se curta. Álvaro Madureira foi chamado para endireitar o caminho dos jovens vitorianos, mas foi incapaz de evitar o último lugar na fase regular, que viria a preceder a descida na fase decisiva da época, após uma derrota por 2-0 em Anadia. O Vitória via-se obrigado a trabalhar a promoção de jovens jogadores num patamar competitivo inferior.

 

24 de abril de 2023 | Tempestade antes da bonança

A derrota caseira perante o Sporting, por 2-0, na 29.ª jornada da edição 2022/23 da Liga, foi o culminar do pior ciclo de resultados para o campeonato na era António Miguel Cardoso: cinco derrotas e um empate atiraram o Vitória de um quinto lugar confortável para a sétima posição. A equipa de Moreno respondeu com uma série de quatro vitórias consecutivas, que lhe permitiu ascender ao sexto lugar e carimbar novo apuramento europeu, mas não recuperar o quinto posto, conquistado pelo Arouca na última jornada.

 

30 de abril de 2023 | Tetracampeão nacional de polo aquático

Embora os principais obreiros da hegemonia vitoriana em curso desde 2018/19 sejam os diretores – António Pedro Magalhães e Pedro Ribeiro –, os treinadores – João Pedro Santos e, principalmente, Vítor Macedo – os jogadores, o expoente máximo dessa supremacia dá-se no jogo que vale o tetracampeonato: a 30 de abril de 2023, as Piscinas Municipais de Guimarães encheram-se para assistir ao triunfo por 20-13 sobre o Fluvial, que carimbou o feito. Nos últimos oito anos, o Vitória soma cinco campeonatos, três Taças de Portugal, cinco Supertaças e variadas participações europeias.

 

3 de junho de 2023 | Ascensão ao principal campeonato de andebol

Protagonista de um trajeto ascendente desde o seu regresso ao universo vitoriano, a equipa de andebol, treinada então por Luís Pereira, viajou para o Luso para disputar o acesso à elite e conseguiu-o, com dois empates frente ao Boa Hora e ao Dom Fuas, que lhe valeu o título nacional da II Divisão. A partir de 2023/24, o emblema preto e branco passou a contar com o andebol, o basquetebol, o pelo aquático e as equipas masculina e feminina de voleibol nos principais campeonatos nacionais, tal como acontece hoje.

 

29 de junho de 2023 | Travão no envolvimento do V Sports

Aprovada por uma porção significativa dos associados, a entrada do fundo V Sports no capital da SAD levou à passagem de três para cinco administradores, com Nassef Sawiris e Wes Edens a assumirem os seus lugares. Esse ato foi revertido em 29 de junho, quando o Vitória anunciou que a participação do V Sports diminuiu de 46 para 29%. No dia seguinte, os vitorianos justificaram a alteração com a necessidade de cumprimento do Regulamento de Competições da UEFA. Mais tarde, soube-se que parceria entre Vitória e V Sports estaria bloqueada até outubro de 2025, não se conhecendo mais desenvolvimentos da relação entre as duas partes até agora.

 

3 de agosto de 2023 | “Desilusão muito grande” precipita saída de Moreno

No regresso às pré-eliminatórias da Liga Conferência, o Vitória deslocara-se à Eslovénia na primeira mão, para derrotar o Celje, por 4-3, pelo que alimentava óbvias expetativas de seguir em frente na prova. A segunda mão desfez essas expetativas. Perante 18.634 espetadores no D. Afonso Henriques, a equipa preta e branca perdeu por 1-0 no tempo regulamentar e foi eliminada nas grandes penalidades. No final, Moreno admitiu “uma desilusão muito grande”, que viria a precipitar a sua saída, anunciada 10 dias depois, após o triunfo sobre o Estrela da Amadora (1-0), no arranque do campeonato. Em setembro, António Miguel Cardoso vincou que a decisão foi tomada pelo treinador e que o entristeceu.

