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Ousado e combativo, Vitória cai em Braga vergado pelos próprios erros

Tiago Mendes Dias
Desporto \ domingo, fevereiro 22, 2026
© Direitos reservados
Incapaz de travar o entendimento entre Ricardo Horta e Zalazar em momentos cruciais, a equipa de Luís Pinto perdeu no terreno do eterno rival num jogo em que até teve momentos de domínio.

Uma vitória, um empate e uma derrota: este é o saldo dos encontros entre os rivais Vitória SC e Sporting de Braga na época 2025/26. O emblema preto e branco ficou aquém de encerrar a temporada 2025/26 com um saldo positivo face à derrota deste sábado à noite, por 3-2, números reveladores da partida a que se assistiu no Estádio Municipal de Braga: apesar dos estilos diferentes, as duas equipas jogaram com olhos no ataque, ensaiaram inúmeras jogadas de perigo e também apresentaram várias lacunas.

Ao fim e ao cabo, o terceiro dérbi minhoto da temporada foi um espetáculo entretido para os 20.118 espetadores – dos quais cerca de 1.500 afetos ao Vitória -, onde a qualidade de Zalazar e de Ricardo Horta fizeram pender a balança a favor dos bracarenses; a equipa de Luís Pinto dominou várias fases do encontro, mas também expôs-se com frequência aos elementos mais adiantados (e virtuosos) do rival, pagando a fatura por uma postura afirmativa, a balançar entre a ousadia e a imprudência.

Num embate que começou com quase 10 minutos de atraso, os homens trajados de preto não precisaram sequer de um minuto para desvendar qual seria a sua postura em mais um clássico regional: Diogo Sousa, o elemento com sinal mais do Vitória nos primeiros 60 minutos do encontro, testou logo a atenção do concentrado Hornicek.

Com o médio formado no berço a destacar-se no transporte e na pressão e Beni Mukendi a segurar a arquitetura do meio-campo, impedindo possíveis contra-ataques bracarenses, o Vitória controlava os minutos iniciais – mesmo com a paragem causada pelo arremesso de engenhos pirotécnicos oriundo das claques bracarenses – e circulava a bola no meio-campo adversário, mas cometeu o primeiro erro capital numa das primeiras aparições adversárias na área vitoriana: num lance aparentemente inofensivo, entre Gustavo Silva e Diego, o árbitro João Pinheiro apontou perentoriamente para a marca de grande penalidade. Em novo frente a frente, depois daquele momento na Taça da Liga que eternizou Charles na história vitoriana, o uruguaio levou a melhor desta feita, inaugurando o marcador.

A resposta vitoriana não podia ser mais pronta: Diogo Sousa cobrou um livre rapidamente, encontrando Saviolo solto na direita, que cruzou em esforço, mas tenso. Barisic, completamente só, fez um corte defeituoso ao ponto de enganar Hornicek e fazer o golo do empate.

Reposto o estado inicial, o Vitória reassumiu o controlo, quase como se não tivessem havido golos, e Gustavo Silva falhou a reviravolta por centímetros, aos 23 minutos, mas houve um fator a fazer a diferença a favor dos anfitriões: a precisão dos desenhos ofensivos e a clareza na finalização nos raros desequilíbrios criados junto à área vitoriana. Assim aconteceu aos 32 minutos: criado o desequilíbrio na ala esquerda da defesa, Zalazar e Ricardo Horta tiveram o espaço suficiente para mostrarem os atributos que os distinguem no seio do plantel bracarense, com o internacional português a atirar para o fundo das redes.

Até ao intervalo, Strata testou a sua pontaria em dois remates de longe, antes de o Braga ameaçar o terceiro golo em cima do intervalo. A equipa treinada por Carlos Vicens foi mais perigosa nos descontos do que no resto de toda a primeira parte, valendo ao Vitória Charles para negar os golos a Zalazar e a Horta (sempre eles!).

O próximo golo neste festim minhoto seria preto e branco, contudo. A confiança de João Mendes a contornar a pressão bracarense foi o rastilho que desencadeou uma sequência feliz, intermediada pelo cruzamento de Noah Saviolo para o remate violento ao segundo poste de Gustavo Silva, que quebrou um jejum de golos que perdurava desde 30 de agosto de 2025.

O empate foi sol de pouca dura, porém. Embalado pelo golo, o Vitória acreditou que poderia selar uma reviravolta repentina e pressionou com tudo a retaguarda adversária. Um erro nessa pressão abriu, contudo, o espaço suficiente para os dois jogadores diferenciados do Sporting de Braga combinarem para mais um golo, selado com categoria pelo uruguaio.

De pronto, Luís Pinto introduziu Camara e Ndoye para agitar a frente de ataque, mas a reação vitoriana tardou. O jogo só se começou a inclinar no sentido da área bracarense após as entradas de Gonçalo Nogueira e de Telmo Arcanjo, dois intervenientes no último assalto em busca do empate: o médio serviu Camara aos 85 minutos, para um remate à figura de Hornicek. O guarda-redes checo do Braga, a quem se augura um promissor futuro, sobressaiu ainda mais nos descontos, quando voou para negar o golo a Arcanjo. Foi o canto do cisne para uma equipa que mostrou condições para deixar o Municipal de Braga com pontos, mas que pecou em momentos-chave do dérbi.

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