CIAJG interroga contradições do primitivismo em novo ciclo expositivo
À porta de inaugurar mais um ciclo expositivo, o Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) realça, em nota de imprensa, que “o primitivismo foi uma via para a arte se renovar e afirmar como moderna, uma prática artística do retorno às origens e dos (re)começos. Apesar da longa história, essa ideia expressou‐se “de forma inequívoca” a partir do final do século XIX e do início do século XX, através do “fascínio e fetichização em torno de culturas que foram consideradas «remotas», «primordiais», «primitivas», «ingénuas», «arcaicas», «selvagens», «primevas»”.
Em “Problemas do Primitivismo — a partir de Portugal”, trabalho com curadoria de Marta Mestre, diretora artística d’A Oficina para as artes visuais, e de Mariana Pinto dos Santos, com abertura marcada para as 17h00 de sábado, o centro de artes interroga o “primitivismo» e as contradições desse processo histórico e cultural a partir deste país” e propõe “uma abordagem crítica através de uma polifonia de vozes nas fontes e nos autores e artistas convidados a participar”, após ampla pesquisa documental.
Envolto por correntes políticas opostas do século XX – “tanto foi ferramenta nacionalista e de legitimação do projeto colonial, como ferramenta libertária e anticolonial” –, o primitivismo também foi “via para a arte se renovar e afirmar como moderna”, operando “uma verdadeira revolução estética na arte ocidental do século XX”.
Seis palavras-chave, permeáveis entre si, organizam a exposição: Civilização, Museu, Ingénuo, «Mar Português», «Jazz-Band» e Extração, informa o comunicado. “Através delas, dá-se a ver não uma cronologia fixa, mas percursos e correlações diagramáticas, fluxos, tensões e sinapses entre textos e imagens, bem como a interação entre «alta» cultura e cultura de massas, entre a história, a história da arte, a política, a antropologia e a economia, e também a estrutura ideológica, social e cultural sobre a qual assentou a disseminação de uma visualidade intensa relacionada com a ideia de «primitivo»”, lê‐se.
O ciclo conta com a parceria do Instituto de História da Arte (IHA), da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e do Laboratório Associado para a Investigação e Inovação em Património, Artes, Sustentabilidade e Território (IN2PAST), com o apoio da Fundação Millennium BCP.
Um Antimuseu à noite e uma conversa na manhã seguinte
A partir das 19h00, o Antimuseu volta a acompanhar mais uma inauguração do ciclo expositivo, com as atuações de Croatian Amor, DJ Lynce, DJ Veludo, Miguel Pedro, oqbqbo e Vanity Productions, uma proposta de diálogo entre o espaço físico do CIAJG, o público e os artistas convidados por recurso à performance, concertos e dj sets, numa ruptura com o espaço e sinergias com quem o habita e transforma, escreve o centro de artes.
No dia seguinte, às 11h00, realiza‐se uma visita‐conversa em torno do novo ciclo expositivo, sob orientação de Marta Mestre e de Mariana Pinto dos Santos.