 

30 de setembro de 2023 | Conselho Vitoriano alega distanciamento e demite-se

Os 11 elementos que formavam o Conselho Vitoriano demitiram-se em bloco, com efeitos imediatos, alegando não terem sido formalmente notificados para a realização da assembleia geral de 6 de outubro de 2023, bem como para a proposta de alteração do pacto social, a ser votada nessa reunião magna. Órgão salientou também que a relação com os demais órgãos sociais estava a deteriorar-se. Direção lamentou timing da decisão, um dia antes do encontro com o Estoril Praia, para o campeonato. Atual elenco do Conselho Vitoriano, com 15 elementos, viria a ser aprovado em meados de 2024.

 

4 de outubro de 2023 | “Liderança enfraqueceu”; Turra sai, Pacheco entra

Ainda nem dois meses se tinham passado da saída de Moreno quando o Vitória confirmou a saída de mais um treinador. Apresentado em 21 de agosto, como alguém “habituado à pressão” e capacitado em termos de liderança, o brasileiro Paulo Turra, que jogara de preto e branco em 2004/05, deixou o clube, após duas vitórias, um empate e três derrotas. António Miguel Cardoso assumiu que a liderança do brasileiro enfraqueceu e que é era preciso corrigir a trajetória da equipa, durante a apresentação do sucessor de Turra, Álvaro Pacheco. A seu ver, o treinador natural da Lixa ia devolver a liderança que se perdera.

 

5 de março de 2024 | André Silva vendido para o Brasil fora de horas

O Vitória nunca abriu mão do quinto lugar desde o início da segunda volta, mas o mercado de transferências de inverno rendera apenas dois milhões de euros brutos, fruto das vendas de Dani Silva, médio regularmente utilizado, para o Hellas Verona, por 1,5 milhões de euros, e do ponta de lança Alisson Safira para o Santa Clara. O ponta de lança André Silva também chegou a viajar para Itália para assinar pelo Hellas Verona, mas o negócio não se concretizou. O ponta de lança regressaria ao país natal para representar o São Paulo, num negócio concretizado 3,5 milhões de euros, mais 500 mil euros. Encerrava-se assim a passagem de um jogador que rendeu dentro de campo – 19 golos e seis assistências em 60 partidas –, mas suscitou polémica fora dele, com vários sócios a alegarem que a receita da venda foi incapaz de superar o valor investido na sua contratação ao Arouca.

 

21 de março de 2024 | Estreia de Jota Silva coroa regresso da seleção a Guimarães

Numa fase da época em que o Vitória já se fixara definitivamente nos cinco primeiros lugares da tabela, a sua principal figura na temporada, Jota Silva, cumpriu a primeira internacionalização por Portugal… em Guimarães. Seis anos depois da anterior aparição da equipa das quinas na cidade-berço, o Estádio D. Afonso Henriques acolheu 27.532 espetadores para assistir à goleada de 5-2 à Suécia. Chamado a jogo aos 63 minutos, o atacante protagonizou duas ocasiões de golo, num momento que abrilhantou a sua carreira.

 

7 de abril de 2024 | Duas estocadas no Dragão consagram melhor série de vitórias

Após a instabilidade que marcou o começo da temporada, a equipa principal de futebol do Vitória pareceu navegar de vento em popa assim que começou o ano de 2024. Seguida de perto pelo Moreirense no final da primeira volta, a equipa de Álvaro Pacheco destacou-se no arranque da segunda metade e protagonizou a melhor sequência de triunfos para o campeonato na era António Miguel Cardoso entre março e abril. A série de cinco vitórias terminou em pleno do Estádio do Dragão. O autogolo de Galeno e o golo de Jota Silva deram a margem suficiente para aguentar um triunfo por 2-1, que deixou a equipa vitoriana a dois pontos dos dragões, então terceiros classificados.

