Laboratório de Ação Cívica lança petição para salvaguardar troço da Ecovia
Como expressão do receio de que se perca “um dos poucos percursos” no centro de Guimarães sem contacto com “tráfego motorizado”, o Laboratório de Ação Cívica (LAC) lançou um site e uma petição pública sob o mote “Salvar a Ecopista”, relativo aos 2,5 quilómetros de Ecovia que ligam a extremidade sul da Avenida D. João IV à Academia de Ginástica de Guimarães, nas imediações do Parque da Cidade, na Costa.
Inaugurado em 22 de setembro de 2018, no âmbito da primeira fase da Ecovia de Guimarães, esse troço “promove uma cidade sustentável e amiga do ambiente, facilitando a mobilidade em modos suaves e incentivando à prática desportiva, contribuindo assim para o bem-estar e saúde das famílias e dos cidadãos”, defende o LAC.
Em junho de 2024, a então vereadora do urbanismo, Ana Cotter, assumiu que a Câmara Municipal estava a trabalhar numa nova via entre a Avenida D. João IV e Mesão Frio, que viria a estar vertida no estudo apresentado pela divisão de mobilidade da Câmara Municipal de Guimarães em abril de 2025, ainda durante a presidência de Domingos Bragança.
Após considerar que o grupo parlamentar do PSD deu uma resposta “vaga e evasiva” a uma pergunta de um cidadão sobre a nova via rodoviária na Assembleia Municipal de Guimarães de 18 de junho de 2026, o LAC crê que as certezas sobre a intenção do executivo liderado por Ricardo Araújo surgiram em 11 de setembro, com a apresentação da nova revisão do Plano Diretor Municipal (PDM).
Essa revisão mostra um canal para uma futura via rodoviária entre a Avenida D. João IV e a Academia de Ginástica de Guimarães, que ora coincide com a Ecovia, ora lhe é adjacente.
No entender do LAC, esse troço de 2,5 quilómetros deve “continuar a servir quem anda a pé e de bicicleta, não o tráfego motorizado”, por ser “um espaço seguro e raro”. Para o movimento cívico, a construção da estrada “elimina esse espaço em vez de o complementar”, “vai no sentido oposto às políticas municipais de incentivo à bicicleta e à caminhada como meio de transporte” e constitui uma perda de espaço verde no centro da cidade.
“Vai-se perder um pulmão verde no centro da cidade que, se fosse para mudar, que fosse para promover o ambiente e a sustentabilidade, respondendo aos desafios climáticos com projetos de valor social”, lê-se no site.
Para a entidade, “um investimento sólido e estratégico nos transportes públicos coletivos é a única solução para o congestionamento da cidade de Guimarães, que resulta do uso excessivo do transporte individual”.
A petição pública conta, até agora, com 947 assinaturas.