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Eleições VSC: candidaturas encerram campanha em contacto com sócios

Tiago Mendes Dias
Desporto \ sábado, junho 13, 2026
© Direitos reservados
Após uma semana onde as quatro listas apresentaram os últimos trunfos de campanha e discutiram temas como a centralização dos direitos televisivos, a campanha termina. Eleições são sábado.

Os últimos cartuchos dos quatro candidatos à presidência do Vitória SC esgotam-se nesta sexta-feira, derradeiro dia da campanha rumo às eleições de sábado, aquelas que contarão com o maior número de listas na centenária história preta e branca.

 

Belmiro esclarece atuação da SR Investments Group no futebol

Rosto da lista A, Belmiro Pinto dos Santos esteve esta semana em Pevidém e na sede dos 20 Arautos, em pleno centro histórico de Guimarães, antes de dedicar os restantes dias a contactos informais com os sócios. Em Pevidém, o líder da candidatura Unidos por uma Paixão Única prestou esclarecimentos sobre a holding SR Investments Group, que tem a intenção de adquirir pelo menos 17% da SAD e de investir no futebol profissional.

A propósito de comentários e publicações nas redes sociais acerca da natureza desse grupo empresarial e do seu historial no futebol, relacionado com o Livorno, emblema italiano, e com o Burgos, clube espanhol, Belmiro esclareceu que a SR Investments atua “na agroindústria, nas energias renováveis, no imobiliário e na finança”, mobilizando um fluxo financeiro de um milhão e meio de dólares por dia, algo acima do que é habitual para os “padrões portugueses”, e que a oferta de aquisição do Livorno simplesmente não foi aceite.

“Na Internet, lê-se que houve um negócio que correu mal com um clube italiano e um negócio que terá corrido mal com um clube espanhol. Relativamente ao clube italiano, não existe rigorosamente nada. Houve uma tentativa de aquisição de 100% do Livorno e não chegaram a acordo nos valores. Isto acontece em qualquer tipo de negócio: na compra de um carro, de uma casa, na compra de um quilo de cenouras. Há uma oferta, a oferta não é aceite, não há negócio”, disse, na sessão de esclarecimento em Pevidém.

Quanto ao Burgos, o candidato realçou que a SR Investments financiou a empresa que adquiriu o emblema espanhol e comprou ainda publicidade nas camisolas por dois anos, pela soma de dois milhões de euros.

Ao longo da semana, a candidatura “Unidos por uma paixão única” reuniu-se ainda com antigos futebolistas do Vitória SC, elencou Tiago Silva, jogador ao serviço dos pretos e brancos entre 2021 e 2025 como modelo de futebolista a seguir na constituição de futuros plantéis, e apelou também a que os sócios votem não por relações pessoais, nem por promessas vazias, mas “em consciência”, pelo que “acreditam ser o melhor para o Vitória”.

“O nosso clube não precisa de demagogia. Precisa de verdade, de rigor e de quem esteja disposto a dar tudo sem esperar nada em troca. E independentemente do resultado, que no domingo estejamos todos juntos. Porque o Vitória é maior do que qualquer eleição”, lê-se numa publicação da lista, divulgada esta sexta-feira.

 

Júlio Vieira de Castro: grupo envolvido no futebol europeu interessado em 15% da SAD

Por seu turno, Júlio Vieira de Castro visitou, ao longo da semana, Serzedo, Urgezes, esteve num dos bares da Praça de Santiago, passou por Fermentões e fechou a campanha na Alameda de São Dâmaso, numa noite em que os elementos da candidatura se reuniram vestidos com camisolas do Vitória junto à muralha da Torre da Alfândega, antes de o candidato da lista B proferir o seu último discurso da campanha no coreto. Nesse palco, o rosto da candidatura “Só Vitória” enalteceu a presença de sócios do número 10 ao número 100 na Alameda, passou uma mensagem de confiança no futuro do Vitória, lembrou os momentos extraordinários desencadeados por uma massa adepta extraordinária e vincou que o Vitória não tem de ser salvo, mas bem governado.

Defensor de uma parceria mais estreita com o fundo V Sports, que é proprietário dos ingleses do Aston Villa e detém 29% da SAD, Júlio Vieira de Castro também anunciou, no debate que passou no canal TVI V+, em 5 de junho, contactos com um grupo que detém participações minoritárias em vários clubes europeus, realizados após a demissão de António Miguel Cardoso, e que manifestou a intenção de adquirir 15% da SAD. O ex-jogador do Vitória, Davidson, enviou uma mensagem de apoio à candidatura, lembrando o apoio que um dos elementos da lista lhe deu quando se transferiu do Sporting da Covilhã para o Desportivo de Chaves.