 

15 de maio de 2024 | Álvaro Pacheco sai em clima de troca de acusações

O ambiente no seio do Vitória piorou drasticamente nas últimas três semanas de uma época marcada por bons resultados. O divórcio entre a direção liderada por António Miguel Cardoso e Álvaro Pacheco começou a tornar-se público na sequência de uma ida do treinador a Lisboa para se reunir com um dirigente do Cuiabá, num restaurante. Na primeira intervenção pública, em 3 de maio, o técnico disse ter recebido uma proposta que recusou e que não era “parvo, nem irresponsável” para se reunir sem a concordância do Vitória. A saída viria a confirmar-se em 15 de maio, antes da última jornada, com António Miguel Cardoso a argumentar que Pacheco quebrou o acordo para essa reunião acontecer de “forma discreta e totalmente sigilosa”. Os restantes órgãos sociais acusaram o treinador de usar o Vitória para “limpar uma imagem” que foi beliscada. Álvaro Pacheco interpôs uma queixa-crime contra António Miguel Cardoso.

 

18 de maio de 2024 | Recorde de pontos com o treinador mais jovem de sempre

A saída de Álvaro Pacheco abriu caminho para Rui Cunha assumir o comando do Vitória no derradeiro jogo da temporada 2023/24, em Arouca, tornando-se o mais jovem de sempre a assumir o cargo, com 30 anos, ainda que no papel de interino. Arredada do terceiro lugar após a derrota por 3-2 num eletrizante dérbi com o Sporting de Braga, a equipa encarou a derradeira jornada com o objetivo de atingir os 63 pontos e fixar o recorde absoluto de pontos no escalão maior. Ao intervalo, o Vitória perdia por 1-0, mas uma segunda parte autoritária inverteu o placard para 3-1, com golos de Nélson Oliveira, Thiago Rodrigues (própria baliza) e Manu Silva. Estava fixado novo recorde na história do clube, além do terceiro apuramento seguido para a Liga Conferência.

 

25 de junho de 2024 | Gil Lameiras assume equipa B

Numa fase ainda madrugadora da pré-época, o Vitória anunciou a promoção de Gil Lameiras dos sub-17 à equipa B, que acabara de garantir a manutenção no Campeonato de Portugal a custo. A partir daí, a formação que conhecera uma trajetória descendente nos dois primeiros anos da era António Miguel Cardoso reverteu o seu destino, sagrando-se vice-campeã do quarto escalão em 2024/25 e garantindo o acesso à fase de subida da Liga 3 na presente época, após vencer a Série A da fase regular. Esse trabalho projetou ainda Alberto Costa, Gonçalo Nogueira, Diogo Sousa, Miguel Nogueira, Noah Saviolo e Dieu-Merci Michel para a equipa principal. O próprio Gil Lameiras viria a assumir a equipa principal no final da época 2025/26, coroando uma década de trabalho no Vitória.

 

28 de julho de 2024 | João Costa torna a natação vitoriana olímpica

Embora este momento não reflita uma intervenção direta do presidente do Vitória, mas antes a salvaguarda orçamental para se manter a aposta na natação, João Nogueira Costa rumou a Paris praticamente um ano depois de ter carimbado o apuramento para os Jogos Olímpicos. A 28 de julho, o vimaranense teve, enfim, a oportunidade de entrar na arena La Défense para defender as cores de Portugal nas eliminatórias dos 100 metros costas. Embora tenha cumprido a prova em 54,90 segundos, falhando o objetivo de bater o seu recorde pessoal, e obtido o 32.º lugar entre 46 nadadores, João Costa assinava a página maior da história de mais de duas décadas da natação no Vitória.

