Guimarães estreia-se no Festival Internacional de Órgão e acolhe abertura
A 11.ª edição do Festival Internacional de Órgão é a primeira que inclui Guimarães, cidade que encarregar-se-á de receber os dois primeiros concertos de um cartaz que inclui oito espetáculos.
A abertura da edição de 2026 dar-se-á a 16 de maio, um sábado, pelas 21h30, na Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, com o concerto Iberia Resonans, que inclui Yudania Gómez Heredia ao órgão e o Coro de Câmara da Universidade do Minho, dirigido por Janete Ruiz. Maestrina, compositora e organista, Yudania Gómez Heredia lidera a Heritage Orchestra, que acompanha a espanhola Rosalía na sua Lux Tour.
A artista vai tocar num órgão do século XIX, classificado como Monumento Nacional, repertório dos séculos XVII ao XIX, com obras de Pedro Araújo, Juan Cabanilles, Domenico Scarlatti, Carlos Seixas, Melchor Lopez e José Maurício Nunes Garcia.
O dia seguinte marca o regresso a Guimarães do Ludovice Ensemble. Presente nas edições de 2019 e deste ano do Festival Internacional de Música Religiosa de Guimarães, o coletivo interpreta “Na fonte está Lianor…”, numa viagem pelo cancioneiro renascentista português, contemporâneo de Luís Vaz de Camões, que irá ecoar pelas paredes da Igreja de São Francisco a partir das 17h30.
Para o diretor artístico do festival, Rodrigo Teodoro de Paula, a associação de Guimarães aos municípios de Santo Tirso e de Vila Nova de Famalicão é uma oportunidade para integrar o valioso património organístico da cidade-berço num festival que, em 10 anos, conta com 6.500 espetadores.
"Guimarães foi das primeiras cidades que conheci em Portugal. Pelo património organístico, tinha a pretensão de alargar o festival a Guimarães, para ser incluída no fio que juntava Sento Tirso e Famalicão. Temos um orçamento próximo de 60 mil euros, que nos permite realizar o festival nas três cidades, de incluir artistas renomados e de dar oportunidade a jovens músicos", adiantou, a propósito do evento organizado pela associação cultural Tagus – Atlanticus e pela empresa JMS Organaria, sediada em Santo Tirso, que conta com o apoio da Direção-Geral das Artes, da Fundação La Caixa e dos três municípios.
Presente na conferência de imprensa de apresentação, decorrida no coro alto da Igreja de São Francisco, a vereadora com o pelouro da cultura em Guimarães, Isabel Ferreira, realçou que o festival é mais um fio que une municípios com “ligações muito próximas” devido à tradição têxtil da bacia do Ave, enquanto a homóloga famalicense para a cultura, Susana Pereira, mostrou-se feliz a parceria. “Vai tornar o festival mais forte. Somos a zona do país com maior número de órgãos. Foi em muito boa hora que Guimarães se juntou a esta organização", realçou.
A segunda semana do evento desenrola-se em Vila Nova de Famalicão, com os concertos da organista italiana Ilaria Centorrino na igreja de São Pedro de Bairro, no dia 22, às 21h30, da evocação do centenário do filme “O fantasma da ópera”, conduzida pelo organista André Ferreira na Fundação Cupertino de Miranda, também a partir das 21h30, e do dueto entre a organista Miriam Cepeda e do clarinetista Luis Alberto Requejo, na igreja de Ribeirão, às 17h00.
No último fim de semana, a igreja paroquial de Areias, em Santo Tirso, recebe Sérgio Silva no órgão e Ricardo Parreira na guitarra portuguesa para evocar o centenário de Carlos Paredes, no dia 29, a partir das 21h30, e a igreja do Mosteiro de São bento recebe o agrupamento vocal Capella Joanina, dirigido por João Paulo Janeiro, às 21h30 de 30 de maio. O encerramento vai decorrer no Centro Interpretativo da Fábrica de Santo Thyrso, no dia 31 de maio, às 21h30, com o espetáculo “Luz”, uma criação multidisciplinar que reúne os bailarinos João Silva e David Murta, o artista visual António Guimarães Ferreira e o organista e compositor Cláudio Pina.
O diretor artístico do festival vê ainda o alargamento como oportunidade para um intercâmbio entre o público dos três concelhos.