Gil Lameiras: “Não estou preocupado com o que pode acontecer comigo”
Quando António Miguel Cardoso anunciou a sua demissão da presidência do clube, na terça-feira, Gil Lameiras já estava a par da decisão tomada pelo dirigente. O treinador vinca, porém, que o ainda presidente vitoriano lhe procurou passar confiança e que “nada mudou” nas rotinas do plantel, nem na projeção do seu futuro próximo como treinador, numa fase em que tem um contrato válido até ao final da época 2026/27.
“Sempre que assumi as equipas a minha preocupação foi sempre dar o meu melhor, todos os dias e nunca pensar muito à frente. Quando surgiu esta oportunidade não estava a contar com ela, não foi uma coisa que eu ambicionei a todo custo. É a minha forma de estar, pensar dia-a-dia, pensar jogo a jogo, portanto não estou preocupado em relação àquilo que pode acontecer comigo no futuro”, referiu, na antevisão à partida com o Gil Vicente, referente à 30.ª jornada da Liga Portugal Betclic, marcada para as 20h30 de sábado.
Ciente de que o Vitória se desloca a Barcelos para defrontar uma equipa organizada, que tem sido mais constante ao longo do campeonato, como se vê pelo sexto lugar que ocupa, com 46 pontos – mais 10 do que a sua equipa –, com “individualidades interessantes que podem resolver os jogos” e “forte nas bolas paradas”, Lameiras prometeu uma equipa preparada para contrariar esses atributos e para corrigir os erros defensivos exibidos em Vila das Aves, no empate com o AVS (1-1), para alcançar um resultado melhor em Barcelos.
“Temos de ter esse controlo do jogo que, se calhar, não tivemos em termos defensivos no último jogo e controlarmos desse ponto de vista defensivo um pouquinho mais as investidas do adversário. Coisa que não existiu com tanta frequência no último jogo, ao contrário do que já tinha vindo a existir em jogos anteriores como com o Tondela e com o Benfica. A equipa com bola tem vindo a apresentar cada vez mais oportunidades, criações de golo constante, apesar da finalização não ter sido também a melhor neste último jogo, mas a equipa apresentou evidências de que o resultado foi um pouco injusto”, salientou.
À espera que o Vitória se apresente na melhor versão, o timoneiro rejeitou ainda que o facto de defrontar um adversário envolvido na luta pelo acesso às provas europeias, posição de que o Vitória já está praticamente arredado, motive mais o plantel. “A motivação para estar neste clube tem de ser diária. Nunca vamos ter motivação em função do adversário”, resumiu.
O treinador de 32 anos mostrou-se ainda solidário com o boicote ao jogo por parte das claques Insane Guys, Gruppo 1922 e White Angels, fruto do custo unitário dos bilhetes para o setor visitante – 25 euros.
“O mesmo apoio não vamos ter porque já foi anunciado por eles, e muito bem. Acho que deve haver uma sensibilidade maior. A vida está muito cara para toda a gente e, infelizmente, nem toda a gente ganha muito dinheiro. É pena porque eu acho que é um jogo que vai representar muito a Liga Portugal, com duas excelentes equipas. É uma pena enorme para a Liga não ter um estádio que poderia estar cheio. Do nosso lado, vamos ter um apoio menor e nós estamos com eles. Percebemos perfeitamente”, realçou.