 

29 de agosto de 2024 | Travessia imaculada para a fase principal da Liga Conferência

Em Mostar, cidade da Bósnia-Herzegovina reconhecida pela sua ponte do século XVI, o Vitória SC carimbou uma inédita presença portuguesa na fase de grupos da Liga Conferência com autoridade e brilho. A goleada por 4-0 foi o culminar de uma fase de qualificação sem mácula, com seis triunfos perante Floriana, Zurique e Zrinjski Mostar e nenhum golo sofrido. No dia seguinte, o sorteio colocava Celje, Djurgarden, Mladá Boleslav, Astana, St. Gallen e Fiorentina no caminho vitoriano. Os adeptos podiam voltar aos motores de busca por voos para o estrangeiro. As dinâmicas cedo exibidas sob o comando técnico de Rui Borges antecipavam uma equipa competitiva a nível nacional e internacional.

 

12 de outubro de 2024 | Prejuízo de 15 milhões expõe défice operacional da SAD

Após ter assumido a presidência do Vitória com uma situação financeira depauperada, António Miguel Cardoso vincou que estava disposto a percorrer o “caminho das pedras” e a fazer “mais com menos”; ou seja, a direção prometia uma equipa à mesma competitiva, mas com custos menores. Se, na primeira época cumprida na íntegra pela direção (2022/23), o Vitória apresentou um lucro consolidado de 6,4 milhões e estabilizou o passivo nos 58 milhões, na segunda, que até foi mais bem sucedida a nível desportivo, o resultado foi um prejuízo de 14,7 milhões na SAD e de 1,1 milhões no clube. O passivo consolidado superou os 70 milhões. O relatório e contas mostra que a atividade do Vitória é altamente deficitária sem elevadas receitas nas vendas de jogadores. A situação financeira continua no centro das preocupações do universo vitoriano.

 

31 de outubro de 2024 | “Almoço a quatro”

A intervenção mais contundente de António Miguel Cardoso a criticar a arbitragem e a situação institucional do futebol português deu-se após a eliminação da Taça da Liga, no terreno do eterno rival Sporting de Braga, após uma derrota por 2-1, selada com um penálti inexistente, assinalado por Fábio Veríssimo após indicação do videoárbitro, João Pinheiro. Além de se mostrar indignado com “o penálti absolutamente indignado”, o presidente do Vitória dirigiu-se ao então presidente da Liga de clubes, Pedro Proença. “Tudo começa na final da Supertaça, no primeiro jogo da época, com um almoço entre os presidentes dos ditos quatro ‘grandes’, Sporting, Benfica, FC Porto e Sporting de Braga. Mas não nos vergamos”, disse então. António Miguel Cardoso viria a ser o único presidente dos clubes profissionais a apoiar Nuno Lobo nas eleições para a Federação Portuguesa de Futebol, que Pedro Proença viria a vencer, em 14 de fevereiro de 2025. Mais tarde, o dirigente vincou que os almoços a quatro passaram para a alçada da FPF.

 

7 de novembro de 2024 | Maior série triunfal portuguesa na Europa

Irrepreensível na fase de qualificação para a Liga Conferência, o Vitória começou a inédita fase de liga no mesmo diapasão: a ganhar. Samu tornou-se no primeiro jogador a marcar na fase de liga, ao abrir a contagem da vitória sobre o Celje, por 3-1. Os comandados de Rui Borges viajaram depois para a Suécia para conquistarem um triunfo suado perante o Djurgarden, por 2-1, e regressaram a Guimarães com a hipótese de se tornarem a equipa lusa com a série vitoriosa mais longa nas provas da UEFA. Os golos de Tiago Silva e de Óscar Rivas consagraram esse registo, num triunfo sobre o Mladá Boleslav, por 2-1, que cimentava a equipa no topo da classificação. O Vitória viria a terminar a fase de liga no segundo lugar, apenas superado pelo Chelsea.