 

Lista de Viriato apresenta nome para o projeto Vitória Campus

Já Viriato Sampaio percorreu Azurém, Joane, Brito, Pevidém e Caldas das Taipas na derradeira semana de campanha, antes de a encerrar em Creixomil, numa festa de encerramento na Cooperativa Agrícola.

Nessa semana, a lista C explicou iniciativas como o Estádio D. Afonso Henriques 2.0 e o Museu Digital, que visam a potenciação de receitas com o estádio, e também defendeu o mecanismo de restruturação da dívida Stadium Finance, com Ricardo Lobo, candidato a vice-presidente da área financeira, a defender que essa solução permite, ao cabo de três anos, uma poupança de três milhões de euros em relação aos juros que o Vitória SC tem de pagar hoje, ao abrigo dos empréstimos em curso.

De resto, a candidatura ‘Vencer, sentir, crescer’ apresentou David Faria como o nome escolhido, a título gracioso, para liderar o comité de implantação do Vitória Campus, um dos projetos mais ambiciosos no programa a 10 anos que defende. Viriato Sampaio adiantou que esse comité poderia prever a criação de um projeto imobiliário contíguo à futura academia, ideia refletida na publicação da lista.

“A nossa visão passa pela criação de uma cidade do futebol dedicada à equipa principal, equipa B e futebol feminino, integrando infraestruturas de alto rendimento, medicina e recuperação desportiva, investigação em tecnologias do desporto e espaços complementares capazes de potenciar o desenvolvimento do clube”, lê-se.

A candidatura vinca que, “mais do que um projeto para o Vitória”, a iniciativa também pode representar “uma oportunidade de crescimento para Guimarães, promovendo inovação, investimento e criação de valor no concelho”. A lista C anunciou também Nuno Fernandes, membro da Comissão de Comemoração do Centenário, como futuro Provedor do Adepto, caso vença as eleições.

 

Rui Rodrigues: “Se depender de nós, estaremos por cá muito tempo”

A candidatura “Conquistar o futuro” começou a semana na sede dos 20 Arautos, em Oliveira do Castelo, passou depois por Azurém, Caldas das Taipas e Fermentões, antes de encerrar a campanha com uma festa no recinto da Associação Recreativa de Covas (ARCOV), em Urgezes, a freguesia natal de Rui Rodrigues. O candidato da lista D enalteceu a campanha com “uma elevação muito grande”, focada sobretudo em falar do futuro do Vitória. “Apelo a que os vitorianos compareçam em massa para decidirem o futuro do Vitória. É por isso que estamos todos aqui, porque sempre acreditamos que o Vitória tem futuro”, referiu, na noite de encerramento.

Pontuada por visitas aos Piratas de Creixomil e ao GD Selho e a instituições como a Associação de Reformados de Guimarães, a semana ficou marcada pelas primeiras aparições públicas de Fernando Meira, o nome da lista D para a posição de diretor desportivo, nas sessões de esclarecimento.

O antigo internacional português, de 48 anos, vincou, na primeira intervenção, em Azurém, que a sua missão primordial é “moralizar e unir ao máximo tanto o grupo de futebol e a equipa técnica, como toda a formação” e teceu as primeiras considerações quanto ao plantel principal. “Vamos herdar um plantel extenso no que diz respeito a contratos de salários elevados. O que prevejo para o Vitória, assim que esses contratos terminem, é a manutenção de um plantel com 16 a 18 jogadores mais caros, abrindo espaço para 8 a 10 jogadores da formação que possuam a mística do Vitória e ambição”, salientou.

Meira referiu também que é “fundamental detetar”, em cada um dos escalões, quais os jogadores que devem ter destaque e ser aposta e também implantar um modelo de jogo abrangente, desde os sub-19 e equipa B até à equipa principal. “Deve existir uma proximidade muito maior, com reuniões mais assíduas, mais mística, exigência e rigor. Contudo, sabemos que, se a bola não entrar, surgirão discussões e dúvidas sobre o valor dos jogadores”, realçou.

