
PSD pede revogação de acordo que diminui rendas nas pedreiras de Gondomar
A bancada do PSD na Assembleia de Freguesia de Souto São Salvador, Souto Santa Maria e Gondomar estima que a União de Freguesias (UF) perdoou cerca de 125 mil euros desde 2021, na sequência do acordo firmado com a Nital, empresa de transformação de granito que explora as pedreiras existentes em Gondomar, em 21 de dezembro de 2020.
“De janeiro de 2021 até ao dia de hoje, a junta de freguesia já perdeu, em rendas, 100 000 euros mais, como verificamos na apresentação de contas de 2023, 25 000 relativos a rendas do ano de 2023 que não foram pagas. Ou seja, estão a ser perdoados à empresa Nital – Granito Natural, Lda valores na ordem dos 125 000 euros”, refere a carta assinada pelos deputados da coligação Juntos por Guimarães (JpG) − Eduardo Fernandes, Ana Cláudia Ribeiro, José Manuel Martins e Vítor Macedo.
Depois de um primeiro acordo, válido em 2018 e em 2019, que diminuiu a renda mensal a pagar pela Nital, de 5.081 para 3.000 euros, com a justificação de dificuldades financeiras que, em 2017, geraram uma dívida de cerca de 40 mil euros à UF, o valor regressou ao patamar inicial em 2020 e voltou a ser reduzido em 2021, ao abrigo de um novo acordo.
Nesse documento, a justificação para a redução da renda é a incapacidade da empresa em fazer a “exploração completa” de três das pedreiras a seu cargo: “Pedreira dos Lobos”, “Pedreira Chão das Lebres” e “Pedreira Costa da Abelheira”. Se a Nital mostrasse “intenção de reiniciar a exploração de qualquer uma das três pedreiras acima identificadas”, não o poderia fazer sem comunicação prévia à UF, para que se acordasse um novo valor da renda a pagar.
Desde 2021, a Nital tem pagado uma renda mensal de 3.000 euros à Junta de Freguesia, valor que a JpG questiona, até porque o volume de negócios e o lucro bruto da empresa têm aumentado. Segundo um documento enviado pela força política às redações, a Nital viu a sua faturação crescer de 832 mil para 1,15 milhões de euros entre 2020 e 2023 (37%) e o lucro de 111 para 156 mil euros – crescimento de 40,5%. Perante tais dados, a coligação de direita pede ao executivo liderado por Fernando Cardoso, eleito pelo PS, que se vote a revogação do acordo em vigor desde 2021.
“Considerando os dados financeiros da empresa, que parece ter a sua situação financeira totalmente controlada, e o impacto que esta atividade económica tem, aos dias de hoje, e vai ter, no futuro, para todos/as os cidadãos/ãs desta união das freguesias, vimos pedir ao Sr. Presidente para, já na próxima assembleia de freguesia de abril, levar a discussão e votação a revogação deste acordo de redução de rendas”, informa a carta.