 

26 de dezembro de 2024 | Rui Borges vale encaixe recorde com treinadores

Os rumores de que Rui Borges iria suceder a João Pereira no comando técnico do Sporting começaram a circular minutos antes do encontro entre Vitória e Nacional, o último de 2024 no Estádio D. Afonso Henriques, que viria a terminar 2-2, fruto de um golo madeirense no último minuto. Timoneiro de uma equipa com um desempenho exemplar na Liga Conferência e com resultados aquém das exibições no campeonato, que ditava o sexto lugar na tabela, Rui Borges foi prontamente questionado sobre o seu futuro. À Sport TV disse que a sua cabeça estava no Vitória e que tinha contrato até 2026, mas, na conferência de imprensa que se seguiu, já reconheceu que, “aconteça o que acontecer”, teria de falar com o Vitória primeiro. A saída viria a consumar-se após o Natal, pelo valor mais alto que o clube recebeu por um treinador: 4,1 milhões de euros, a dividir com o Moreirense. No mesmo dia, Daniel Sousa ocupou o trono que ficara vazio.

 

12 de janeiro de 2025 | Desilusão em Elvas antecede nova dança de treinadores

A era Daniel Sousa começou com duas exibições convincentes, sobretudo a nível atacante, que se tornaram em amargos empates com golos sofridos nos minutos finais, perante Farense (2-2) e Sporting (4-4). Portanto, nada fazia adivinhar que o Vitória cairia com estrondo na viagem a Elvas, para os oitavos de final da Taça de Portugal. Os homens de Guimarães entraram a vencer, com um golo de Dieu-Merci, mas deixaram-se adormecer ao sol alentejano e já não tiveram energia para reagir à cambalhota no marcador. A derrota por 2-1 frustrou um dos objetivos firmados para a época e antecedeu a saída do treinador, após duas semanas de trabalho. Três dias depois da eliminação, António Miguel Cardoso vincou que a integração de Daniel Sousa não estava a funcionar, durante a apresentação do terceiro treinador da época, Luís Freire.

 

4 de fevereiro de 2025 | A maior receita de sempre num mercado de transferências

Mais do que dinheiro associado aos resultados, a campanha na Liga Conferência valeu a atenção de clubes com maiores orçamentos… o que, por seu turno, se converteu em mais dinheiro para os cofres vitorianos. As vendas de Alberto Costa à Juventus, após uma novela que envolveu ainda Sporting e Brighton, de Manu Silva ao Benfica e de Kaio César ao Al-Hilal valeram uma receita de 34 milhões de euros no mercado de janeiro, a maior de sempre numa janela de transferências. Para colmatar as saídas, o Vitória contratou Filipe Relvas, Hevertton, Vando Félix, Umaro Embaló e Beni Mukendi, médio oriundo do Casa Pia pelo qual desembolsou três milhões de euros.

 

1 de março de 2025 | Eleição mais desequilibrada da história do Vitória

No mesmo dia em que apresentou Luís Freire - 15 de janeiro -, António Miguel Cardoso anunciou a recandidatura à presidência do Vitória SC para o triénio 2025-2028. O seu opositor apresentou a candidatura 10 dias depois: Luís Cirilo Carvalho decidiu encabeçar uma lista para “contrariar instabilidade” como nunca houve no Vitória. O vice-presidente na época 2012/13 prometeu uma auditoria às contas do Vitória e a aposta num treinador de projeto, inspirado no percurso de Alex Ferguson no Manchester United. O presidente em exercício prometeu uma equipa principal composta por 50% de jogadores da formação até 2028 e atingir a fasquia dos 40 mil sócios. Na hora de irem às urnas, os sócios foram inequívocos: António Miguel Cardoso recolheu 89,4% dos 6.329 votos, a maior percentagem atingida em eleições vitorianas com mais de um candidato. Luís Cirilo ficou-se pelos 449 votos (7,1%).

