Câmara volta a afirmar intenção de assumir tutela dos bairros do IHRU
À semelhança de Domingos Bragança, no mandato anterior, o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, assumiu o objetivo de passar a gestão dos bairros habitacionais que são propriedade do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) – Feijoeira, Atouguia, Nossa Senhora da Conceição, São Gonçalo, na cidade, e Emboladoura, em Gondar – para a tutela municipal.
"Manifestei à senhora secretária de Estado da habitação a disponibilidade para a Câmara de Guimarães receber estes imóveis que pertencem ao IHRU. (…) Queremos receber este património requalificado ou com o envelope financeiro necessário para a sua requalificação. A partir daí, passa a ser responsabilidade do município. Estou otimista que possa vir a acontecer. A Câmara e a CASFIG têm uma proximidade maior com as Juntas de Freguesia, com as Associações de Moradores, com os próprios moradores, com o próprio espaço. Isso é importante para percebermos e dar a atenção merecida”, disse o autarca, numa visita ao bairro da Emboladoura, levada a cabo na segunda-feira, na companhia dos vereadores Constantino Veiga e Alberto Martins.
Eleito em 12 de outubro de 2025, pela coligação Juntos por Guimarães (PSD/CDS-PP), o autarca disse ter marcada uma reunião com o presidente do IHRU, Benjamim Pereira, nessa segunda-feira, e agendada uma visita da secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa, a Guimarães, no início de março.
Telhados inacabados, água a escorrer pelas paredes
Defensor do aumento da oferta privada de habitação, da oferta pública de habitação e da requalificação do parque público existente, Ricardo Araújo ouviu, em Gondar, as reclamações da Associação de Solidariedade Social Moradores da Emboladoura. A presidente da associação, Elisabete Dourado, reportou casos de bacias a aparar água, marquises ainda sem cobertura em quatro dos sete blocos habitacionais, falta de água quente, infiltrações de água que tingem as paredes de negro e pelo menos um caso de uma doente oncológica que vive sem as condições de conforto exigidas devido à falta de colocação do telhado, na sequência das obras de requalificação que se iniciaram em 2022.
“Há meses que avisamos que a água entrou toda no sótão. Agora já puseram a telha. Onde é que a água está a sair? Para os terceiros andares e por aí abaixo. Essa senhora mora no 3.º andar. Já é difícil quando ela vem da quimioterapia, dos tratamentos. Chegar lá acima já é difícil. Imagine-se chegar a casa e não poder descansar porque tem bacias por todo o lado, não pode ligar a luz. A água sai nos interruptores, pinga nos candeeiros. A técnica do SASI [do município] que esteve cá disse que não podia dormir ali. Ela diz que é o único quarto que está seco”, relata Sofia Cunha, secretária da Junta de Freguesia de Gondar.
Também presente na visita, o presidente da Junta de Gondar, lamentou a forma como a obra tem sido conduzida. “Não posso ficar contente com esta situação. Além das intempéries que têm havido, as telhas que estão aqui no chão, junto ao parque infantil, já deviam estar no lugar delas. A chuva entra para as casas porque falta telhas. A obra começou por baixo quando deveria ter começado por cima", referiu.
Quanto ao espaço exterior, Sofia Cunha relatou a degradação de alguns jardins, bem como os casos do parque infantil e do rinque desportivo, que Ricardo Araújo prometeu ver requalificados até ao final de 2026, mas vincou que os problemas “mais graves” se dão no interior das habitações.
“Não vou abdicar de ter uma palavra exigente nesta matéria. Isto vai ter de ser concluído e bem concluído. Há aqui uma reabilitação que importa referir, que é merecida, que já tem vindo a ser realizada. Há muitos blocos que já foram requalificados. A requalificação é importante para a qualidade de vida das pessoas. Essa requalificação não está concluída e há o reporte de vários problemas. Temos de ir junto de quem de direito, neste caso o IHRU, para perceber quais as dificuldades, porque elas ocorrem e quando estarão resolvidas", prometeu Ricardo Araújo.