Celebrações da Fundação de Portugal geraram discussão
A reunião de câmara da passada segunda-feira ficou marcada por uma troca de argumentos a propósito da alteração nas comemorações focadas estritamente na Batalha de São Mamede para o alargamento à Fundação de Portugal.
A vereadora do Partido Socialista, Gabriela Nunes, contestou a mudança e apontou que Guimarães "perdeu a centralidade", explicando que "estávamos com as comemorações dos 900 anos da Batalha de São Mamede e passámos para os 900 anos da Fundação de Portugal".
A autarca lembrou que o concelho vinha a desenvolver desde 2022 um programa de matriz científica e académica, contando com uma Comissão de Honra e uma Comissão Científica Internacional. Gabriela criticou ainda o novo modelo, afirmando que o comissariado "fica com um lugar pequeno numa mesa grande" e que "o novo comissariado está disposto, todos por nomeação política", questionando se Guimarães deixa de ter um papel executivo e lamentando que a nova organização rompa com o espírito anterior. A socialista acusou ainda de ser "uma resolução contrária" que "altera profundamente o programa das comemorações".
Em resposta, o presidente da Câmara, Ricardo Araújo, rejeitou as acusações e a tentativa de politização do tema: "Rejeito completamente a tentativa de politizar esta discussão. Rejeito-a totalmente. É um mau serviço que presta a Guimarães". Assegurou que "nada do que vinha do anterior mandato foi colocado em causa" e que a estrutura local e a comissão científica se mantêm inalteradas.
O executivo justificou que a intervenção governamental traz uma mais-valia incontornável: "Queria que efetivamente que estas celebrações tivessem dimensão nacional. Não podem ser celebrações de Guimarães para Guimarães. Tem de ser para Guimarães para o país". Sublinhou ainda que se conseguiu, pela primeira vez, que o Primeiro-Ministro e o Governo integrassem as comemorações no seu programa, garantindo que está "muito focado nos 900 anos da Batalha de São Mamede" e que esta nova estrutura nacional funciona de forma estritamente complementar ao trabalho que o município já vinha a fazer.