Rock no Rio Febras tem “espírito diferente” e está cada vez mais crescido
Os riffs de “Joker and the thief” foram o corolário de uma atuação repleta de eletricidade e suor de Andrew Stockdale, James Wassenaar e Brett Wolfenden, mas os Wolfmother ainda tinham algo mais a dar ao entusiasmante público do Rock no Rio Febras, ao subirem de novo ao palco para homenagearem as suas principais referências musicais: tocaram “Sweet Leaf” e “Paranoid”, dos Black Sabbath, antes de encerrarem os 90 minutos de espetáculo com “Rock and Roll”, dos Led Zeppelin. Foi precisamente o rock n’roll – e também a solidariedade para com a Casa do Povo de Briteiros, entidade organizadora do festival – que mobilizou mais de 40 mil espetadores para Briteiros entre 24 e 26 de julho, se se incluir o aquecimento de quinta-feira, com West Coast Man e Crocky Girls.
“Os Wolfmother ficaram completamente admirados. Não tinham bem a noção do festival. Primeiro, desconfiaram um bocadinho, mas quando subiram ao palco e viram aquela massa humana que não saiu durante os 90 minutos, e ficou até ao final, ficaram completamente apaixonados pelo festival”, conta Pedro Conde, responsável pela programação do festival.
No primeiro dia, os The Last Internationale confessavam, ao Jornal de Guimarães, o prazer de participarem num festival com fins solidários, antes de verterem, em palco, a energia do seu rock conhecido pela consciência social das suas letras. Os portugueses This penguin can fly, Them flying monkeys, Noise at Valve, Correr Andar, The twist connection, Dapunksportif, Blind Zero e Clã também compreenderam a essência do festival, afirma o responsável. . “A Manuela Azevedo entrou completamente no espírito do festival. Foi espetacular. No fundo, entrou na nossa comunidade, porque sente exatamente os mesmos princípios. Os Clã queriam mesmo fazer parte disto. Já os tinha visto umas 10 vezes, e nunca vi um concerto como este”, salienta.
A comunhão entre público e bandas, esclarece, abre as portas para um futuro ainda mais risonho para o Rock no Rio Febras, após uma edição também marcada pela aparição de projetos complementares, como o “Life on Febras?”, uma iniciativa artística da comunidade, concretizada por alunos e professores das escolas do 1.º Ciclo do Agrupamento de Escolas de Briteiros.
“A nível nacional, acho que já não existem dúvidas nenhumas do que é o Febras, mas, a nível internacional, este festival pode-se tornar um dos pontos estratégicos no país para receber bandas de dimensão internacional, sem entrar pela parte do circuito comercial. No fundo, serão as bandas a quererem vivenciar o espírito do Febras”, salienta Pedro Conde.
Os Clã no Rock no Rio Febras, na sexta-feira ©RFX
O próximo ano já está no horizonte… com um segundo palco
Realizado no parque da Quinta da Ponte, recentemente reabilitado e inaugurado, o Rock no Rio Febras tem margem para crescer. E a organização já sabe por onde: aproveitar a outra clareira do parque para erguer um segundo palco. O intuito é oferecer um cartaz com mais do que as 10 bandas que têm atuado no Rock no Rio Febras.
Para já, ainda não foi possível concretizar esse “sonho” por falta de capacidade financeira, mas Pedro Conde espera vê-lo concretizado no próximo ano, até para dar melhor resposta às muitas bandas que procuram tocar no Febras. O objetivo é ter um segundo palco com as mesmas condições técnicas do que já existe, para não haver qualquer secundarização dos nomes que atuam no Febras, e poder receber assim um máximo de 25 mil pessoas por dia.
“No fundo, queremos mais capacidade para projetar ainda mais o talento local e, claro, atrair grandes nomes internacionais. Consequentemente, em vez de termos as 20, 21 mil pessoas diárias, conseguimos passar para as 25 mil. Se tivermos um palco colocado na outra ponta do parque, tenho a certeza de que teremos capacidade de movimentação para receber ainda mais pessoas. Porque as pessoas virão”, antecipa.