 

10 de maio de 2025 | Vitória atinge elite feminina do futebol em Portugal

Criado em 2018, o departamento feminino de futebol do Vitória celebrou o maior feito da (ainda) curta história no final da época transata, ao sagrar-se campeão da 2.ª Divisão Nacional, título que lhe valeu um lugar entre as 10 equipas da elite lusa, a Liga BPI. Após perder com o Famalicão no play-off de acesso ao escalão principal na época 2023/24, o Vitória foi quase sempre a melhor equipa entre aquelas que podiam subir na temporada 2024/25 e atingiu o objetivo na receção ao adversário mais direto, o Rio Ave, com um triunfo por claros 3-0, selado na primeira meia hora, com golos de Betinha, de Maria Ribeiro e de Naná Azevedo.

 

11 de maio de 2025 | Morrer na praia ao cair do pano

Mais do que um balde de água gelada num jogo em aberto até ao fim, o remate à meia volta de Dario Poveda foi um golpe que frustrou as expetativas alimentadas para toda a época 2024/25. Perante 20.226 espetadores no D. Afonso Henriques, o Vitória perdeu com o aflito Farense por 2-1 quando bastava um triunfo para carimbar o quinto lugar e o quarto apuramento consecutivo para a Liga Conferência. A recuperação classificativa encetada sob o comando de Luís Freire, com sete vitórias nas nove jornadas que antecederam a receção aos algarvios e içaram os conquistadores do oitavo para o quinto posto, culminava num desfecho amargo. Com o desaire, a formação de Guimarães encarou a derradeira jornada no quinto lugar, obrigado a fazer o mesmo resultado do Santa Clara para garantir a Europa. A derradeira ronda guardava, porém, a visita a um Sporting a precisar de ganhar para selar o bicampeonato e perdeu por 2-0. O Santa Clara viajou até Faro para triunfar, afastando o Vitória da Europa… e despromovendo o Farense.

 

30 de agosto de 2025 | “Se ficarmos abaixo do quinto lugar, sou o primeiro a sair”

Gorado o acesso à Liga Conferência, a SAD decidiu renovar o plantel para a temporada 2025/26 e escolher um novo treinador: Luís Pinto, recém-campeão da Segunda Liga pelo Tondela. Ao leme de um plantel com reforços jovens nos vários setores, à exceção do eixo da defesa, o treinador ensaiou um novo sistema tático na pré-temporada – o 3x4x3 -, mas a primeira amostra desse renovado Vitória no campeonato levantou imensas dúvidas. Após um mês de agosto marcado pelas derrotas com FC Porto e Moreirense e o triunfo sobre o Estoril Praia, e pelas saídas de Tomás Händel e Tiago Silva, o Vitória empatou na receção ao Arouca, num jogo marcado pela estreia de Miguel Nogueira a titular. No final, António Miguel Cardoso pediu aos sócios para deixarem o plantel respirar e projetou um cenário no qual poderia deixar a presidência. “O nosso objetivo é ganhar todos os jogos. Se ficarmos abaixo do quinto lugar, sou o primeiro a sair”, disse.

 

22 de setembro de 2025 | “Precisávamos de menos vaidade no balneário”

Ainda nem um mês se tinha cumprido após a polémica declaração a ameaçar a saída em caso de classificação inferior ao quinto lugar, António Miguel Cardoso incendiou a discussão no universo vitoriano com outra intervenção pública, em pleno 103.º aniversário do Vitória. Após o hastear da bandeira, o dirigente mostrou-se agradado com o facto de contar com um plantel “mais jovem”, composto com “jogadores cheios de orgulho” de representar o clube, e teceu uma comparação com plantéis anteriores. “Temos muita ‘fome competitiva’ e muita humildade. Precisávamos de menos vaidade no balneário. Para se sustentar, o Vitória precisava desta mudança”, disse. A expressão desencadeou uma resposta pronta de Tiago Silva, a criticar a “forma inapropriada” como se prejudicou a imagem de jogadores que passaram pelo clube. Posteriormente, Bruno Varela e Borevkovic rejeitaram o rótulo de vaidosos.