Na quinta-feira, em Fermentões, Rui Rodrigues afirmou que a sua lista está pronta para liderar o Vitória por muito tempo, caso seja eleito, em resposta a uma questão de um sócio, tendo reconhecido que é difícil atingir estabilidade com tantas mudanças na presidência nos últimos anos e assumiu que a alteração dos mandatos de três para quatro anos está inserida na revisão dos estatutos praticamente concluída. “Como é óbvio a última palavra é dos sócios, mas se depender de nós estaremos por cá durante muito tempo. Se nos deixarem e derem essa confiança, não vamos de certeza fugir às nossas responsabilidades", assumiu. O candidato referiu, nessa mesma sessão, que Fernando Meira teve convites para ser diretor-desportivo de outros dois clubes europeus.

 

Belmiro, Júlio e Viriato criticam escolha nos direitos televisivos. Rui defende que Vitória teve papel ativo

A posição favorável do Vitória SC à proposta principal da chave de repartição das receitas provenientes da comercialização centralizada dos direitos de transmissão dos jogos da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, a entrar em vigor em 2028, mereceu críticas por parte de três das listas candidatas às eleições.

O primeiro a pronunciar-se sobre o voto do Vitória SC na assembleia-geral da Liga, que aprovou a proposta na segunda-feira, com 80% de votos favoráveis das 33 sociedades da Primeira e da Segunda Liga, foi Júlio Vieira de Castro. O candidato da lista B criticou o facto de a demissão demissionária não ter informado, nem explicado aos associados que estava em causa “uma decisão estruturante” e defendeu uma proposta que promovesse maior equilíbrio competitivo e maior equidade distributiva”, salvaguardando os interesses do clube e dos restantes que integram os campeonatos. “Uma chave que concentra vantagem financeira apenas em alguns reduz a contestabilidade da competição e enfraquece o produto comum. Com a fórmula hoje aprovada, os verdadeiros problemas de competitividade interna e externa da nossa liga dificilmente serão resolvidos”, afirmou, em comunicado.

De seguida, Belmiro Pinto dos Santos acusou a direção ainda liderada por António Miguel Cardoso de preferir “a proposta objetivamente mais desfavorável aos interesses do clube”, ao invés daquela que o Nacional sugeria, com 50% das verbas a serem repartidas em partes iguais, ao invés de 20%, e comparou a diferença de verbas previstas para o Vitória e para o Sporting de Braga. “Tendo como exemplo uma classificação equivalente à da época de futebol de 2024/2025, em que o Vitória SC se classifique em sexto lugar e, por exemplo, o Sporting de Braga em quarto lugar, no ano imediatamente a seguir o Vitória SC receberá pouco mais de 10 milhões de euros e o nosso principal rival receberá mais de 20 milhões de euros, ou seja, mais do dobro", lê-se.

Já Viriato Sampaio esperou por terça-feira para criticar a posição do Vitória, sobretudo na falta de transparência para com os sócios. “Se a Liga Portugal aprovou a proposta de centralização dos direitos televisivos com cerca de 80% dos votos e se o Vitória SC integra a Direção da Liga, ao lado de FC Porto, Sporting CP, SC Braga e Alverca FC, seria expectável que Rui Rodrigues tivesse informado os sócios sobre a evolução deste processo, os cenários em discussão e a posição defendida pelo nosso clube”, defendeu a lista C, alertando para o facto de as transmissões da Liga serem vendidas por menos de 200 milhões, o que pode levar o Vitória a nem sequer encaixar 10 milhões anuais com a televisão.

Na sessão de esclarecimento nos 20 Arautos, o candidato da lista D e ainda vice-presidente para a área financeira esclareceu que nem sequer existiam duas propostas para votação na assembleia-geral, porque a proposta do Nacional “não recolheu um único voto para ser incluída na agenda para votação”. Rui Rodrigues acrescentou que o Vitória não se limitou a aceitar um documento, tendo exigido e garantido alterações estruturais à proposta da Liga. “A proposta inicial beneficiava estádios pequenos com taxas de ocupação artificialmente altas. O Vitória impôs que o critério passasse a ser o número real de assistências e as audiências televisivas, onde a nossa massa associativa nos coloca no topo do futebol nacional”, salientou.

O rosto da lista ‘Conquistar o futuro’ também vincou que o Vitória promoveu a redução do prazo de revisão do critério de distribuição de 10 para cinco anos. A chave aprovada defende a atribuição das receitas televisivas com base no desempenho desportivo de cada sociedade (57,5% do valor), na distribuição igualitária (20%), na dimensão social, patente em assistências nos estádios e audiências televisivas (17,5%) e nas infraestruturas (5%).

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