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Evocação da natureza a várias vozes celebra abertura da CVE 26

Tiago Mendes Dias
Ambiente \ sexta-feira, janeiro 09, 2026
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Assente nas formações corais, numa orquestra de suporte e nas atuações de Sofia Escobar e Gisela João, “Raízes de futuro” revestiu-se de lirismo no arranque da Capital Verde Europeia.

Um espetáculo que “vai conjugar emoção e reflexão, tradição e inovação, poesia e ciência, cultura que se transforma em ecologia, arte em esperança”: foi assim que Catarina Furtado lançou “Raízes de futuro”, uma performance a rondar os 75 minutos a vários ritmos, a várias vozes, a várias cores, mas com dois nutrientes que nunca faltaram: o imaginário da natureza e o lirismo dos corpos e das vozes.

Entre dança contemporânea, canto coral e canto lírico, mais de 170 protagonistas de várias associações vimaranenses - A Outra Voz, CERCIGUI, Coro En'Canto, Grupo Coral de Ponte e TetrAcord'Ensemble - subiram ao palco do Multiusos para brindarem uma plateia de 2.800 espetadores com um espetáculo que lança Guimarães 26 – Capital Verde Europeia para os braços da comunidade por um ano.

As interpretações de “Vejam Bem” e “As sete mulheres do Minho”, canções de Zeca Afonso na voz de Gisela João, foram especialmente marcantes, assim como as notas entoadas pela soprano vimaranense Sofia Escobar. Esse registo performativo e simbólico encerrou uma noite que começou formal.

 

“Ser capital da qualidade de vida”

O espetáculo sucedeu à fase protocolar da cerimónia de abertura, pontuada pelas interpretações dos hinos de Guimarães, da União Europeia e de Portugal, pela apresentação de vídeos promocionais da CVE e pelos discursos políticos, intercalados pela apresentação de Catarina Furtado e Vasco Palmeirim.

Primeiro a intervir, o presidente da Câmara Municipal de Guimarães realçou que a abertura da CVE é um “símbolo vivo da Europa que acredita nas suas cidades” e que “a transição ecológica começa em palcos onde as pessoas vivem, trabalham e estudam”.

Ricardo Araújo vincou que a sustentabilidade deve ser “um conceito com impacto real nos cidadãos”, no fundo “um compromisso que convoca para a ambição e para a responsabilidade coletiva”, num território de “identidade forte e memória longa”.

“Aprendemos, do passado, que o futuro se constrói com tempo e propósito. Honrar a nossa identidade é compatível com liderar a transição ecológica. Esta distinção é fruto do empenho coletivo da nossa comunidade. Pertence às escolas, associações, empresas, investigadores, crianças e seniores que cuidam do espaço público”, vincou.

O autarca referiu que ser CVE enquanto cidade de média dimensão é um “desafio acrescido” que exige visão e coragem coletiva para transformar o espaço público e o quotidiano dos cidadãos. Grato ao anterior presidente da Câmara, Domingos Bragança, por um trabalho que ultrapassa “ciclos políticos”, o responsável salientou ainda o propósito de tornar Guimarães numa capital da “qualidade de vida”.

“Somos CVE, mas queremos ser capital da qualidade de vida na Europa. A defesa do ambiente tem de ser apropriada pelos nossos cidadãos. A melhor forma é os nossos cidadãos entenderem que essa sustentabilidade é condição para uma melhor qualidade de vida”, mencionou.

Sem hipótese de marcar presença em Guimarães, a comissária europeia para o Ambiente, Resiliência da Água e Economia Circular Competitiva, a sueca Jessika Roswall, enalteceu a predisposição do território para a inovação ambiental e para o consenso político em torno do desígnio de CVE, enquanto o diretor-geral da Comissão Europeia para a pesquisa e inovação em sustentabilidade, o anglo-belga Patrick Child, vincou que o título pertence a Guimarães, mas sobretudo aos cidadãos de um território onde “história e inovação andam de mãos dadas”.

O responsável vincou que “as cidades interessam mais do que nunca” e que o trabalho de Guimarães na área ambiental é “um farol de otimismo para toda a gente”, enaltecendo as qualidades que motivaram o júri a eleger o território como CVE.

“O júri ficou impressionado com a vossa resiliência ambiental em várias áreas. Ficámos sobretudo impressionados pelo papel unificador da montanha da Penha na comunidade”, salientou.

Na última intervenção formal da noite, a ministra do Ambiente e Energia vincou que Guimarães conta com “um registo de excelência” nesses capítulos, ao passar de uma cidade com peso industrial, com “um forte passivo ambiental” para um território com políticas focadas na sustentabilidade.

“As expetativas são muito altas para a CVE e os projetos correm muitas frentes. Está alinhado com as prioridades do Governo em termos de políticas ambientais: a conjugação dos objetivos climáticos e com o desenvolvimento económico e social”, disse.

Maria da Graça Carvalho referiu que há boas práticas em ação no país que têm como “inspiração Guimarães”: “Um dos exemplos é o programa para a paisagem”.

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