 

27 de novembro de 2025 | Os primeiros vitorianos campeões mundiais

Representantes do Vitória na seleção nacional sub-17 que se deslocou para o Qatar para disputar o campeonato do mundo, Zeega e Verdi contribuíram para um percurso histórico que culminou num inédito título para Portugal, tornando-se nos primeiros jogadores a sagrarem-se campeões mundiais em 103 anos de futebol vitoriano. Nascido a 5 de maio de 2008, Santiago Verdi somou sete internacionalizações e 200 minutos, enquanto Zeega, nascido em 5 de novembro de 2008, cumpriu 269 minutos em sete partidas, somando dois golos e uma assistência. A presença do duo da equipa B no mundial sub-17 coroou uma temporada onde 34 atletas do Vitória já foram chamados às seleções nacionais jovens.

 

10 de janeiro de 2025 | Uma Taça da Liga com três reviravoltas para a eternidade

O desempenho titubeante nos primeiros meses abriu portas a uma maré de bons resultados em dezembro de 2025, que catapultou o Vitória para o sexto lugar no final da primeira volta. Por essa altura, já a equipa de Luís Pinto eliminara o FC Porto da Taça da Liga, com um triunfo no Dragão por 3-1. A segunda semana de janeiro reservava assim duas viagens a Leiria… para escrever história. A reviravolta tardia da meia-final com o Sporting, consumada nos descontos com um bis de Alioune Ndoye, foi a antecâmara para o que estava para vir na primeira final da história com o rival Sporting de Braga para competições nacionais. O Vitória chegou ao intervalo a perder, mas os heróis improváveis diriam presente na segunda parte, virando a maré para o lado vimaranense. Samu igualou de penálti, Ndoye selou a cambalhota e Charles foi gigante na baliza, opondo-se a um penálti de Zalazar no último minuto. Assim se conquistava o terceiro troféu nacional do futebol vitoriano, após a Supertaça de 1988 e a Taça de Portugal de 2012/13.

 

09 de março de 2026 | Mais um treinador que sai: Luís Pinto deixa Vitória

Dois meses depois da conquista da Taça da Liga, o estado de espírito vitoriano mergulhou da euforia à depressão: se em Guimarães, os comandados de Luís Pinto perderam pontos diante do FC Porto, numa boa exibição, e no Alverca, numa performance anémica, a produtividade fora de portas foi um redondo zero. As quatro derrotas em reduto alheio a abrir a segunda volta tiveram como gota de água a viagem aos Açores, onde a equipa preta e branca se mostrou paralisada nas ideias e nas ações, perdendo por 2-0 diante do Santa Clara. No dia seguinte, o Vitória confirmou os rumores que já circulavam: Luís Pinto, treinador de 36 contratado no início da época por 500 mil euros, com vínculo até 2027, estava de saída. Deixava o Vitória como um dos três treinadores titulados no futebol profissional, a par de Geninho e de Rui Vitória. O sucessor estava em casa: recrutado à equipa B, Gil Lameiras começou a trabalhar a 10 de março.

 

14 de abril de 2026 | António Miguel Cardoso anuncia demissão

As derrotas com Famalicão e Benfica, a abrir a era Gil Lameiras, deixaram o Vitória praticamente afastado dos cinco primeiros lugares, apesar da retoma que seguir-se-ia. O ruído em torno da convocatória de possíveis eleições adensou-se, por isso, na sequência da promessa realizada pelo presidente. António Miguel Cardoso manteve-se em silêncio até ao empate na Vila das Aves, a 11 de abril, promovendo uma conferência de imprensa três dias depois. Além de confirmar a demissão, decisão que não surpreendeu, de todo, o dirigente anunciou que não se ia recandidatar ao cargo para o qual fora eleito um ano antes, elencando os vários feitos alcançados nos quatro anos da sua liderança. Três dias depois, o presidente da mesa da assembleia geral, João Henrique Faria, convocou eleições para 13 de junho.

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