Espada sem veneno em noite de futebol insípida em Barcelos
O que se viu esta segunda-feira no Estádio Cidade de Barcelos dificilmente deixará saudades aos 6.257 espetadores presentes – ainda mais àqueles que desembolsaram 25 euros – e a quem seguiu o jogo pela televisão. O embate entre Gil Vicente e Vitória SC teve entrega em doses generosas, faltas em catadupa – 38 -, paragens sucessivas… e momentos de fazer disparar a adrenalina que se contam pelos dedos de uma mão.
O ritmo cardíaco apenas fugiu dos padrões aos 36 minutos, quando Santi Garcia atrasou a bola a partir da direita para Andreas Lausen enviar a bola ao poste num toque subtil de calcanhar, e aos 89, na mesma baliza, mas com o Vitória a aproximar-se de um golo potencialmente decisivo. O passe de Oumar Camara para Alanzinho saiu com força a mais, mas o médio brasileiro importunou Lucão o suficiente para o guarda-redes largar a bola. Surgiu então a janela para Camara rematar, mas a bola esbarrou na malha lateral.
De resto, viu-se muitas bolas divididas, ressaltos a meio-campo na busca de ganhar o espaço que permitisse a saída para o ataque e muita falta de critério na articulação entre o meio-campo e o ataque, sobretudo do lado vitoriano, com vários passes transviados ou com força desmedida na zona mais adiantada do terreno.
Com os mesmos 11 elementos que alinharam na goleada perante o Marítimo, o Vitória apareceu regularmente junto à área gilista nos primeiros 10 minutos. A ala esquerda, com João Mendes e Camara em rotação elevada, dava bons indícios, perante um adversário desfalcado na retaguarda, fruto das ausências de Elimbi e de Espigares, o que ditou a adaptação de Ricardo Esgaio a central nos galos.
O resto do jogo desmentiu esse ascendente, porém. Os comandados de Luís Pinto, ex-treinador do Vitória, contrariaram o avanço vitoriano e impuseram, aos poucos, uma tendência de equilíbrio que viria a perdurar no resto do encontro. Embora menos ofensivos, revelaram maior precisão a circular a bola na saída rápida para o ataque. Esbarraram, porém, na solidez do quarteto defensivo vitoriano, exemplar na hora de resguardar a baliza.
Com o jogo amarrado à medida que o cronómetro avançava, os dois treinadores demoraram a mexer a partir dos bancos. Foi preciso esperar pelos 75 minutos para se verem as primeiras caras novas na partida: Tiago Margarido foi conservador nesse sentido, ao trocar o apagado Samu por Alan e o desapoiado Jakupovic por N’Doye. O Vitória ganhou dimensão física na área gilista, mas foi incapaz de a aproveitar. As restantes alterações teriam de esperar pelo minuto 90. Mais uma vez, o técnico vitoriano recorreu à troca por troca, ao substituir o apagado Gustavo Silva por Miguel Nogueira e Beni por Doucet, no vértice mais recuado do meio-campo.
As alterações não surtiram qualquer efeito, a não ser preservar o nulo que garantiu o primeiro ponto à formação preta e branca a jogar fora de portas. O jogo foi também o terceiro consecutivo sem golos sofridos, mas o Vitória continua em águas turbulentas na classificação – é 13.º, com nove pontos, dois acima do penúltimo classificado –, após um jogo marcado pelo défice de produção ofensiva.