Instalação de painéis solares na feira motiva discussão na AM e na Câmara
A aquisição pela Câmara Municipal de unidades de produção para autoconsumo e produção de energia elétrica, aprovada em 26 de janeiro de 2026, numa adjudicação à empresa I-Sete, por 6,2 milhões de euros ateou a discussão na sessão da Assembleia Municipal (AM) de 27 de fevereiro e na reunião de Câmara de segunda-feira. Em causa, não está a aquisição dos painéis fotovoltaicos, nem o valor investido, mas sim o local onde serão implantados.
Os dispositivos vão ser instalados no recinto da feira semanal, cobrindo quase todos os lugares que acolhem os feirantes, à sexta-feira, e que albergam estacionamento automóvel nos restantes dias da semana. Os lugares cruzados pelo corredor pedonal sobrelevado são os únicos que não terão painéis, mostra a planta do projeto, à qual o Jornal de Guimarães acedeu.
Para a Associação Vimaranense para a Ecologia (AVE), a instalação de painéis solares naquele espaço de 12 mil metros quadrados é “uma oportunidade perdida para dotar a cidade de um espaço público qualificado e com contributo relevante, quer para a sustentabilidade ambiental, quer para a qualidade de vida dos cidadãos”, defendeu José Cunha, na intervenção que proferiu na AM.
O dirigente associativo crê que a poupança energética associada aos painéis fotovoltaicos poderia ser garantida com a implantação noutro local e crê que a escolha da feira semanal privilegia o atual uso do solo: estacionamento automóvel. Para a AVE, os painéis terão “um enorme impacte visual num espaço sensível”, na Zona de Proteção da área classificada como Património Mundial da UNESCO, e implicam a perda de uma eventual multifuncionalidade daquele espaço público.
“Deixa de ser possível compatibilizar a feira semanal com um bosque urbano e espaços verdes que contribuam para a qualidade do ar, para um refúgio tranquilo em meio urbano e para a saúde mental. Deixa de ser possível compatibilizar a feira semanal com um espaço inclusivo de proximidade com amenidades para crianças e idosos. Deixa de ser possível compatibilizar a feira semanal com equipamentos desportivos ou com eventos ao ar livre”, enumerou José Cunha, levando depois a problemática à reunião de Câmara.
A AVE lamentou ainda a falta de informação sobre este processo, cujo concurso público foi lançado em 22 de abril de 2025, ainda pelo executivo liderado por Domingos Bragança, e exigiu que “intervenções em espaço público com impacte relevante na vivência do território” possam ser discutidas em sessões públicas, para se ouvir o que a população pensa sobre a cidade.
Ricardo Araújo: “Devemos utilizar fontes limpas de energia”
Confrontado com a posição da AVE, Ricardo Araújo afirmou que o processo foi alvo de estudos e análises, oriundas do mandato anterior, e que os vários departamentos técnicos da Câmara, incluindo a Divisão do Centro Histórico e Zona de Couros, acompanharam o processo, tendo cuidado em selecionar equipamentos que mitiguem o impacte visual.
“Está prevista uma zona arbórea para fazer um corredor que mitigue esse impacto visual. Tudo isso foi devidamente analisado e acautelado do ponto de vista técnico. Respeito opiniões contrárias, mas estamos aqui para estudar os assuntos e tomar decisões. Nunca há soluções perfeitas. Estamos a falar da instalação de painéis fotovoltaicos numa zona pública para produzir energia utilizada pelos equipamentos públicos”, disse, após a reunião do executivo.
Para o autarca, a utilização de fontes limpas de produção de energia é sempre uma forma de “defesa do ambiente e da sustentabilidade”.