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Do visual ao musical, ciclo “Da Quaresma à Páscoa” volta a afirmar presença

Tiago Mendes Dias
Cultura \ quarta-feira, março 18, 2026
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Quinzena que antecede a Páscoa volta a ser marcada por procissões, pelo roteiro de arte sacra que envolve mais de 40 peças, pela 10.ª edição do Festival de Música Religiosa e por atividades paralelas.

Culminar da vivência anual da fé cristã, a Páscoa volta a inspirar um ciclo onde o aparato cénico das procissões, a música religiosa, a arte sacra, as flores e a gastronomia se encontram num programa de usufruto cultural e lúdico para a comunidade e para turistas.

As seculares procissões do Encontro, no designado Domingo de Lázaro – duas semanas antes da Páscoa -, das Endoenças, na Quinta-Feira Santa, e do Enterro do Senhor, na Sexta-Feira Santa, voltam a figurar no ciclo “Da Quaresma à Páscoa”, tal como os fins de semana gastronómicos, que relevam neste ano a sopa rica com feijão, o bacalhau com broa e o toucinho-do-céu de Guimarães nos 12 restaurantes, oito alojamentos e cinco quintas de enoturismo aderentes, o Festival Internacional de Música Religiosa de Guimarães e o roteiro de arte sacra “A paixão em Guimarães”, que, neste ano, inclui 40 elementos, entre peças expostas nas igrejas e os passos da Paixão de Cristo, erguidos pela cidade em 1727.

Docente da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Católica Portuguesa, José Carlos Miranda assume a curadoria de um roteiro em que procurou ligar as peças escolhidas, como se fossem sílabas soltas inseridas nas palavras a que pertencem para “terem sentido”, sob uma palavra-chave concreta: presença.

“A presença tem ecos antigos na identidade cristã. Trata-se da revelação de Deus no templo. A presença de Deus marcava-se em símbolos omnipresentes nesta cidade. Encontrei arcas da aliança por todo o lado: nos cálices, nas custódias, nos relicários, nos retábulos. Essa presença continua em símbolos como o trono e o pelicano, que me parecem muito cheios de significado também para iluminar as cidades do presente”, referiu, durante a apresentação do ciclo aos jornalistas, decorrida nesta terça-feira, no Museu de Alberto Sampaio.

Já o FIMRG, que atinge a 10.ª edição, desenrola-se de 27 de março a 4 de abril, com 13 concertos, espalhados pelas igrejas da cidade, mas também pelo espaço público, com interpretações de compositores como Heinrich Schütz, Richard Strauss e Olivier Messiaen, mas também de repertório do século XVI. Três dos concertos acontecem fora do perímetro da cidade, no jardim do coreto de Caldas das Taipas, na igreja românica de Serzedelo e no mosteiro de Souto São Salvador. "O meu objetivo é lograr um programa à altura do património com que o festival dialoga e da espiritualidade da época em que vivemos", frisou César Viana, programador do festival.

Já Paulino Carvalho, pároco de Nossa Senhora da Oliveira, realçou que, do ponto de vista da fé católica, “a luz da Páscoa anima um ciclo que releva a linguagem da beleza a partir do evangelho de Jesus e da sua ressurreição" e convidou os vimaranenses a participarem nas procissões. “Tudo o que anima esta programação é a Páscoa, seja para os que têm fé, seja para os que não têm e que se interessam no âmbito da cultura. (…) Esta colaboração ajuda a que isto possa ser melhor e a chegar mais longe. Há gente que já passa por Guimarães por este programa que temos", realçou o sacerdote católico.

 

Esculturas, flores, bordados: a programação que resta

Presente na apresentação do ciclo, a vereadora municipal para a cultura, Isabel Ferreira, realçou o facto de o FIMRG descentralizar a música religiosa pelo concelho, a atração que os fins-de-semana gastronómicos, articulados com a Turismo Porto e Norte de Portugal, exercem no público espanhol, e ressalvou as outras atividades incluídas no programa: as atividades lúdicas no Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, a conferência do sociólogo Albertino Gonçalves sobre as esculturas da humildade e da piedade, marcada para 28 de março, na Sociedade Martins Sarmento, o mercado das flores, na arcada entre a Oliveira e Santiago, em 29 de março, uma nova edição da iniciativa “Bordar na Praça”, a 4 de abril, e a Queima do Judas, junto à Capela de São Roque, na Costa, também a 4 de abril, às 22h00.

Já Maria de Lurdes Rufino, do Museu de Alberto Sampaio, realçou que a preparação do ciclo, neste ano, foi “uma corrida contra o tempo”, fruto de contratempos inevitáveis, enquanto se fez a curadoria, os textos, as traduções e a conceção gráfica para “A paixão em Guimarães”, num só mês.

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