Cooperativa Oficina propõe uma Rodada pelo barro da Cruz de Pedra
Inaugurado em 1 de outubro de 2024, o Centro de Artes e Ofícios dos Fornos da Cruz de Pedra está pronto a abrir-se mais à comunidade no último quadrimestre deste ano, a começar por uma iniciativa que se estreia esta sexta-feira, que promete muito contacto com o barro, entre um copo de vinho e o relaxe de não ter de se criar algo que corresponda a um padrão rígido e antecipadamente definido.
A Rodada vai decorrer na primeira sexta-feira de cada mês, sempre entre as 19h00 e as 21h00, abrindo aos inscritos a possibilidade de usufruírem do barro num contexto de desaceleração. “Vamos criar esse momento de relaxe, aproveitar o ritmo que a roda nos dá, a lentidão em torno da olaria. A ideia é desacelerar e passar um bom bocado”, esclarece a diretora da cooperativa A Oficina para o património e as artes tradicionais, Marta Silva.
Destinada a pessoas que queiram contactar pela primeira vez com o barro ou que queiram simplesmente descontrair enquanto criam, a proposta conjuga a experiência do barro com a experiência do vinho, já que A Oficina estabeleceu parceria com quintas locais para os inscritos poderem usufruir de um copo enquanto criam.
No âmbito do Rodada, os objetos criados pelos participantes ao longo de duas horas serão finalizados pela Oficina no Centro de Artes e Ofícios (CAO) e posteriormente entregues a quem os fez. “As pessoas podem vir buscar a peça que fizeram. Em duas horas, vamos dar primazia ao contacto com a matéria-prima”, acrescenta Marta Silva, acerca de um programa cujo custo por sessão é de 15 euros.
Para a oleira residente, a iniciativa pode atrair mais pessoas a um espaço com o qual, por norma, ficam impressionadas – além das oficinas de trabalho, o CAO dispõe de um núcleo museológico que detalha a história da olaria na Cruz de Pedra, mas também resume a história industrial de Guimarães, nos têxteis, nos curtumes ou na cutelaria.
“O museu está muito bem detalhado. Tem uma boa explicação e faz quase essa viagem ao tempo, ao sentir esse cheiro da terra. O chão é de terra ainda. O lugar está cheio de símbolos e leva a esse resgate. Vai ser vantajosa toda essa programação para o evento", salienta Bruna Freitas.
Exposição na Loja Oficina e ateliês abertos
Além do Rodada, a Oficina inaugura, no próximo domingo, a exposição “Da roda à solda” na Loja Oficina, na rua da Rainha, com obras de Inês Mendes que resultam de uma investigação acerca dos possíveis cruzamentos entre artesanato e contemporaneidade.
A partir das visitas a artesãos do norte de Portugal que têm a cerâmica e o ferro como matéria do seu trabalho — Bruna Freitas, João Lourenço, César e João Teixeira e ainda Luís Mendes, a artista visual e produtora do projeto olhou para “objetos artesanais do quotidiano e reinterpretar estas peças como forma de ativar as suas histórias e explorar o espaço doméstico”. A exposição integra ainda uma componente videográfica, da autoria de Carolina Ribeiro, e conta com o design gráfico de Ana Leite. A exposição estará patente por duas semanas, até 20 de setembro.
A partir de outubro, a Oficina promove os ateliês abertos no CAO dos Fornos da Cruz de Pedra, numa modalidade semelhante aos ateliês de Bordado de Guimarães, na Loja Oficina. Em três sábados de outubro e de novembro, esses ateliês vão garantir um contacto mais prolongado com a olaria do que, por exemplo, no Rodada.
“As pessoas podem manter este contacto e proximidade com o barro, mas com um bocado mais de tempo. Isso permite uma aprendizagem mais sólida e consolidada e, ao mesmo tempo, ter objetos com este acompanhamento, desde a moldagem, à feitura, à secagem e à fornada", esclarece Marta Silva.