Nélson Almeida, o capitão que virou treinador e levou o Brito a sonhar
A fase regular do Campeonato de Portugal está perto do seu fim e o Brito ruma para a última jornada da Série A com a possibilidade de chegar ao apuramento de subida para a Liga 3. É um sonho que não depende apenas si, uma vez que está na terceira posição da tabela, a dois pontos dos lugares de promoção, atrás do Vianense e do Bragança, ambos com 45.
Contudo, o início do trajeto não foi fácil. Ainda com Quim Berto no comando técnico, a formação britense estava colada aos lugares de despromoção à 10ª jornada, com apenas 12 pontos e quatro vitórias registadas. O treinador de 49 anos saiu do leme e, para todas as surpresas, foi o capitão do clube, Nélson Almeida, quem pegou na prancheta e assumiu o papel de timoneiro.
"Sempre tive o desejo de ser treinador, mas não tão precocemente. Ainda queria jogar mais uns anos. Claro que uma pessoa nunca está preparada para deixar o futebol dentro do campo, mas surgiu da melhor forma possível, no clube da minha terra e do meu coração. Só tenho a agradecer por isso", referiu, indicando que inicialmente tinha-lhe sido proposto pela direção apenas um jogo como treinador.
Segundo Nélson, homem da casa desde a época 2014/15, a transição para o novo cargo foi rápida, uma vez que já conhecia os jogadores e o balneário que capitaneava há nove anos. O objetivo de ficar nos primeiros cinco lugares foi cumprido, mas admitiu que não estava à espera de chegar à última jornada com a possibilidade de lutar pela promoção: "Não esperava estar nesta situação. Nem eu, nem ninguém. Sabemos que a Série A é muito competitiva. Depois de se estar lá, em baixo, é complicado sair, mas os resultados começaram a aparecer, a malta começou a acreditar e depois de sair da linha de água, com a qualidade que nós tínhamos, acabou por se tornar mais fácil trabalhar sobre vitórias", explicou.
O efeito Nélson Almeida em números
Dez vitórias em 15 jogos - estes são os números do treinador de 32 anos, que conseguiu levar o clube da sua terra a sonhar com uma eventual promoção. Sem segredo algum, o técnico apontou a qualidade do grupo como principal fator para o percurso encetado pela vitória por 0-1 no terreno do Celoricense, em dezembro.
Confessa que não sabe o que a direção viu nele, acreditando que poderiam ter procurado outro jogador para o cargo, caso a má onda de resultados continuasse. No entanto, mostrou-se agradecido pela oportunidade e confiança depositada em si. "Era um orgulho enorme ser capitão e jogador do Brito SC, o clube da minha terra, mas quando me foi proposto assumir oficialmente a posição de treinador, não pensei duas vezes, tive de aceitar. Eu estou aqui para ajudar o clube e claro que foi fácil aceitar essa decisão. É complicado deixar aquilo que tu gostas de fazer durante 25 anos da tua vida e de um momento para o outro, teres de abdicar disso. Mas por outro lado, a decisão tornou-se mais fácil, porque é o clube do meu coração".
Relativamente ao seu futuro, a possibilidade de continuar a treinar na próxima temporada é forte, mas o foco está na grande decisão de sábado, frente ao Mirandela. "Vou estar atento aos jogos do Bragança e do Vianense. Sabemos que não dependemos de nós, contudo também sabemos que temos de vencer, porque senão não interessa os restantes resultados. Por isso, o mais importante é focarmo-nos em nós, mas sempre com uma parte de nós no outro campo."
No final, deixou uma mensagem de apelo aos adeptos, para que pela última vez possam apoiar a sua equipa em casa na fase regular e dar força para terminar a série "em beleza". "Gostava que os adeptos aparecessem na máxima força, não só por ser um jogo decisivo que pode-nos dar uma fase de subida, mas também pelo último jogo em casa, pela época que fizemos e pela marca histórica de pontos que alcançámos no Campeonato de Portugal".
Mesmo em desvantagem pontual, é possível acreditar; o Brito recebe o Mirandela, 10.º colocado, com 32 pontos, ainda a lutar pela manutenção, no sábado às 16h00. À mesma hora o Vianense recebe o Limianos (4º posicionado, com 41 pontos), enquanto o Bragança joga em casa diante do Vilaverdense, já despromovido às distritais da AF Braga.
No confronto direto, os britenses empatam 2-2 no frente aos transmontanos, enquanto contra os minhotos perdem 4-1. No entanto, a diferença de golos da turma preta e branca de 10 golos positivos supera a de nove dos brigantinos, pelo que um triunfo frente ao Mirandela e um empate do Bragança vale ao Brito o acesso à fase de subida.