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Quatro noites de concertos e Marcha meia hora mais cedo nas Gualterianas

Redação
Cultura \ quarta-feira, julho 08, 2026
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Bárbara Bandeira e GNR, mas também os vimaranenses Fragmentos e Theo vão atuar no Toural. Marcha Gualteriana vai começar às 21h30 de 3 de agosto. Feira de Artesanato terá 49 expositores.

A edição de 2026 das Gualterianas implanta-se na cidade-berço por etapas, com a exposição “Memórias da Paisagem” a ser inaugurada no Palácio Vila Flor, em 15 de julho, o parque de diversões a instalar-se na Alameda Doutor Alfredo Pimenta, a 17 de julho, a 28.ª edição da Feira de Artesanato de Guimarães a mostrar-se ao público com 49 expositores a partir de 24 de julho, até ao auge se dar no fim de semana seguinte.

Entre 30 de julho, quinta-feira, e 2 de agosto, domingo, o Toural vai acolher cinco concertos. Os artistas locais são os primeiros a subir ao palco, com Theo a apresentar-se às 21h30 de quinta-feira e os Fragmentos a atuarem às 22h50. No dia seguinte, há música pop portuguesa, com Bárbara Bandeira a subir ao palco às 22h00, enquanto, no sábado, a noite está reservada para o hip hop, com Dillaz, também às 22h00. O rol de atuações no Toural encerra no domingo, com o rock dos GNR, também às 22h00.

Nesses quatro dias, o Largo da Misericórdia vai acolher o Festival Internacional de Folclore, às 21h00 de sexta-feira, a Arruada e Encontro de Tocadores de Concertina, às 21h00 de sábado, e o Despique de Bandas Filarmónicas, às 21h00 de domingo, enquanto o Donães será o espaço privilegiado para o fado, com Nuno da Câmara Pereira a atuar na sexta-feira, às 21h30, o Quarteto Carla Maria a atuar no sábado, pela mesma hora, e a sessão “Os amantes do fado” a ter lugar no domingo, também às 21h30.

A habitual Feira de Gado, com o concurso pecuário associado, decorre na manhã de sábado, enquanto o 23.º Desfile de Charretes Antigas e Pasteleiras realiza-se no domingo, às 10h30. Na segunda-feira, haverá um novo número – a corrida de cavalos, no Hipódromo de São Martinho de Candoso, às 15h30 -, antes da manifestação que encerra sempre as festas de verão da cidade.

A Marcha Gualteriana tem início previsto para as 21h30 – meia hora mais cedo do que tem sido hábito –, seguindo o trajeto habitual. O presidente da Associação Artística da Marcha Gualteriana, Rui Porfírio, adiantou que o evento já conta com 685 pessoas e precisa ainda de mais 400. O cortejo, esse, contará com cinco grupos folclóricos e cinco grupos de teatro. Quanto aos carros alegóricos, o dirigente adiantou que um deles vai homenagear a fundação das Gualterianas como se conhecem, em 1906, e os seus principais dinamizadores – João de Melo, à época presidente da extinta Associação Comercial e Industrial de Guimarães, José Luís de Pina, Abel Cardoso e o padre Gaspar Roriz.

 

Uma manifestação cultural e popular que “não é comparável com outras festas”

Coorganizada pela AAMG, pela Câmara Municipal de Guimarães e pela cooperativa municipal A Oficina, a edição de 2026 das Gualterianas dispõe de um orçamento de 450 mil euros, incluindo a verba para a Marcha Gualteriana, revelou o presidente executivo da Oficina.

Para Esser Jorge Silva, as festas que se desenrolam no final de julho e no início de agosto têm “a particularidade de só poderem acontecer em Guimarães, por unirem dimensões antagónicas", por “aproximarem a periferia e o centro histórico”, por unirem a dimensão popular e a parte religiosa ligada ao santo” – Gualter, um franciscano que se fixou em Guimarães no século XIII e que tem sido alvo de devoção popular desde então, como se vê na procissão que sairá às ruas a 2 de agosto, às 18h00.

"As Gualterianas são uma das particularidades que definem a identidade vimaranense”, disse, vincando que o programa não é só da cooperativa municipal. “É da cidade, das pessoas da cidade, daqueles que a concebem, dos obreiros, desse espírito colaborativo".

O dirigente realçou ainda que a Câmara Municipal deixou de usar as Hortas como área de diversões e a Plataforma das Artes como palco para concertos por razões logísticas e destacou a seletividade que acompanha a curadoria da Feira de Artesanato, que, neste ano, só admite comerciantes e produtores de artesanato certificado.

"A Feira de Artesanato foi concebida com grande critério. Só estarão artesãos. Temos de ser criteriosos se queremos que o que fazemos ganhe uma expressão maior. Estamos a falar de critérios de criação das peças, mas também de critérios técnico-jurídicos”, acrescentou.

Ao lado, a vereadora municipal para a cultura, Isabel Ferreira, frisou que A Oficina está disponível para apoiar processos de certificação de artesãos que se tenham candidatado à Feira e ainda não cumpram os critérios para participar e destacou a atenção dada ao bordado e à olaria, as expressões máximas do artesanato vimaranense, com oficinas criativas na Alameda de São Dâmaso, a cargo de Mónica Faria e Lídia Araújo – bordado – e de olaria – Cristina Vilarinho e Bruna Freitas.

Os desfiles de bombos e os cantares ao desafio são outros elementos das Gualterianas, que Isabel Ferreira classifica como “uma das grandes romarias do país”. “A cidade de Guimarães tem duas grandes festas, uma de verão, as Gualterianas, e outra de inverno, as Nicolinas. Esta é uma manifestação religiosa, profana e de cultura popular”, realçou.

Sem esquecer “o saber fazer voluntário” dos obreiros da Marcha Gualteriana, Isabel Ferreira desafiou Rui Porfírio a abrir o espaço aos vimaranenses noutros períodos do ano, eventualmente cruzando o que ali se faz com outras linguagens, e prometeu aproximar o trabalho ali desenvolvido das escolas, a partir do próximo ano letivo, através do programa de educação para as artes.

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