Centro Cultural Vila Flor vive fim de semana de dança contemporânea
A memória, o desejo, a juventude e as transformações impostas pelo tempo estarão inscritas nos corpos que se expressam através da dança contemporânea no Centro Cultural Vila Flor (CCVF), na sexta-feira e no sábado.
O fim de semana de dança arranca na sexta-feira, às 21h30, com “KITADA”, nova obra coreográfica de Marga Alfeirão e criação vencedora da quarta edição do Projeto CASA, que contará com três bailarinas no palco do Pequeno Auditório do CCVF para evocar a “desflorestação massiva do século XV para a construção das frotas coloniais e as “consequências desse processo sobre os saberes e relações femininas com a natureza, os sonhos e as paisagens”.
Em "KITADA", Marga Alfeirão investiga as trajetórias da "manha feminina" a partir de relatos dos Recolhimentos do Desagravo de Montemor-o-Novo, do Conselho das Tias e das objeções de consciência do Hospital de Évora às interrupções voluntárias da gravidez, refere o comunicado da cooperativa municipal A Oficina.
Influenciada pelas sonoridades e danças da diáspora africana em Lisboa, a coreógrafa constrói uma linguagem híbrida e afirmativa, onde o erotismo, as memórias afetivas geracionais e o prazer surgem como formas de resistência e de resgate, lê-se ainda.
A criação prossegue a investigação da coreógrafa sobre corpos, desejos e memórias, depois do dueto "LOUNGE". Os bilhetes para "KITADA", espetáculo coproduzido por A Oficina, O Espaço do Tempo e Cineteatro Louletano, no âmbito do Projeto CASA, com apoio da rede Be My Guest, têm o valor de 7,50 euros.
No dia seguinte, também às 21h30, o Grande Auditório Francisca Abreu acolhe "A Luminosa Violência da Perfeição", uma peça em que Daniel Matos parte da obra de "Pavana para uma Infanta Defunta", do compositor e pianista francês Maurice Ravel para expressar “o confronto com a passagem do tempo, a velocidade, a memória e a própria ideia de futuro”.
“Entre cavalarias, corpos jovens, cavalos e éguas selvagens, a criação questiona a possibilidade de escapar a um futuro já anunciado, num movimento contínuo entre a vida, a morte e a transformação”, lê-se.
Coreógrafo, performer e artista plástico, Daniel Matos desenvolve um trabalho multidisciplinar onde o corpo é entendido como campo biográfico e o presente como espaço político, de transgressão, ritual e afeto.
Com um percurso internacional enquanto criador e intérprete, e depois de criações como "Vara" (2022) e "A Pedra, A Mágoa" (2024), e várias distinções relacionadas, Matos apresenta agora uma nova obra com cocriação e interpretação de Lia Vohlgemuth, Joana Simões, Claudio Murabito, Margarida Paiva, Florencia Martina e Nuno Velosa, bem como música original de Joana Guerra.
Os bilhetes para a obra coproduzida pelo Teatro das Figuras, pelo Centro Cultural Vila Flor, pelo Cine-Teatro de Torres Vedras, pelo Teatro Municipal da Covilhã e pelo Município de Lagos têm um custo unitário de 10 euros. O bilhete conjunto para os dois espetáculos custa 12,50 euros.